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Benefícios corporativos

Posto de gasolina aceita vale-alimentação? E o que o RH pode oferecer no lugar?

Posto de gasolina não aceita vale-alimentação (VA), porque ele é destinado à compra de alimentos para consumo do trabalhador e de sua família. Como combustíveis não entram nessa finalidade, os postos não podem aceitar esse benefício como pagamento.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 13 minutos

Chegou no seu time de RH a dúvida “posto de gasolina aceita vale-alimentação”?. Pois vamos ser diretos aqui: não, não aceita. Afinal, o vale-alimentação (VA) foi criado para a compra de alimentos, o que impede sua utilização para combustíveis na maioria dos casos. 

Mas é claro que, se você chegou até aqui pesquisando se o posto de gasolina aceita vale-alimentação ou se pode usar vale-alimentação para pagar gasolina, também quer contornar a situação e oferecer um benefício que seja aceito em postos. Até para evitar a frustração do colaborador que já tentou usar o cartão para compra de combustível — sem sucesso. 

Então, mais importante do que simplesmente saber o “não” é entender o que o RH pode fazer para resolver essa dor no pacote de benefícios. 

Afinal, as necessidades dos profissionais mudaram, e muitas empresas já estão adotando benefícios flexíveis para oferecer mais liberdade de escolha. Ao longo deste artigo, você vai entender por que o vale-alimentação não pode ser usado para gasolina e como os benefícios flexíveis podem ser uma solução eficiente para essa questão.

Por que posto de gasolina não aceita vale-alimentação?

Como vários cartões de benefício utilizam bandeiras amplamente aceitas, como Visa ou Mastercard, surge a dúvida: se o cartão funciona em milhões de estabelecimentos, por que não funciona no posto? 

A resposta envolve regras técnicas dos meios de pagamento e exigências legais relacionadas ao uso do benefício. Entender esses mecanismos a seguir!

1. Por causa do MCC, ou código da categoria do comerciante

Um dos principais motivos está no MCC (Merchant Category Code), um código de quatro dígitos utilizado pelas operadoras e adquirentes para identificar a atividade econômica de cada estabelecimento durante uma transação com cartão. Quando uma empresa é credenciada por adquirentes como Cielo, Stone, Rede e outras, ela recebe um MCC que passa a identificar sua categoria comercial perante o sistema de pagamentos.

No caso dos postos de combustíveis, o código normalmente utilizado é o MCC 5541, destinado a postos de abastecimento e venda de combustível. Já os supermercados costumam operar com outro número de MCC, associado ao comércio alimentício. 

Quando um cartão de vale-alimentação é utilizado em uma maquininha cadastrada com MCC 5541, o sistema reconhece que a atividade principal do estabelecimento não está relacionada à alimentação e bloqueia automaticamente a transação. Essa é a lógica por trás da relação entre MCC, posto de gasolina e vale-alimentação.

2. Por questões de CNAE e PAT

Além da classificação utilizada pelos meios de pagamento, existe uma questão regulatória importante. O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) estabelece diretrizes para que os benefícios de alimentação sejam utilizados em estabelecimentos compatíveis com sua finalidade. Resumindo, o programa foi criado para garantir que os recursos destinados ao trabalhador sejam efetivamente utilizados para alimentação.

Dessa maneira, o estabelecimento também precisa estar enquadrado em atividades compatíveis, identificadas por seu CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). 

Enquanto supermercados, mercados e outros comércios alimentícios têm CNAEs relacionados à alimentação, postos de gasolina são enquadrados em atividades ligadas à comercialização de combustíveis. Essa é a base da relação entre CNAE, posto de gasolina, PAT e vale-alimentação, que limita a aceitação do benefício em determinados tipos de negócio.

Saiba mais: PAT e CLT: entenda quais são as novas diretrizes do governo e opere dentro da lei

Mesmo quando o consumidor pretende comprar apenas um lanche ou um alimento na conveniência do posto, a atividade principal do estabelecimento continua sendo combustível na maioria dos casos. 

Dessa forma, o uso do vale-alimentação pode ser considerado incompatível com as regras do PAT. Além do risco de autuações, a aceitação indevida do benefício pode gerar penalidades para o estabelecimento e comprometer benefícios fiscais relacionados ao programa.

O bloqueio de VA em postos não é uma falha do sistema, e sim uma proteção legal, já que o PAT foi criado para garantir que o benefício seja usado para alimentação. Usar VA no posto desvia o benefício da sua finalidade e pode gerar penalidades.

Mas e a loja de conveniência do posto, ela aceita VA?

De longe, essa é a dúvida mais comum. Afinal, muitas conveniências vendem produtos alimentícios, bebidas não alcoólicas, sanduíches e refeições rápidas. Mesmo assim, na maior parte dos casos, a resposta continua sendo não. 

O motivo? Simples: a loja opera sob a mesma estrutura cadastral do posto e, por consequência, utiliza o mesmo enquadramento de atividade e o mesmo MCC vinculado ao combustível.

Assim, quem pesquisa se loja de conveniência de posto aceita vale-alimentação encontra respostas divergentes. A regra geral é que a transação seja recusada, uma vez que o sistema identifica o estabelecimento como pertencente à categoria de combustíveis. O fato de haver alimentos à venda não altera automaticamente essa classificação perante as operadoras de benefício.

Existe, porém, uma exceção. Alguns postos mantêm a conveniência registrada como uma empresa independente, com CNPJ próprio, CNAE relacionado ao varejo alimentício e um MCC compatível com a aceitação de benefícios de alimentação. Nesses casos específicos, a loja de conveniência pode aceitar o vale-alimentação para a compra de produtos alimentícios.

Vale-alimentação versus vale-combustível: qual a diferença?

A principal diferença entre vale-alimentação e vale-combustível está na finalidade para a qual cada benefício foi criado. O vale-alimentação é destinado à compra de alimentos em estabelecimentos autorizados, como supermercados, mercados e outros comércios alimentícios. 

Sua utilização costuma estar vinculada às regras do PAT, que busca garantir que o benefício seja, de fato, direcionado à alimentação do trabalhador. Por isso, existem controles técnicos e regulatórios que limitam onde o saldo pode ser utilizado.

Já o vale-combustível tem como objetivo auxiliar nos custos de deslocamento, permitindo o abastecimento de veículos ou a compra de produtos e serviços relacionados à mobilidade, conforme a política adotada pela empresa fornecedora do benefício. 

Diferentemente do vale-alimentação, ele não está vinculado à aquisição de alimentos e costuma ser aceito em postos de combustíveis credenciados. Também vale ressaltar que o vale-combustível é um benefício à parte do vale-transporte, previsto em lei, ok?

Na tabela a seguir, você entende melhor as especificidades de cada um:

Vale-alimentaçãoVale-combustível
FinalidadeCompra de alimentos para preparo em casaAbastecimento de veículos
Previsão legalCLT + PATNão previsto em lei
Onde usarSupermercados, hortifrútis, mercearias, açougues etc.Postos de gasolina credenciados
Desconto em folha?NãoNão (é distinto do vale-ransporte)
ObrigatoriedadeNão, só em casos de convenção coletivaNão
Pode estar no mesmo cartão?Sim, em cartões multibenefíciosSim, em cartões multibenefícios
Incidência de encargosIsento, se dentro das regras do PATDepende do modelo de concessão

Qual benefício o RH deve oferecer para colaboradores que usam carro?

Empresas que contam com colaboradores que utilizam carro no dia a dia costumam buscar alternativas para apoiar os custos de deslocamento e, ao mesmo tempo, simplificar a gestão dos benefícios. 

Nesse cenário, existem dois modelos que  atendem essa necessidade. Confira em detalhes:

1. Vale-combustível tradicional

O vale-combustível tradicional é uma das alternativas mais conhecidas pelas empresas. Nesse modelo, o RH disponibiliza um valor pré-carregado em um cartão específico, que pode ser utilizado em postos de combustível credenciados. 

Por ser uma solução direcionada exclusivamente ao abastecimento, seu funcionamento é simples e objetivo, facilitando a compreensão por parte dos colaboradores.

O ponto central é que essa modalidade gera desafios operacionais para a empresa. Além da necessidade de contratar e gerenciar mais um fornecedor, o colaborador passa a utilizar um cartão adicional apenas para essa finalidade.

Como o benefício é restrito ao abastecimento, ele oferece pouca flexibilidade para quem alterna entre diferentes meios de transporte. Ainda assim, para organizações que buscam uma solução direta e específica, pode ser uma opção interessante de benefício para deslocamento funcionário.

Funciona para quem? É mais indicado para empresas com cartões distintos de benefícios, lembrando que acaba sendo mais um cartão para gerenciar, o que sobrecarrega o RH

2. Auxílio-mobilidade via cartão multibenefícios

O auxílio-mobilidade por meio de um cartão multibenefícios surge como uma alternativa mais flexível e alinhada às diferentes rotinas dos colaboradores. Nesse modelo, existe uma categoria específica de mobilidade dentro do mesmo cartão já utilizado para outros benefícios. 

O saldo pode ser usado para combustível, transporte público, aplicativos de mobilidade (Uber e 99) ou qualquer outro meio de deslocamento permitido pela categoria. Dessa forma, o cartão multibenefícios inclui combustível sem limitar o colaborador a uma única forma de transporte.

Além da flexibilidade para quem utiliza o benefício, a solução também traz vantagens para o RH. A gestão permanece centralizada em uma única plataforma, sem necessidade de contratar fornecedores adicionais ou distribuir novos cartões. 

O benefício flexível traz mobilidade ao RH ao reduzir a complexidade operacional e facilitar a administração dos recursos destinados ao deslocamento. Para empresas que buscam entender como implementar vale-combustível pelo RH de maneira mais moderna, essa é a alternativa mais eficiente.

Um exemplo é a opção da Caju, que oferece a categoria de auxílio-mobilidade dentro do mesmo cartão multibenefícios. O RH define o valor destinado ao benefício e o colaborador escolhe como utilizá-lo dentro da categoria. Fora que o Cartão Caju Multibenefícios permite oferecer até oito categorias de benefícios em um único cartão, incluindo alimentação, refeição, mobilidade (combustível, transporte público e aplicativos), educação, cultura, saúde e outras possibilidades, sem taxa de adesão, administrativa ou de entrega.

Funciona para quem? É excelente para empresas que já usam o cartão multibenefícios. Caso a empresa ainda não use, vale considerar a migração, seja para mais autonomia dos colaboradores ou para um trabalho mais produtivo do RH.

Vale-combustível é obrigatório? Saiba o que a lei diz

Não, o vale-combustível não é um benefício obrigatório previsto na legislação trabalhista brasileira. Ao contrário do vale-transporte, que é um direito garantido pela CLT para o deslocamento entre casa e trabalho por meio de transporte público, o auxílio destinado ao abastecimento de veículo próprio depende de decisão da empresa ou de previsões específicas em acordos e contratos.

Para colaboradores que utilizam carro próprio, o vale-transporte pode ser substituído por um auxílio-mobilidade, que inclui despesas com combustível, desde que essa condição seja formalizada. O vale-combustível pode ser concedido por meio de acordo coletivo, contrato individual de trabalho ou política interna da empresa, mas não existe uma lei que torne sua oferta obrigatória. 

Lembre-se de que, para garantir mais segurança jurídica e compliance trabalhista, a recomendação é formalizar a concessão do benefício por escrito.

Como o RH comunica que posto de gasolina não aceita vale-alimentação para os colaboradores?

A falta de comunicação clara sobre onde o vale-alimentação pode ser utilizado costuma gerar expectativas equivocadas e situações frustrantes no momento da compra. Quando o colaborador não sabe quais estabelecimentos aceitam o benefício ou para quais finalidades ele foi criado, aumentam as dúvidas, os chamados ao RH e os transtornos no caixa.

Para evitar esse cenário, é importante que o RH inclua orientações sobre o uso do benefício já no onboarding, explicando onde e para que o VA pode ser utilizado. Também vale criar um FAQ interno ou um comunicado de benefícios que esclareça que o vale-alimentação é destinado à compra de alimentos em supermercados e estabelecimentos do setor, não ao abastecimento de combustível. 

Além disso, informe se a empresa oferece ou não um benefício específico de mobilidade. Com expectativas alinhadas, os colaboradores utilizam melhor os benefícios e o RH reduz demandas operacionais relacionadas ao tema.

As novas regras do vale-alimentação em 2026 mudam algo para postos?

Não muda. Isso porque, o Decreto nº 12.712/2025 trouxe avanços relacionados à interoperabilidade das bandeiras de vale-alimentação e vale-refeição, ampliando a aceitação entre diferentes arranjos de pagamento. Porém, a medida não altera os tipos de estabelecimentos autorizados a receber pagamentos com saldo de vale-alimentação.

A restrição ao uso do VA em postos de gasolina continua valendo, pois está relacionada às regras do PAT e aos enquadramentos de atividade econômica utilizados pelas redes de pagamento, como MCC e CNAE. Como nenhuma dessas camadas foi modificada pelo decreto, o vale-alimentação seguirá bloqueado para abastecimento em 2026. 

Para o RH, a conclusão é simples: não houve mudança nesse aspecto, e a melhor alternativa para apoiar despesas de deslocamento continua sendo oferecer um benefício específico de mobilidade.

Vale-alimentação pode comprar gasolina? Resumo com as dúvidas mais buscadas

Posto de gasolina aceita vale-alimentação?

Não. O vale-alimentação (VA) é destinado à compra de alimentos e, por regra, não pode ser usado para pagar combustíveis.

Posso usar vale-alimentação para pagar gasolina?

Não. Gasolina não é considerada um item alimentício, portanto, o benefício não deve ser utilizado para esse fim.

Por que o VA não é aceito no posto de gasolina?

Porque o benefício foi criado para a compra de alimentos, e os estabelecimentos são categorizados conforme sua atividade principal.

Posso usar vale-refeição para abastecer?

Não. O vale-refeição é destinado ao consumo de refeições prontas e não pode ser usado para abastecimento de veículos.

A loja de conveniência do posto aceita vale-alimentação?

Pode aceitar, desde que venda alimentos e esteja habilitada pela operadora do benefício para esse tipo de compra.

O que acontece se eu usar VA no posto de gasolina? Tem multa?

Em geral, o trabalhador não recebe multa, mas o estabelecimento pode sofrer penalidades e até perder o credenciamento se permitir uso irregular.

O que é MCC e por que ele bloqueia VA em postos?

MCC (Merchant Category Code) é o código que identifica o ramo de atividade do estabelecimento. Como postos têm um código específico para combustíveis, transações com VA costumam ser bloqueadas automaticamente.

Bom, você viu que posto de gasolina não aceita vale-alimentação e sabe como responder isso quando as dúvidas chegarem. Mas não precisa parar aí: ofertar auxílio-mobilidade com um cartão multibenefícios é uma opção interessante, prática e traz mais satisfação dos funcionários.

Com o Caju Multibenefícios, você inclui a categoria de mobilidade no mesmo cartão que já oferece alimentação e refeição. Ou seja, um só cartão, uma só gestão e zero taxa!

Fale com um especialista da Caju e veja como incluir mobilidade nos benefícios!

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê.

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