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Leis trabalhistas

VA e VR podem estar no mesmo cartão? Sim. Entenda as regras do PAT

VA e VR podem estar no mesmo cartão, mas será que basta reunir os benefícios em um único lugar? Entenda as regras do PAT, os riscos de não separar os saldos e o que o RH deve avaliar para garantir praticidade e segurança jurídica.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 13 minutos

VA e VR podem estar no mesmo cartão? Sim, veja as regras

Sim. VA e VR podem estar no mesmo cartão, desde que a operação respeite a finalidade de cada benefício e as regras aplicáveis ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).

Na prática, isso significa que o RH não precisa necessariamente entregar dois cartões ao colaborador. 

Um cartão multibenefícios pode reunir diferentes categorias, desde que o sistema controle corretamente onde cada saldo pode ser utilizado e mantenha a escrituração exigida para cada modalidade.

Ou seja, tudo depende de como o fornecedor implementa a separação técnica dos saldos.

Porque, no final das contas, a legislação não está preocupada com a quantidade de cartões na carteira do seu funcionário. O ponto central é garantir que os recursos destinados à alimentação sejam usados dentro da finalidade prevista em lei.

Vamos entender melhor como funciona vale-alimentação e vale-refeição no mesmo cartão?

VA e VR podem estar no mesmo cartão: entenda as condições

VA e VR podem estar no mesmo cartão porque a legislação do PAT não determina que cada modalidade precise ter um cartão físico diferente. O que ela estabelece são regras sobre a finalidade e a operacionalização dos recursos.

A Portaria MTP/GM nº 672/2021 (art. 145, V) determina que as empresas facilitadoras devem garantir que os valores sejam destinados a refeições ou à aquisição de gêneros alimentícios, conforme a modalidade do produto, com escrituração separada.

Em outras palavras: um cartão só não significa um saldo sem controle.

O fornecedor precisa contar com mecanismos tecnológicos capazes de identificar a categoria do estabelecimento e direcionar corretamente a transação, de acordo com a modalidade contratada.

Para o RH, portanto, vale investigar mais do que o design do cartão ou a quantidade de bandeiras aceitas.

Antes de contratar uma solução, é importante verificar:

  • Se a empresa está regularmente registrada como facilitadora no PAT;
  • Se a tecnologia da empresa consegue controlar os pagamentos realizados com os benefícios.

O Ministério do Trabalho e Emprego mantém uma relação pública das empresas facilitadoras ativas inscritas no programa, que pode ser consultada pelo RH durante a análise de fornecedores.

VA e VR podem estar no mesmo cartão?

Sim. Um único cartão pode concentrar benefícios de alimentação e refeição, desde que o fornecedor garanta a separação técnica de saldo para respeitar a finalidade dos recursos.

Qual a diferença entre vale-alimentação e vale-refeição? Por que a separação importa?

VA e VR têm o mesmo grande objetivo: ajudar na alimentação do trabalhador. Mas tradicionalmente atendem a momentos diferentes da rotina.

  • Vale-alimentação (VA) é direcionado principalmente à aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos como supermercados, mercearias, açougues e hortifrutis.
  • Vale-refeição (VR) é associado ao pagamento de refeições prontas em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos similares.

Essa distinção aparece na própria regulamentação do PAT, que diferencia instrumentos destinados à aquisição de refeições daqueles usados na compra de gêneros alimentícios.

Em alguns casos, o VA e VR podem ser usados no mesmo estabelecimento, como em um supermercado que possui uma lanchonete dentro de sua área. Mas, na hora do pagamento, o sistema identificará a natureza da transação.

Veja a seguir um quadro que esclarece a diferença entre os auxílios:

CritérioVale-alimentação (VA)Vale-refeição (VR)
FinalidadeCompra de gêneros alimentíciosPagamento de refeições prontas
Onde usarSupermercados, mercearias, hortifrutis, açougues e estabelecimentos similaresRestaurantes, lanchonetes e estabelecimentos similares
ObjetivoComprar alimentos para consumo ou preparoPagar refeições preparadas
PATPode integrar programas de alimentação do trabalhador
Base regulatóriaLei nº 6.321/1976, Decreto nº 10.854/2021, Lei nº 14.442/2022, Decreto nº 12.712/2025 e normas complementares.

Também existe hoje o conceito mais amplo de auxílio-alimentação. A Lei nº 14.442/2022 estabelece que os valores pagos com essa finalidade podem ser utilizados para refeições em restaurantes ou para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais.

É justamente por isso que o RH deve observar qual produto contratou e como o fornecedor operacionaliza os créditos.

A diferença pode parecer detalhe para quem apenas passa o cartão na maquininha. 

Para quem administra benefícios de dezenas, centenas ou milhares de pessoas, porém, esse detalhe acerca de vale-alimentação e vale-refeição no mesmo cartão faz parte da conformidade da operação.

O PAT e as regras sobre cartão único com VA e VR

O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) foi criado pela Lei nº 6.321/1976 e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 10.854/2021, além de normas complementares como a Portaria MTP/GM nº 672/2021.

Desde então, a regulamentação continuou evoluindo.

A Lei nº 14.442/2022 reforçou que os recursos de auxílio-alimentação devem ser utilizados para refeições ou compra de gêneros alimentícios. 

Mais recentemente, o Decreto nº 12.712/2025 alterou o Decreto nº 10.854/2021 e trouxe novas regras para a operação dos benefícios.

Em 2026, o próprio Ministério do Trabalho e Emprego esclareceu que as disposições do Decreto nº 12.712/2025 sobre auxílio-alimentação e auxílio-refeição alcançam empresas que concedem esses benefícios, estejam elas inscritas ou não no PAT.

Entre os princípios que permanecem, está a destinação dos recursos à alimentação.

A Portaria nº 672/2021 também determina que facilitadoras garantam a utilização dos valores conforme a modalidade do produto e mantenham sua escrituração separada.

Por isso, quando nos perguntamos “como separar VA e VR no mesmo cartão”, estamos falando principalmente dos controles que impedem que diferentes modalidades contratadas sejam tratadas como dinheiro de uso irrestrito.

O cartão físico pode ser um só, porque, sim, VA e VR podem estar no mesmo cartão. 

Por trás dele, porém, deve existir tecnologia suficiente para aplicar corretamente as regras daquele benefício. É a chamada segregação de saldos, um requisito técnico para fornecedores. E a ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Beneficios ao Trabalhador) acompanha o cumprimento dessas regras, certo?

Esse cuidado faz parte de uma discussão mais ampla sobre segurança jurídica no RH: simplificar a experiência sem deixar a conformidade pelo caminho.

O que acontece se VA e VR forem misturados sem separação?

A mistura de vale-alimentação e vale-refeição no mesmo cartão, sem os controles adequados, pode gerar problemas de conformidade, porque os recursos precisam respeitar a finalidade prevista para cada modalidade e as regras aplicáveis ao benefício.

Como vimos, é permitido ter VA e VR no mesmo cartão e isso, por si só, não representa qualquer irregularidade. O problema aparece quando o fornecedor não consegue controlar corretamente onde e como cada saldo é utilizado.

As principais consequências podem ser divididas em quatro categorias:

  • Risco de governança: quando o fornecedor não oferece rastreabilidade e controles claros, fica mais difícil para a empresa demonstrar como os benefícios estão sendo administrados em auditorias ou verificações internas;
  • Risco fiscal: empresas inscritas no PAT podem ter benefícios fiscais relacionados ao programa. Em casos de execução inadequada ou desvirtuamento de finalidade, pode haver impacto sobre esses incentivos, conforme a natureza da infração;
  • Risco operacional: sem controles adequados, o colaborador pode tentar utilizar um saldo em uma situação incompatível com a modalidade contratada. Isso pode gerar transações recusadas, dúvidas no uso do benefício e mais chamados para o RH;
  • Risco jurídico e regulatório: o uso inadequado dos recursos pode caracterizar descumprimento das regras do PAT ou de outras normas aplicáveis ao auxílio-alimentação. Dependendo da irregularidade do cartão multibenefícios, a segurança jurídica é colocada em risco e isso pode resultar em sanções administrativas e questionamentos em fiscalizações.

Por isso, o RH deve olhar além da praticidade de reunir vale-alimentação e vale-refeição no mesmo cartão. É importante entender quais controles existem por trás da operação e como o fornecedor acompanha as exigências regulatórias.

Como o RH deve escolher o fornecedor de vale-alimentação e vale-refeição?

Escolher um fornecedor de benefícios é uma decisão que mistura experiência do colaborador, praticidade para o RH, tecnologia e, claro, conformidade.

Para não descobrir uma dor de cabeça só depois que o contrato estiver assinado, vale seguir um checklist:

  1. Verificar o registro da facilitadora no PAT: consulte se a empresa está regularmente registrada nos canais oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego. O governo mantém uma relação das facilitadoras ativas.
  2. Confirmar como os diferentes saldos são controlados: pergunte como o sistema identifica os estabelecimentos e aplica as regras de utilização das modalidades contratadas.
  3. Checar as responsabilidades previstas no contrato: o documento deve deixar claras as obrigações do fornecedor e da empresa na operação dos benefícios.
  4. Avaliar a atualização regulatória do fornecedor: regras de benefícios mudam. O Decreto nº 12.712/2025, por exemplo, introduziu mudanças relevantes para arranjos de pagamento, interoperabilidade, taxas e prazos.
  5. Entender os controles disponíveis ao RH: dashboards, registros e informações da operação ajudam na governança e facilitam verificações internas.

Vale lembrar que o PAT está passando por atualização cadastral em 2026. A Portaria MTE nº 1.599/2026 estabeleceu o recadastramento no novo sistema para empresas beneficiárias, fornecedoras, facilitadoras e nutricionistas registrados no programa.

Ou seja, conferir dados atualizados diretamente nas fontes oficiais é sempre uma boa prática.

Para ter os principais pontos de conformidade de benefícios sempre à mão, acesse o One Page sobre Segurança Jurídica da Caju, uma página com os pontos críticos que o RH não pode ignorar.

Como funciona a separação de VA e VR no cartão Caju?

Na Caju, diferentes benefícios podem ficar disponíveis em um único cartão, enquanto a tecnologia identifica a categoria compatível com a compra.

No que diz respeito à alimentação, a plataforma permite trabalhar com três diferentes categorias:

  • Alimentação: é o saldo destinado às compras alimentícias em mercados, sacolões e grandes atacadistas;
  • Refeição: é a categoria específica do vale-refeição para o colaborador comer fora ou pedir um delivery, por exemplo;
  • Auxílio-alimentação: une Alimentação + Refeição. É ideal para as compras de alimentos, do restaurante ao supermercado.

No aplicativo, o colaborador consegue consultar os valores disponíveis em cada categoria. Na hora do pagamento, o sistema da Caju considera o tipo de estabelecimento para identificar o saldo adequado àquela compra.

Assim, quem recebe saldo de Refeição pode utilizá-lo em estabelecimentos compatíveis, enquanto a categoria Alimentação atende compras em supermercados, açougues, hortifrutis, atacadistas e outros estabelecimentos dessa natureza.

Na categoria Auxílio-Alimentação, as possibilidades de uso estão relacionadas tanto à compra de alimentos quanto ao pagamento de refeições, dentro da finalidade alimentar prevista em lei.

Isso é importante porque VA e VR podem estar no mesmo cartão, mas isso não significa ter um saldo livre para qualquer tipo de gasto.

A legislação determina que os recursos destinados à alimentação sejam utilizados para refeições ou para aquisição de gêneros alimentícios. E as regras mais recentes reforçam que esses valores não devem financiar produtos e serviços alheios à finalidade alimentar.

Para o colaborador, a experiência fica simples. Para o RH, existe uma estrutura tecnológica por trás da simplicidade.

E convenhamos: quando o assunto é benefício corporativo, quanto menos a pessoa precisar carregar cartões diferentes ou tentar lembrar “qual deles era o do almoço?”, melhor.

Quer reunir cartão multibenefícios e segurança jurídica? Conheça a Caju!

Conclusão

VA e VR podem estar no mesmo cartão, sim. O fato de diferentes benefícios estarem reunidos em um único meio de pagamento não contraria, por si só, as regras do PAT.

O que realmente importa é a forma como os recursos são administrados. O fornecedor precisa respeitar a finalidade da alimentação, as modalidades contratadas e os controles determinados pela regulamentação vigente.

Para o RH, isso muda a pergunta.

Em vez de perguntar apenas “é possível ter um cartão multibenefícios com VA e VR??”, vale questionar: como o fornecedor garante que essa operação continue em conformidade?

É aí que tecnologia e segurança jurídica precisam caminhar juntas.

Um cartão multibenefícios pode simplificar a rotina dos colaboradores e reduzir a complexidade operacional do RH, mas essa conveniência deve vir acompanhada de processos, controles e atualização regulatória.

Quer aprofundar esse cuidado em outros benefícios? Consulte nosso Guia Caju de Segurança Jurídica.

FAQ — Perguntas frequentes

VA e VR podem estar no mesmo cartão?

Sim. É permitido ter VA e VR no mesmo cartão, desde que a operação respeite a finalidade dos benefícios e as regras aplicáveis a cada modalidade. Quando VA e VR são oferecidos como categorias distintas, o fornecedor deve manter os controles necessários para direcionar os recursos conforme a modalidade contratada. A legislação não exige, por si só, dois cartões físicos separados.

Qual a diferença entre vale-alimentação e vale-refeição?

O vale-alimentação é tradicionalmente destinado à compra de gêneros alimentícios em supermercados, açougues e hortifrutis, enquanto o vale-refeição é voltado ao pagamento de refeições prontas em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos semelhantes. A diferença é legal e relevante para o PAT: cada modalidade só pode ser usada no tipo correto de estabelecimento para que a empresa mantenha os incentivos fiscais do programa.

O que acontece se VA e VR forem usados no lugar errado?

Se o fornecedor não implementar a segregação técnica de saldos, o colaborador pode usar VA em restaurante ou VR em supermercado, o que configura uma violação das regras do PAT. Para a empresa, isso pode resultar em perda dos incentivos fiscais do programa e autuação pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Por isso, a escolha de um fornecedor certificado e com segregação de saldos é fundamental.

Como verificar se o fornecedor de benefícios está conforme o PAT?

O RH pode consultar se a empresa está registrada como facilitadora no PAT por meio dos canais oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego. Também é recomendável verificar como o fornecedor controla a utilização dos benefícios (segregação técnica), quais responsabilidades constam no contrato e como acompanha atualizações da regulamentação. 

Quais são as novas regras do PAT que afetam VA e VR?

As regras atuais envolvem diferentes normas, como o Decreto nº 10.854/2021, a Portaria MTE 3.696/2022 e o Decreto nº 12.712/2025. Dentre outros pontos, elas reforçam a exigência de segregação de saldos para fornecedores de benefícios alimentares. As principais mudanças incluem a proibição de desconto de taxas sobre os saldos dos trabalhadores e o fortalecimento dos critérios de certificação dos fornecedores.

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista e publicitária e encontrei na criação de conteúdo um jeito que gosto muito de trabalhar: transformar assuntos complexos em materiais simples, úteis e que façam sentido para quem está do outro lado. São 8 anos nessa jornada, passando por empresas como BTG Pactual e Nubank, até chegar à Caju, em 2024. Por aqui, escrevo artigos, guias, e-books e outros conteúdos que combinam dados, estratégia e criatividade para falar sobre gestão de pessoas, benefícios e os desafios do dia a dia de RH e financeiro. No fim, meu objetivo é simples: criar conteúdos relevantes, fáceis de entender e que realmente ajudem quem lê.

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