Ir para o post
Quarta onda do RH: o que é, como surgiu e o que muda na gestão de pessoas
Por Cecilia Alberigi em
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as principais novidades que o profissional de RH precisa saber para se destacar no mercado.
O cartão multibenefícios pode ajudar a reduzir o turnover ao aumentar a autonomia e a percepção de valor dos benefícios. Entenda o que dizem os dados e como fortalecer a retenção de talentos.
Sim, o cartão multibenefícios pode contribuir para reduzir o turnover ao tornar o pacote de benefícios mais flexível, relevante e conectado às necessidades dos colaboradores.
Mas não existe uma relação automática, ok? A retenção de talentos depende também de liderança, remuneração, carreira, cultura e experiência de trabalho.
O Panorama do RH 2026, da Caju, ajuda a entender essa transformação no Brasil. O estudo analisou dados reais de 59 mil empresas e mais de 127 milhões de transações realizadas em 2025.
Os números revelam empresas caminhando de benefícios fixos para modelos orientados à autonomia.
Algumas pesquisas internacionais mostram que benefícios relevantes e possibilidade de escolha pesam nas decisões de permanecer ou procurar outro emprego, como veremos adiante.
Ou seja, quando perguntamos se cartão multibenefícios reduz turnover, a resposta mais precisa é: ele pode fortalecer fatores diretamente relacionados à retenção, principalmente quando faz parte de uma estratégia de pessoas bem estruturada.
Entenda melhor essa relação entre multibenefícios e retenção de talentos a seguir.
Os dados mostram que um cartão multibenefícios reduz o turnover de forma indireta.
Benefícios relevantes e flexíveis possibilitam a escolha pelo profissional e, assim, são percebidos como adequados às necessidades individuais, sendo associados à maior intenção de permanência.
A Global Benefits Attitudes Survey 2024, da WTW, traz um dos sinais mais claros dessa relação. Na análise global, colaboradores com maior possibilidade de escolha mostraram uma percepção significativamente melhor sobre o pacote recebido.
Na América Latina, 73% dos profissionais com alto nível de escolha disseram que os benefícios atendiam às suas necessidades, contra 40% entre aqueles sem possibilidade de escolha.
Ou seja, quando falamos em multibenefícios, dados e pesquisas corroboram sua relação positiva com a retenção de talentos.
Uma recente pesquisa da SHRM (2025 Employee Benefits Survey) reforça esse ponto ao mostrar que benefícios continuam sendo considerados pelas empresas como instrumentos relevantes de atração e retenção. Em 2025, 88% dos empregadores classificaram os benefícios de saúde como muito ou extremamente importantes.
Estudos da Gallup também demonstraram que a remuneração e os benefícios são fatores críticos para a retenção de funcionários e representam 30% das ações que poderiam ter sido tomadas para evitar saídas.
Esses estudos não provam exatamente que um cartão multibenefícios reduz o turnover de forma isolada. O que eles mostram é uma sequência coerente:
Maior autonomia → maior aderência às necessidades → maior percepção de valor → maior peso dos benefícios na decisão de permanecer.
É justamente nessa cadeia que o multibenefícios entra.
No Brasil, o Panorama do RH 2026, da Caju, adiciona uma peça importante: ele mostra que essa busca por flexibilidade não é apenas uma tendência teórica.
O estudo analisou dados proprietários de 59 mil empresas e mais de 127 milhões de transações realizadas em 2025, oferecendo um retrato do comportamento real no mercado brasileiro.
Entre as empresas analisadas, 28,6% já ofereciam a categoria de multibenefícios no Brasil. O próprio relatório interpreta esse movimento como uma busca por modelos mais flexíveis, nos quais o colaborador pode decidir como alocar parte do benefício.
O próprio estudo associa a categoria Multi a três efeitos principais:
Novamente, a conclusão mais defensável, portanto, não é que “o cartão multibenefícios reduz turnover automaticamente”.
É que o multibenefícios fortalece dois elementos associados à retenção: relevância e percepção de valor do pacote de benefícios.
Quanto mais o benefício consegue acompanhar diferentes perfis, rotinas e prioridades, maior a chance de ele ser percebido como parte relevante da proposta de valor da empresa, e não apenas como mais um item na folha.
Quer conhecer os dados brasileiros por trás dessa transformação? O Panorama do RH 2026 reúne os principais indicadores levantados pela Caju sobre benefícios, pessoas, reconhecimento e despesas corporativas.
Dizer que há relação entre benefícios e retenção é uma coisa. Entender por que benefícios reduzem a rotatividade e previnem o quiet quitting em determinados contextos é outra.
No caso dos multibenefícios, três mecanismos ajudam a explicar essa relação:
A Gallup estima que substituir um profissional da linha de frente custa aproximadamente 40% do salário anual. Para funções técnicas, a estimativa chega a 80%. Para líderes e gestores, pode atingir cerca de 200%.
Esses custos não aparecem apenas na vaga aberta.
Eles incluem recrutamento, seleção, tempo das lideranças envolvidas nas entrevistas, admissão, onboarding e treinamento.
Há ainda perdas menos óbvias.
Enquanto a vaga está aberta, alguém absorve o trabalho. Quando uma pessoa experiente sai, leva consigo conhecimento sobre processos, clientes e projetos. Depois da contratação, o substituto precisa de tempo para alcançar produtividade semelhante.

É por isso que, para discutir o ROI de benefícios corporativos com o CFO, o RH precisa olhar além do valor investido no cartão. A outra metade da equação é exatamente este custo do turnover para a empresa.
Em vez de justificar o cartão multibenefícios apenas dizendo que “as pessoas gostam”, o RH pode relacionar investimento a indicadores de retenção, custo de substituição, satisfação e competitividade da proposta de valor.
A Calculadora de Benefícios da Caju pode ser usada nesse diagnóstico para colocar a conversa em números e avaliar o cenário da própria organização.
Não existe uma regra dizendo que todo cartão multibenefícios aumenta engajamento e gera maior retenção do que qualquer pacote tradicional.
O que as evidências sustentam é que flexibilidade e escolha podem aumentar a adequação percebida dos benefícios às necessidades individuais.
| Critério | Benefícios tradicionais | Cartão multibenefícios |
| Personalização | Menor quando o pacote é igual para todos | Maior possibilidade de atender perfis diferentes |
| Autonomia | Utilização mais condicionada à estrutura previamente definida | Maior liberdade dentro da política estabelecida pela empresa |
| Percepção de valor | Depende da aderência de cada benefício à rotina | Pode aumentar quando as opções têm utilidade individual |
| Gestão pelo RH | Pode envolver diferentes processos e fornecedores | Pode centralizar categorias em uma mesma plataforma |
| Experiência | Mais padronizada | Mais adaptável à diversidade do time |
| Retenção | Pode contribuir quando atende às necessidades | Pode fortalecer a retenção por escolha e maior valor percebido |
Um pacote tradicional muito bem desenhado continua podendo ser extremamente competitivo. Por outro lado, oferecer inúmeras categorias sem entender o que o time realmente valoriza não garante a relação positiva entre a política de benefícios e a retenção.
Flexibilidade funciona melhor quando vem acompanhada de estratégia.
Vamos ver a seguir como reduzir turnover com benefícios flexíveis.
O cartão multibenefícios reduz o turnover junto com uma política de benefícios estratégica e com outros fatores que já citamos, como boa remuneração e desenvolvimento de carreira.
E para transformar a ferramenta em algo mensurável, o RH pode seguir cinco movimentos:
Esse último cuidado é especialmente importante.
Se determinada categoria é pouco utilizada, o RH pode investigar sua relevância para o conjunto da população. Isso é diferente de transformar comportamento individual de consumo em previsão de desligamento.
Dados funcionam melhor quando combinados. Turnover, permanência média, pesquisas de clima, eNPS, entrevistas de saída, adesão aos benefícios e feedback qualitativo ajudam a construir uma visão mais completa.
Essa lógica também se conecta à liderança e gestão de pessoas: benefícios não precisam viver em uma caixinha separada do restante da experiência do colaborador.
Para aprofundar essa construção, o Curso de Gestão Estratégica de Multibenefícios ajuda o RH a transformar o benefício em parte de uma política de pessoas mais consistente.
Existe uma relação clara entre uma boa política de benefícios e a retenção. Um bom pacote pode pesar na decisão de ficar. Mas tenha em mente que ele não consegue compensar indefinidamente problemas estruturais.
Muitas pesquisas mostram evidências claras disso, como a pesquisa da SHRM.
Já sabemos que os benefícios corporativos reduzem turnover: na pesquisa, 68,1% destacaram plano de saúde e 59,9%, aposentadoria como elementos relevantes para retenção.
Mas ela também trouxe fatores mais fortes associados à permanência:
Por outro lado, o estudo também pontuou motivos que levam o empregado a deixar o emprego:
O recado para o RH é simples: cartão multibenefícios reduz turnover e tem impacto na retenção, mas não conserta sozinho uma experiência ruim de trabalho.
Agora você já sabe que o cartão multibenefícios reduz turnover considerando que ele pode contribuir para a retenção ao aumentar autonomia, personalização e percepção de valor.
O Panorama do RH 2026 dá contexto brasileiro a essa transformação: o uso da categoria Multi da Caju mostra uma política de benefícios caminhando em direção à autonomia e a comportamentos de consumo mais diversos.
Mas o mecanismo vai além do dinheiro.
Quando benefícios fazem sentido para diferentes pessoas, a proposta de valor da empresa ganha força. E quando o profissional compara permanecer ou aceitar outra oportunidade, aquilo que recebe hoje também entra na conta.
Para o RH, o caminho mais consistente é usar o cartão multibenefícios como parte de uma estratégia integrada de retenção, junto de liderança, cultura, reconhecimento, desenvolvimento e remuneração competitiva.
Afinal, o cartão pode ajudar bastante. Só seria um pouco injusto pedir que ele resolva sozinho todos os problemas do trabalho.
Para ver como o mercado brasileiro avalia benefícios, retenção e os desafios de RH em 2026, acesse o Panorama do RH 2026.
As evidências indicam uma associação positiva entre multibenefícios e retenção de talentos. Colaboradores que avaliam positivamente seu pacote de benefícios têm menor intenção de saída e maior senso de pertencimento. O impacto é maior quando o benefício é percebido como personalizado e relevante para o perfil de cada colaborador, e menor quando é oferecido de forma genérica e sem comunicação clara do valor.
Benefícios fazem parte da proposta de valor ao colaborador e podem influenciar a decisão de permanecer quando são úteis, competitivos e coerentes com as necessidades das pessoas.
O custo varia conforme cargo e senioridade. A Gallup estima cerca de 40% do salário anual para substituir profissionais da linha de frente, 80% para funções técnicas e aproximadamente 200% para gestores e líderes.
Esse valor inclui custos diretos (recrutamento, seleção, onboarding) e indiretos (queda de produtividade, impacto no time, perda de conhecimento institucional). Para calcular o custo específico da sua empresa, use a Calculadora de Benefícios da Caju.
Em geral, sim. Um cartão multibenefícios aumenta o engajamento e a percepção de valor do pacote ao permitir que o colaborador aloque o valor conforme suas próprias prioridades. Um colaborador solteiro sem filhos não valoriza o mesmo benefício que um colaborador com crianças pequenas. A personalização aumenta a satisfação e, consequentemente, a intenção de permanência.
A melhor abordagem é relacionar investimento, indicadores de retenção e custos potencialmente evitados, sem prometer que todo ganho será causado pelo pacote. O cálculo do ROI de benefícios corporativos pode ajudar nisso.
O RH pode calcular o turnover atual, estimar o custo médio das substituições e acompanhar satisfação, adesão e rotatividade antes e depois de mudanças na política. Use a Calculadora de Benefícios para montar esse argumento com dados.
O ROI de benefícios corporativos pode ser estimado comparando o custo da política com a evolução dos indicadores de pessoas e com os custos de turnover potencialmente evitados. Uma análise robusta deve acompanhar investimento anual, turnover voluntário, custo médio de substituição, satisfação com benefícios e evolução desses indicadores após mudanças na política.
Não isoladamente. Quando se fala em multibenefícios, dados e pesquisas mostram que os principais fatores de retenção são liderança, oportunidade de crescimento, cultura organizacional e remuneração total. Os benefícios aparecem como componente importante do último fator.
Preencha o formulário de interesse abaixo.
Entraremos em contato com as melhores soluções para sua empresa.
Jornalista e publicitária, atua há 8 anos com criação de conteúdo, com passagens por empresas como BTG Pactual e Nubank. Desde 2024, faz parte da Caju, onde produz artigos, guias, e-books e outros materiais sobre gestão de pessoas, benefícios e os desafios das áreas de RH e financeiro, unindo dados, estratégia e criatividade para transformar temas complexos em conteúdos simples, relevantes e úteis.
Ver todos os posts dessa autoria
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as principais novidades que o profissional de RH precisa saber para se destacar no mercado.