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Descubra como acompanhar os riscos ocupacionais de forma contínua, atender às exigências da NR-1 e fortalecer a proteção à saúde dos colaboradores com um guia prático para o RH.
Monitorar riscos ocupacionais é uma prática essencial para empresas que querem proteger colaboradores, reduzir afastamentos e manter a gestão de saúde e segurança do trabalho em conformidade com a NR-1.
Em 2024, o Brasil registrou mais de 744 mil ocorrências de acidentes de trabalho com CAT registrada, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
O número reforça um assunto de fundamental importância para o RH: o gerenciamento de riscos não pode acontecer apenas depois de um acidente, afastamento ou fiscalização.
Com a NR-1 atualizada, esse cuidado ficou ainda mais relevante. Desde maio de 2026, as empresas estão sujeitas à fiscalização ativa sobre como lidam com a questão, incluindo riscos psicossociais, como estresse, assédio, sobrecarga e burnout.
Neste guia, você vai entender como monitorar riscos no trabalho de forma contínua, documentada e prática, conectando RH, lideranças, CIPA, SESMT, indicadores e plano de ação para prevenir problemas antes que eles cresçam.
Monitorar riscos ocupacionais significa acompanhar, de forma contínua, os fatores que podem causar acidentes, adoecimentos ou impactos à saúde dos trabalhadores.
Esse processo envolve um ciclo permanente: identificar, avaliar, controlar e revisar. Na prática, isso é diferente de fazer uma análise isolada apenas quando há fiscalização, acidente ou afastamento.
Este monitoramento precisa fazer parte da rotina da empresa, com registros, responsáveis, indicadores e revisão periódica.
Os riscos podem ser de diferentes tipos:
Ou seja: monitorar riscos no trabalho é olhar para tudo que pode afetar a segurança, a saúde física e a saúde mental dos colaboradores.
O monitoramento contínuo é exigência da NR-1 porque o gerenciamento de riscos ocupacionais não termina na identificação dos perigos.
A empresa precisa acompanhar os riscos ao longo do tempo, registrar medidas de controle, revisar o plano de ação e comprovar que está atuando para prevenir acidentes, adoecimentos e exposições indevidas.
Na prática, a NR-1 organiza esse processo dentro do chamado Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Ele orienta a empresa a identificar, avaliar, controlar e revisar riscos presentes no ambiente de trabalho.
Esse gerenciamento se materializa no PGR, o Programa de Gerenciamento de Riscos, que reúne dois elementos centrais:
Com a atualização da NR-1 em 2026, os riscos psicossociais também passaram a exigir atenção neste monitoramento. Isso inclui fatores como estresse crônico, sobrecarga, assédio, conflitos, baixa autonomia e burnout.
Por isso, falar de saúde ocupacional hoje também significa estruturar uma gestão documentada, contínua e integrada entre RH, SST, lideranças, CIPA e SESMT.
Leia também: Ferramentas para NR-1: como sair do diagnóstico e implementar na prática
Para fazer o monitoramento de riscos ocupacionais pela NR-1, a empresa precisa transformar o gerenciamento em um processo contínuo: mapear perigos, avaliar riscos, registrar informações, criar planos de ação e revisar os resultados periodicamente.
Na prática, isso significa sair da lógica de “documento feito para cumprir norma” e criar uma rotina de acompanhamento que ajude RH, SST, CIPA, SESMT e lideranças a tomar decisões com base em dados.
O item “1.5 Gerenciamento de riscos ocupacionais” da NR-1 entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e traz todos os pontos que a empresa precisa saber para estruturar o monitoramento de riscos ocupacionais.
A seguir, fizemos um passo a passo compreensivo para tornar a norma mais clara e aplicável.
O primeiro passo para monitorar riscos ocupacionais é mapear os perigos existentes em cada área da empresa.
Esse levantamento deve considerar o ambiente físico, as atividades realizadas, os processos de trabalho e os fatores que podem afetar a saúde física ou mental dos colaboradores.
E como identificar riscos no ambiente de trabalho? Para fazer um mapa de riscos ocupacionais, você pode utilizar:
O resultado dessa etapa deve ser uma lista de perigos por área, função ou atividade. Essa lista é a base para o restante do processo, porque ajuda a empresa a entender onde estão os riscos e quais grupos de trabalhadores podem estar expostos.
No caso dos riscos psicossociais, o mapeamento também deve observar fatores como sobrecarga, conflitos, baixa autonomia, assédio, pressão excessiva, comunicação insegura e sinais de esgotamento.
Depois de identificar os perigos, a empresa precisa avaliar e classificar os riscos. Isso significa analisar a chance de aquele risco acontecer e o impacto que ele pode causar caso se concretize.
Uma forma comum de fazer essa análise é usar uma matriz de risco, que cruza dois critérios: probabilidade (a chance de o risco ocorrer) e severidade (a gravidade do impacto para o trabalhador e para a empresa)
A partir dessa avaliação, os riscos podem ser classificados em níveis como:
Essa classificação ajuda a empresa a priorizar esforços. Nem todo risco tem o mesmo peso, e tentar resolver tudo ao mesmo tempo pode tornar o gerenciamento pouco eficiente.
Nesta etapa, também é importante definir os GES, ou Grupos de Exposição Similar. Eles reúnem trabalhadores que estão expostos a riscos semelhantes, por exercerem atividades parecidas ou atuarem nas mesmas condições.
Isso facilita a avaliação, o controle e o acompanhamento dos riscos de forma mais organizada.
O inventário de riscos ocupacionais é a base do PGR, o Programa de Gerenciamento de Riscos. Ele deve reunir, de forma documentada, as informações levantadas nas etapas anteriores.
Em resumo, ele funciona como um retrato organizado dos riscos existentes na empresa.
De acordo com a NR-1, o inventário de riscos deve consolidar informações essenciais para monitorar riscos no trabalho. Na prática, ele deve indicar:
Esse documento é importante porque organiza as evidências da empresa. Em uma fiscalização ou auditoria, não basta dizer que os riscos são acompanhados. É preciso demonstrar como foram identificados, avaliados e tratados.
No caso dos riscos psicossociais, o inventário deve ser construído com cuidado para não expor informações individuais sensíveis. O ideal é trabalhar com dados consolidados por área, função, grupo ou tendência, respeitando a confidencialidade dos colaboradores.
Após elaborar o inventário, a empresa precisa transformar o diagnóstico em ação. É aqui que entra o plano de ação do PGR, exigido pela NR-1 como parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
O plano de ação deve indicar o que será feito para eliminar, reduzir ou controlar os riscos identificados. Para funcionar bem, ele precisa ser objetivo, rastreável e fácil de acompanhar.
Uma boa estrutura inclui:
Por exemplo: se uma área apresenta alto índice de sobrecarga e afastamentos, o plano pode prever revisão da distribuição de demandas, treinamento de liderança, criação de canal de escuta e acompanhamento mensal de absenteísmo e clima.
O ponto central é evitar planos genéricos.
“Melhorar o ambiente” pode ser uma intenção, mas não é uma ação mensurável.
Já “realizar pesquisa de clima trimestral por área e criar plano de resposta para setores com maior índice de sobrecarga” é mais claro, verificável e útil para a gestão.
Monitorar riscos ocupacionais exige acompanhamento contínuo e revisão periódica do PGR. O processo não termina quando o inventário é preenchido ou quando o plano de ação é criado.
A empresa precisa definir uma cadência para revisar riscos, atualizar informações e verificar se as medidas adotadas estão funcionando.
Essa revisão pode acontecer em ciclos trimestrais, semestrais ou anuais, dependendo da complexidade da operação e do nível de risco de cada atividade.
Além disso, o PGR deve ser revisado sempre que houver mudanças relevantes, como:
Como veremos melhor a seguir, alguns indicadores ajudam a acompanhar esse processo, como absenteísmo, afastamentos, CATs emitidas, turnover, pesquisas de clima, relatos de sobrecarga e outros.
Ferramentas digitais também podem ajudar a monitorar riscos no trabalho e fazer revisões, especialmente quando oferecem dashboards, alertas, histórico de ações, registros centralizados e relatórios de acompanhamento.
No fim, o monitoramento contínuo permite que a empresa aja antes que o problema se agrave.
Em vez de reagir a acidentes, afastamentos ou fiscalizações, ela sabe como identificar riscos no ambiente de trabalho e gerenciá-los com método, evidências e previsibilidade.

Os indicadores de monitoramento de riscos ocupacionais ajudam a transformar percepções em dados rastreáveis. Eles mostram onde há maior exposição, quais áreas exigem atenção e se as medidas de controle estão realmente funcionando.
O ideal é combinar indicadores quantitativos, que mostram volume e frequência, com indicadores qualitativos, que ajudam a entender percepções, comportamentos e sinais de alerta que nem sempre aparecem nos números.
| Indicador | Tipo | O que mostra | Como usar no monitoramento |
| Taxa de afastamento | Quantitativo | Volume de colaboradores afastados por motivo de saúde ou acidente de trabalho. | Ajuda a identificar áreas, funções ou períodos com maior incidência de adoecimento. |
| Absenteísmo | Quantitativo | Frequência de faltas, atrasos ou ausências não planejadas. | Pode indicar sobrecarga, problemas de clima, riscos ergonômicos ou questões de saúde mental. |
| CATs emitidas | Quantitativo | Quantidade de Comunicações de Acidente de Trabalho registradas. | Permite acompanhar acidentes, doenças ocupacionais e recorrência de eventos por área. |
| Incidentes e quase acidentes | Quantitativo | Situações que poderiam ter causado dano, mesmo sem afastamento. | Ajuda na prevenção antes que o risco se transforme em acidente real. |
| Turnover por área | Quantitativo | Rotatividade de colaboradores em setores específicos. | Pode sinalizar problemas de liderança, clima, carga de trabalho ou organização da rotina. |
| NPS interno ou eNPS | Qualitativo | Percepção dos colaboradores sobre a empresa como lugar para trabalhar. | Ajuda a acompanhar engajamento, confiança e satisfação geral com o ambiente. |
| Percepção de sobrecarga | Qualitativo | Como os colaboradores avaliam volume de trabalho, pressão e equilíbrio da rotina. | É um indicador importante para monitorar riscos psicossociais, como estresse e burnout. |
| Pesquisas de clima | Qualitativo | Qualidade das relações, comunicação, liderança e segurança psicológica. | Ajuda a mapear fatores organizacionais que podem gerar desgaste ou adoecimento. |
| Feedbacks de liderança | Qualitativo | Sinais observados pelos gestores sobre desempenho, comportamento e bem-estar dos times. | Permite identificar mudanças de comportamento, conflitos, queda de energia ou riscos emergentes. |
| Adesão a programas de saúde e bem-estar | Quantitativo e qualitativo | Uso de benefícios, canais de apoio, ações preventivas e iniciativas de cuidado. | Mostra se as soluções oferecidas estão chegando às pessoas e fazendo sentido para a rotina. |
Esses indicadores não devem ser analisados de forma isolada.
Um aumento no absenteísmo, por exemplo, pode ter relação com clima, liderança, ergonomia, sobrecarga ou baixa adesão a benefícios.
Por isso, o mais importante é cruzar informações e observar tendências.
Na prática, monitorar riscos no trabalho exige olhar para números, escuta e contexto.
É essa combinação que permite ao RH, à CIPA, ao SESMT e às lideranças priorizar ações, atualizar o inventário de riscos e ajustar o plano de ação com mais segurança.
O papel do RH no monitoramento de riscos ocupacionais é conectar dados, pessoas e áreas responsáveis pela prevenção.
A área não substitui CIPA, SESMT ou especialistas de SST, mas funciona como ponte entre liderança, colaboradores e gestão.
O RH pode atuar de forma estratégica na saúde ocupacional ao:
As lideranças diretas também têm papel estratégico.
Como estão próximas da rotina dos times, conseguem identificar mudanças de comportamento, conflitos, sobrecarga e queda de engajamento antes que esses sinais virem afastamentos ou incidentes.
E um ponto chama especial atenção de todos os profissionais envolvidos no monitoramento: os riscos psicossociais da NR-1 de 2026.
Os riscos psicossociais merecem atenção especial porque passaram a ter peso formal no gerenciamento de riscos ocupacionais previsto na NR-1.
Isso significa que fatores como estresse crônico, sobrecarga, assédio, conflitos e burnout precisam ser identificados, avaliados, registrados e acompanhados no GRO.
Com a norma em vigor a partir de 26 de maio de 2026, esses riscos deixam de ser tratados como percepções subjetivas e passam a exigir evidências, plano de ação e revisão periódica no PGR.
Além do impacto humano, há efeito financeiro.
Segundo levantamento da Predictus citado pela Você RH, as ações trabalhistas envolvendo burnout cresceram cerca de 424% em dez anos: foram 943 processos em 2016 e 4.940 em 2025, com pico de 5.999 ações em 2024.
No total, o estudo identificou 22.815 trabalhadores envolvidos e R$ 9,94 bilhões em valores de causa. Cabe destacar que, neste período, a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu oficialmente o burnout como doença ocupacional na CID-11.
Isso reflete que a ausência de mapeamento documentado de riscos psicossociais pode pesar contra empresas em futuras ações envolvendo adoecimento mental e esgotamento profissional.
Além disso, quando houver nexo com o trabalho, afastamentos por doenças mentais superiores a 15 dias podem gerar benefício acidentário e impactar custos, estabilidade e FAP, calculado com base no histórico de acidentalidade e registros acidentários da Previdência.
Nesse contexto, soluções de saúde e bem-estar também podem apoiar a empresa na construção de uma rotina mais preventiva.
Com a solução de Saúde e Bem-estar da Caju, o RH consegue ampliar o acesso dos colaboradores a iniciativas voltadas à saúde física, emocional e qualidade de vida, conectando benefícios, parceiros e experiências em uma gestão mais simples.
A proposta não substitui o GRO, o PGR ou o trabalho técnico de SST, mas ajuda a fortalecer a estratégia de cuidado contínuo e a tornar o suporte aos colaboradores mais acessível no dia a dia.
Ainda tem dúvidas sobre o assunto? Acesse o HUB de NR-1 da Caju e veja como implementar o GRO com riscos psicossociais.
Monitorar riscos ocupacionais não é um projeto com começo, meio e fim definidos. É um processo contínuo, que exige método, indicadores, registros atualizados e revisão periódica para acompanhar as mudanças na empresa e agir antes que os problemas cresçam.
A NR-1 atualizada formaliza algo que empresas bem geridas já vinham entendendo: cuidar da saúde dos colaboradores não é apenas uma obrigação de compliance.
É uma estratégia para reduzir afastamentos, melhorar a gestão de riscos, proteger a operação e fortalecer a qualidade de vida no trabalho.
Quando RH, CIPA, SESMT e lideranças atuam juntos, o monitoramento deixa de ser apenas um documento técnico e passa a orientar decisões reais.
Pronto para estruturar o monitoramento de riscos na sua empresa? Comece pelo diagnóstico. Baixe o Checklist de Gestão de Riscos Psicossociais e identifique os pontos críticos da sua empresa.
É o processo contínuo de identificar, avaliar, controlar e revisar os perigos presentes no ambiente de trabalho que podem causar danos à saúde física ou mental dos trabalhadores. Envolve coleta de dados, análise de indicadores, plano de ação e revisão periódica, tudo documentado no PGR, conforme exige a NR-1.
Sim. Desde maio de 2026, a NR-1 atualizada inclui expressamente os riscos psicossociais, como estresse, assédio e burnout, no escopo do GRO. As empresas devem identificar, avaliar e monitorar esses fatores com plano de ação formalizado, sujeito a fiscalização pelo MTE.
O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais ou GRO é o sistema de gestão contínuo, a filosofia e o processo. O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) é o documento que materializa esse processo, reunindo o inventário de riscos e o plano de ação. Em resumo: o GRO é o método, o PGR é o registro.
Os principais indicadores incluem taxa de absenteísmo, afastamentos por doenças ocupacionais (especialmente transtornos mentais), número de CATs emitidas, turnover e resultados de pesquisas de clima. Para riscos psicossociais, também são relevantes a percepção de sobrecarga e o NPS interno.
Com a atualização da NR-1, o RH passou a ter papel ativo na gestão de riscos, especialmente os psicossociais. Cabe ao RH coletar dados de absenteísmo e afastamento, mapear equipes sob pressão, registrar evidências para auditoria e integrar ações ao PGR em conjunto com o SESMT e a liderança.
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Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê.
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