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Cultura organizacional

Índice da Quarta Onda do RH no Brasil: o que os dados revelam

O Índice da Quarta Onda do RH no Brasil mostra em qual estágio de maturidade o RH brasileiro realmente está. Com 317 profissionais e lideranças de RH entrevistados, o estudo revela um cenário em que a maioria das empresas ainda está nas primeiras ondas de evolução da área.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 9 minutos

Índice da Quarta Onda do RH: dados e resultados no Brasil

O Índice da Quarta Onda do RH no Brasil é um estudo da Caju que mede, com base em dados, o nível de maturidade do RH brasileiro e mostra em qual estágio de evolução as empresas se encontram. Para isso, a pesquisa ouviu 317 profissionais e lideranças de RH de empresas de diferentes portes e avaliou 30 perguntas, distribuídas entre seis pilares que refletem os principais desafios e capacidades necessários para a transformação da área.

O resultado mostra um cenário importante: o score médio do RH brasileiro foi de 37 pontos, em uma escala de 0 a 100, posicionando a maior parte das empresas nas primeiras ondas de maturidade.

Mas o índice revela mais do que uma média. Os dados mostram como a estrutura das equipes se relaciona com a maturidade da área, quais capacidades ainda representam desafios e por que ter um RH maior não significa, necessariamente, ter um RH mais estratégico.

Neste artigo, você vai entender como o Índice da Quarta Onda do RH foi construído, quais são seus principais resultados e o que eles revelam sobre os caminhos para a evolução do RH no Brasil.

O que é o Índice da Quarta Onda do RH?

O Índice da Quarta Onda do RH é um estudo da Caju que mede o nível de maturidade do RH brasileiro a partir da lógica das quatro ondas de evolução da função de Recursos Humanos associadas a Dave Ulrich.

Para chegar a uma medida de maturidade do RH brasileiro, o estudo foi estruturado a partir de 30 perguntas, divididas igualmente entre seis pilares que representam diferentes dimensões da evolução da área:

  • Reinvenção do RH
  • Geração de valor para todos os stakeholders
  • Investimento em capacidade humana
  • Evolução da função de RH e das pessoas
  • Uso de inteligência artificial para potencializar a capacidade humana
  • Ação para fazer a mudança acontecer

Cada resposta recebeu uma pontuação de 0 a 100. A combinação dos resultados permite identificar o nível de maturidade do RH em cada pilar e no conjunto, mostrando onde as empresas estão mais avançadas e quais são os principais pontos de atenção para a evolução da área.

Com 37 pontos de score médio, o Brasil está, em média, na segunda onda de maturidade

O que o Índice da Quarta Onda do RH revela sobre a maturidade das empresas?

Os dados apontam para uma conclusão importante: a maturidade do RH depende menos de uma iniciativa isolada e mais da capacidade de integrar pessoas, estratégia, tecnologia, mudança e geração de valor.

Entre os principais achados do estudo estão três pontos.

1. O tamanho da empresa não determina a maturidade do RH

Um dos achados mais interessantes do Índice da Quarta Onda do RH aparece quando os resultados são cruzados com o tamanho das equipes.

Os dados mostram que equipes de cinco a 15 profissionais apresentaram o maior score médio: 40,8 pontos. O resultado ficou acima tanto das equipes de duas a quatro pessoas, com 39,7 pontos, quanto das estruturas com mais de 15 profissionais, que alcançaram 38,4 pontos.

O resultado não significa que exista um tamanho ideal de equipe de RH.

A própria pesquisa ressalta que fatores como porte da organização, número de colaboradores, complexidade operacional, distribuição geográfica, modelo de negócio e nível de terceirização influenciam o dimensionamento da área. Além disso, por ser uma pesquisa de participação voluntária, os resultados representam o retrato da amostra analisada, e não uma regra universal.

O que o dado sugere é outra coisa: a maturidade não parece crescer de maneira linear conforme o RH ganha profissionais.

2. RH com uma pessoa apresenta o menor nível de maturidade

A diferença mais expressiva aparece entre as empresas em que o RH é formado por apenas uma pessoa.

Nesse grupo, o score médio foi de 29 pontos, o menor entre as estruturas analisadas. Mais da metade das empresas desse grupo, 51,9%, está na primeira onda.

O resultado ajuda a explicar uma dificuldade prática.

Quando uma única pessoa precisa cuidar de recrutamento, benefícios, processos trabalhistas, desenvolvimento, atendimento aos colaboradores e outras demandas, grande parte da capacidade da área pode ficar concentrada na operação.

Com isso, sobra menos espaço para atividades como planejamento, análise de dados, inovação e atuação próxima ao negócio.

O levantamento mostra justamente que deixar de ter um RH formado por uma única pessoa produz um salto considerável de maturidade. Depois desse primeiro avanço, porém, simplesmente adicionar profissionais não garante a mesma evolução.

3. Equipes de cinco a 15 pessoas têm o melhor desempenho

Entre os diferentes tamanhos de equipe analisados, as equipes de cinco a 15 profissionais tiveram o maior score médio, com 40,8 pontos. Também apresentaram a maior proporção de empresas na terceira ou quarta onda: 32,9%.

Os dados sugerem que essa faixa pode combinar especialização e proximidade com o negócio, permitindo dividir responsabilidades sem perder agilidade e visão integrada.

Já as equipes com mais de 15 profissionais tiveram score médio de 38,4 pontos. Apesar disso, concentraram a maior proporção de empresas na quarta onda, com 7,3%.

O cenário mostra que tamanho, por si só, não determina a maturidade do RH:

  • 5 a 15 profissionais: 40,8 pontos de score médio
  • Mais de 15 profissionais: 38,4 pontos
  • 7,3% das equipes com mais de 15 pessoas estão na quarta onda
  • 19,5% desse grupo está na terceira ou quarta onda

Mais do que perguntar quantas pessoas o RH tem, os dados indicam que é preciso olhar para o que essa estrutura consegue fazer e quanto dela está dedicada à atuação estratégica.

Como usar o Índice da Quarta Onda do RH na prática?

Mais do que mostrar em qual estágio o RH brasileiro está, o Índice da Quarta Onda do RH pode ajudar as empresas a entenderem onde estão seus principais desafios e quais capacidades precisam ser desenvolvidas para avançar.

O ponto de partida é olhar para os seis pilares de forma integrada. Um resultado mais baixo em determinada dimensão pode indicar justamente o que está impedindo o RH de evoluir para o próximo estágio de maturidade. Em vez de investir em novas iniciativas de forma indiscriminada, os dados ajudam a direcionar esforços para os gargalos que podem gerar maior impacto.

Essa análise também ajuda a mudar a forma como o RH demonstra seu valor. A evolução da área não está apenas em acompanhar indicadores de pessoas, mas em conseguir conectar suas iniciativas a resultados concretos para o negócio. Isso significa entender, por exemplo, como uma mudança na gestão de pessoas pode influenciar produtividade, experiência do cliente, retenção ou outros resultados relevantes para a organização.

A tecnologia entra nesse processo como uma das ferramentas para ampliar a capacidade do RH. O uso de inteligência artificial pode automatizar tarefas, acelerar análises e liberar tempo para atividades mais estratégicas. Mas, como mostra o próprio resultado do Índice, adotar IA não é suficiente: o desafio está em utilizar a tecnologia de maneira que ela contribua efetivamente para a transformação da função e para a geração de valor.

Nesse sentido, o Índice da Quarta Onda do RH não deve ser visto apenas como uma fotografia do RH brasileiro. Seus resultados ajudam a identificar prioridades, orientar decisões e direcionar os esforços necessários para a evolução da área. 

Por que o Índice da Quarta Onda do RH importa agora?

O principal valor do Índice está em transformar uma discussão abstrata em uma análise baseada em dados.

Os resultados mostram que o RH brasileiro já avançou, mas que a maturidade da função ainda está longe de ser homogênea. A maior parte das empresas permanece nas primeiras ondas, enquanto apenas uma parcela pequena já opera na lógica da quarta onda.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que a evolução não depende simplesmente de aumentar o tamanho da equipe.

Estrutura, especialização, capacidade de execução, tecnologia e proximidade com o negócio precisam trabalhar juntas.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja quantas pessoas uma empresa precisa ter no RH, mas quanto valor essa estrutura é capaz de gerar.

Baixe o Índice da Quarta Onda do RH no Brasil

O Índice da Quarta Onda do RH mostra onde está a maturidade do RH brasileiro e quais são alguns dos fatores associados à evolução da área.

Com uma amostra de 317 profissionais e lideranças, o estudo oferece uma visão sobre os diferentes estágios de maturidade e mostra como a estrutura das equipes pode se relacionar com essa evolução.

Quer comparar a maturidade do seu RH com o cenário brasileiro? Baixe gratuitamente o Índice da Quarta Onda do RH. 

Perguntas frequentes sobre o Índice da Quarta Onda do RH

O que é o Índice da Quarta Onda do RH?

O Índice da Quarta Onda do RH é um estudo da Caju que mede a maturidade do RH brasileiro a partir da lógica das quatro ondas de evolução da gestão de pessoas. A pesquisa ouviu 317 profissionais e lideranças de RH e avaliou seis pilares relacionados à transformação da função.

Qual é o score médio do Índice da Quarta Onda do RH?

O score médio do RH brasileiro foi de 37 pontos em uma escala de 0 a 100, resultado que posiciona o país na segunda onda de maturidade.

Quantas empresas já estão na quarta onda do RH?

Segundo o Índice, 4,4% das empresas avaliadas estão na quarta onda do RH. Esse grupo apresenta bom desempenho simultâneo nos seis pilares analisados.

O que significa estar na quarta onda do RH?

Estar na quarta onda significa que o RH consegue conectar suas práticas e decisões de gestão de pessoas ao valor gerado para clientes, negócio e outros stakeholders externos, adotando uma perspectiva outside-in.

O que é o modelo outside-in no RH?

O modelo outside-in propõe que o RH amplie seu olhar para além das necessidades internas da organização e considere clientes, mercado e outros stakeholders ao definir e avaliar suas práticas de gestão de pessoas.

O tamanho da empresa determina a maturidade do RH?

Não. O Índice mostra que nenhum porte de empresa garante, por si só, a chegada à terceira ou à quarta onda. A estrutura disponível para o RH também influencia sua capacidade de sair da operação e atuar estrategicamente.

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê.

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