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Gestão de pessoas

Licença-menstrual: tudo o que você deve saber sobre o projeto de lei

Conheça a licença-menstrual, proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que garante direito ao afastamento por períodos no mês às pessoas com útero nas empresas.

Criado em

Atualizado em

por Izabela Linke

Leia em 12 minutos

Já ouviu falar no termo “licença-menstrual”? Esse é um assunto que tem ganhado importância em debates do mercado de trabalho e se transformou em um projeto de lei no Brasil.

A licença-menstrual é um afastamento remunerado destinado às pessoas que apresentam sintomas graves associados ao período menstrual, como cólicas intensas, enxaqueca, fadiga severa ou doenças ginecológicas debilitantes como endometriose e adenomiose. 

No Brasil, o projeto está próximo à aprovação e transformação em lei. Em outubro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 1.249/2022, e o projeto atualmente aguarda votação no Senado Federal.

Para o RH, esse é o momento de entender o que está sendo proposto, quem será afetado, como funciona a comprovação médica e o que as empresas podem fazer agora, antes da obrigatoriedade legal. Algumas já saíram na frente.

O que é a licença-menstrual e o que diz o projeto de lei

Para entendermos o que é a licença-menstrual, precisamos voltar à proposta do projeto.

Em 28 de outubro de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou o substitutivo ao PL 1.249/2022, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), relatado pela deputada Professora Marcivania (PCdoB-AP). 

O texto consolidou sugestões de outras propostas e das comissões temáticas da Câmara, incluindo a de Defesa dos Direitos da Mulher e a de Administração e Serviço Público.

O projeto modifica a CLT (incluindo o afastamento entre as faltas justificadas), a Lei do Estágio e a LC 150/2015, que regula o trabalho doméstico, para incluir o afastamento da licença.

Quem tem direito à licença-menstrual

O projeto aprovado na Câmara garante o direito a:

  • Trabalhadoras com carteira assinada (CLT);
  • Estagiárias;
  • Empregadas domésticas;

Ainda que o texto fale sobre mulheres, o projeto vale para todos os trabalhadores com útero e que sofrem com as consequências de um período menstrual conturbado.

Quantos dias de afastamento são garantidos na licença-menstrual

O texto prevê até dois dias consecutivos por mês de afastamento remunerado, sem desconto no salário. O projeto original da deputada Jandira Feghali previa três dias, mas o limite foi reduzido para dois no substitutivo aprovado.

A lei da licença-menstrual já está disponível?

Atualmente, a PL 1.249/2022 ainda aguarda votação no Senado Federal. Para se tornar lei, precisa ser aprovado pelos senadores e sancionado pelo presidente da República. 

Enquanto isso, o afastamento por sintomas menstruais graves só é coberto por atestado médico convencional, sem proteção específica contra punições ou descontos.

Antes da publicação deste artigo, verificamos o status da tramitação nos portais oficiais. Recomendamos acompanhar o andamento em senado.leg.br para atualizações.

Como a licença-menstrual impacta o RH 

O período menstrual pode afetar o trabalho de diversas maneiras devido aos sintomas físicos e emocionais que muitas pessoas experimentam durante esse período. 

Para os profissionais de RH, é importante compreender como funciona a licença e como apoiar às pessoas afetadas da maneira correta.

Como funciona a comprovação médica

Pelo texto aprovado na Câmara, a pessoa afetada pelos sintomas precisará apresentar laudo médico que comprove as condições debilitantes que a impeçam temporariamente de exercer as atividades laborais.

A maneira de apresentação do laudo e os prazos para entrega serão definidos posteriormente em regulamentação do Governo Federal.

Condições como dismenorreia primária e secundária, endometriose, adenomiose e miomas sintomáticos estão entre os diagnósticos que podem embasar o pedido. O foco está nas situações em que os sintomas realmente inviabilizam a jornada de trabalho.

O que muda na folha de pagamento e no DP

Pelo texto aprovado, o afastamento será tratado como falta justificada na CLT, sem desconto no salário e sem impacto em outros benefícios. 

O Departamento Pessoal precisará atualizar os procedimentos de registro de ausências para incluir essa nova categoria, além de garantir o sigilo das informações de saúde da colaboradora.

Diferença entre adoção voluntária e obrigatória

Hoje, como a lei ainda não foi aprovada no Senado, qualquer empresa que ofereça a licença-menstrual o faz de maneira voluntária, como benefício adicional, fora do campo da obrigação legal. 

Após a eventual aprovação e sanção, o benefício passaria a ser obrigatório para todas as empresas que empregam seguindo as normas da CLT, empregadas domésticas ou estagiárias.

Empresas que adotam o benefício antes da obrigatoriedade tendem a ter mais tempo para ajustar processos e construir uma cultura de acolhimento, o que reduz os riscos de erros operacionais e trabalhistas no momento em que a lei entrar em vigor.

Quais países já adotam a licença-menstrual por lei?

Atualmente, a licença-menstrual é uma prática adotada oficialmente por alguns poucos países, além de estar em discussão em mais alguns outros.

As leis mais antigas sobre menstruação são de 1922, da União Soviética. Confira, a seguir, em quais países esse benefício é oferecido atualmente.

Japão

O Japão foi um dos primeiros países a implementar a licença-menstrual, sendo adotada já em 1947.

A lei oferece dois dias de licença por mês para todas as trabalhadoras. Apesar disso, a lei não exige que as mulheres sejam remuneradas durante esse período.

Coreia do Sul

Poucos anos depois do Japão, em 1953, a Coreia do Sul instituiu a licença-menstrual. No país asiático a licença tem duração de dois dias por mês para todas as mulheres que trabalham e o salário não pode ser descontado.

Indonésia

Em 2003, a Indonésia incorporou a licença-menstrual a sua legislação, concedendo dois dias por mês a todas as mulheres trabalhadoras.

Por lá, esses dias são contados no total de licenças que uma pessoa pode tirar por ano, por motivos de saúde.

Zâmbia

No país africano a licença-menstrual foi criada em 2015 e garante apenas um dia de pausa remunerada para todas as mulheres que possuem um emprego. Na Zâmbia, esse dia é conhecido como “dia das mães”.

Taiwan

Em 2017, a ilha de Taiwan adotou a licença-menstrual, proporcionando três dias por mês para todas as mulheres que exercem atividades profissionais.

Esses dias são extras e não considerados nos 30 dias que as pessoas podem ter de licença por motivos de saúde.

Espanha

Em fevereiro de 2023, a Espanha se destacou como o primeiro país europeu a implementar a licença-menstrual. Essa licença de três dias por mês é concedida a todas as mulheres que enfrentam cólicas menstruais severas.

Além do Brasil, a licença-menstrual chegou a ser discutida e proposta na Itália, em 2017. A tentativa de implementar a lei gerou um debate sobre o assunto em toda a Europa, mas acabou não sendo aprovada no país.

Quais são os benefícios da licença-menstrual para as empresas

A licença-menstrual traz vários benefícios tanto para as pessoas com útero, quanto para a sociedade em geral. Confira:

  • Bem-estar e saúde: proporciona às pessoas que menstruam a oportunidade de lidar com os sintomas menstruais de forma adequada, promovendo o bem-estar físico e emocional;
  • Produtividade no trabalho: ao permitir que as pessoas que menstruam tirem um tempo quando estão lidando com sintomas intensos, a licença-menstrual contribui para a manutenção da produtividade no ambiente de trabalho;
  • Equidade de gênero: contribui para a igualdade de gênero no local de trabalho ao reconhecer e abordar as necessidades específicas de quem menstrua;
  • Saúde mental: ajuda a reduzir o estigma associado à menstruação, o que pode melhorar a saúde mental dos colaboradores que menstruam ao proporcionar um ambiente mais compreensivo e inclusivo;
  • Educação e conscientização: a implementação da licença-menstrual frequentemente vem acompanhada de iniciativas educacionais e campanhas de conscientização sobre a saúde menstrual, promovendo uma compreensão mais ampla e positiva desse aspecto natural da vida das pessoas com útero;
  • Redução das faltas e atrasos: ao fornecer a opção de licença-menstrual remunerada, pode ajudar a reduzir o absenteísmo relacionado aos sintomas menstruais, permitindo que os colaboradores que passam por incômodos durante esse período continuem a contribuir efetivamente para o trabalho;
  • Melhoria nas condições de trabalho: estabelece um ambiente de trabalho mais inclusivo e adaptado às necessidades específicas das pessoas que menstruam, melhorando as condições gerais no local de trabalho.
  • Reforço de marca empregadora: as empresas que acolhem questões relativas à saúde das pessoas desenvolvem um sentimento de pertencimento e, como consequência, aprimoram o conceito de marca empregadora.

Passo a passo para implementar a licença-menstrual na sua empresa

Implementar a licença-menstrual como benefício voluntário é mais simples do que parece. O ponto de partida é tratar o tema como qualquer outra política de saúde, com clareza, sigilo e comunicação respeitosa.

A seguir, apresentamos 5 passos práticos para implementar uma política de licença adequada para quem trabalha e quem emprega:

  1. Defina o escopo: quem tem direito (CLT, domésticas, estagiárias, pessoas com útero), quantos dias por mês e se haverá exigência de laudo ou atestado médico;
  2. Estabeleça o fluxo de solicitação: como a pessoa comunica o afastamento, para quem, com qual antecedência e quais documentos apresentar;
  3. Garanta o sigilo: as informações de saúde não devem circular além do RH e do gestor imediato, e mesmo assim apenas o necessário;
  4. Alinhe com o DP: atualize o sistema de registro de ausências para que o afastamento seja categorizado corretamente e não gere desconto indevido;
  5. Documente: inclua a política no manual do colaborador e nas comunicações internas de benefícios.

Como comunicar o benefício para toda a equipe

Como registrar e controlar os afastamentos

O controle deve ser simples, discreto e integrado ao sistema de ponto e folha. 

O ideal é ter um código de ausência específico, visível apenas para RH e DP, sem exposição ao time ou ao gestor em relatórios abertos.

Integração com outros benefícios de saúde e bem-estar

A licença-menstrual funciona melhor quando faz parte de uma política mais ampla de saúde das mulheres e pessoas com útero, que pode incluir acesso a planos de saúde com cobertura ginecológica, apoio psicológico e flexibilidade no trabalho para acomodar dias de sintomas leves sem necessidade de afastamento formal. 

Esse conjunto é o que transforma o benefício em cultura, e não em exceção.

Licença-menstrual, NR-01 e saúde psicossocial

A atualização da NR-01, que ganhou força total em 2025, tornou obrigatória a avaliação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse crônico, sobrecarga e condições que impeçam o pleno exercício das funções. 

Pessoas com dismenorreia severa que precisam se manter presentes mesmo sem condições físicas estão expostas a um fator de risco real, com consequências como queda de desempenho, automedicação, presenteísmo e agravamento do quadro de saúde.

Ao oferecer a licença-menstrual, a empresa reduz esse risco de maneira direta e documental, o que pode ser relevante em eventuais auditorias ou ações trabalhistas relacionadas à saúde ocupacional.

Por que oferecer o benefício antes da obrigatoriedade reduz riscos trabalhistas

Empresas que aguardam a lei para agir ficam expostas a um período de adaptação apressada e correm risco de erros operacionais. 

Quem implementa agora constrói o processo com calma e reduz a probabilidade de litígios relacionados à gestão do afastamento.

Além disso, a ausência de uma política formal pode, em alguns casos, ser usada como argumento em ações por assédio ou discriminação, ainda mais quando há histórico de pessoas punidas informalmente por faltas associadas à menstruação.

O RH pode agir antes da lei entrar em vigor

A licença-menstrual caminha para se tornar obrigação legal, mas empresas que esperam a lei correm o risco de implementar às pressas o direito ao invés de construir uma cultura do cuidado com dedicação.

Quer entender como estruturar uma política completa de benefícios que inclui saúde da mulher, NR-01 e bem-estar corporativo? Acesse o guia completo de saúde e bem-estar no trabalho da Caju, um material gratuito e com orientações práticas para o RH. 

Conte com a Caju para promover benefícios que contribuem para o bem-estar de todas as pessoas da sua empresa! 

Dúvidas frequentes sobre licença-menstrual

A licença-menstrual já é obrigatória no Brasil?

Em junho de 2026, o PL 1.249/2022 aguarda votação no Senado Federal. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro de 2025 e, para virar lei, precisa ser aprovado também pelos senadores e sancionado pelo presidente da República.

Quantos dias de licença-menstrual a lei prevê?

O texto aprovado pela Câmara prevê até dois dias consecutivos por mês de afastamento remunerado para trabalhadoras com sintomas graves associados ao período menstrual. 

Como a empresa comprova que a colaboradora tem direito?

Pelo texto aprovado, a trabalhadora precisará apresentar laudo médico que comprove as condições debilitantes que a impeçam de exercer suas atividades. Os detalhes sobre forma e prazo de apresentação serão definidos em regulamentação posterior do governo federal.

A licença-menstrual é paga ou descontada do salário?

O projeto prevê afastamento remunerado, sem desconto no salário nem impacto em outros benefícios. O afastamento seria classificado como falta justificada na CLT.

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Izabela Linke

Conteúdo

Jornalista, redatora e revisora que adora ouvir e contar histórias. Cuidando do marketing de conteúdo da Caju, tem como missão levar informação de valor para a área de gestão de pessoas e contribuir para um mercado cada vez mais inovador e humano.

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