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Institucional

Primeiro dia do CONARH 2026: principais insights para o RH

IA, maturidade do RH, novas carreiras e o poder da comunicação na cultura organizacional. O primeiro dia do CONARH 2026 já trouxe discussões que vão pautar a gestão de pessoas nos próximos anos. Confira os principais insights que acompanhamos de perto.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 13 minutos

Primeiro dia CONARH 2026: principais insights para o RH

O primeiro dia do CONARH 2026 mostrou que a transformação do trabalho não está apenas relacionada à tecnologia. Inteligência artificial, novas carreiras, maturidade do RH, liderança, saúde mental, produtividade e comunicação apareceram como temas conectados por uma mesma questão: como preparar pessoas e organizações para um cenário de mudanças cada vez mais rápidas?

Realizado de 18 a 20 de agosto, no São Paulo Expo, o CONARH 2026 tem como tema “Brasil Global: O Futuro da Gestão é Humano” e reúne conteúdos voltados aos principais desafios da gestão de pessoas.

Em resumo: os principais insights do primeiro dia

  • A inteligência artificial está transformando tarefas, profissões e competências, mas não elimina a importância das habilidades humanas.
  • As carreiras estão se tornando menos lineares e exigem aprendizado contínuo e adaptabilidade.
  • Saúde mental e segurança psicológica precisam fazer parte da estratégia de gestão.
  • O RH precisa se aproximar do negócio, medir resultados e assumir um papel mais estratégico.
  • A maturidade do RH não depende apenas do tamanho da equipe, mas da capacidade de gerar valor para a organização.
  • Liderança, comunicação e pertencimento são fundamentais para transformar cultura e conduzir mudanças.

A seguir, confira os principais destaques do primeiro dia do evento.

Como a inteligência artificial está transformando as profissões?

A transformação do mundo do trabalho vai muito além do surgimento ou desaparecimento de profissões. Esse foi um dos principais pontos discutidos por Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness at Work, Mariana Reis, da Diretoria de Carreira e Futuro do Trabalho da ABRH Brasil, e Ediomar Bertoldi, vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABRH Brasil.

Com o avanço da inteligência artificial, a discussão passa a envolver também o significado do trabalho, a geração de valor e as características que tornam um profissional relevante.

Para Renata, ainda carregamos uma lógica de trabalho muito próxima daquela criada na Revolução Industrial. A IA acrescenta uma nova camada de complexidade, sobrecarga e ansiedade a esse modelo.

Por isso, o desafio não está apenas em adotar novas ferramentas. É preciso redesenhar processos e repensar a relação entre trabalho e vida.

Quais competências serão mais importantes para o profissional do futuro?

À medida que a tecnologia assume tarefas operacionais, as habilidades humanas ganham ainda mais importância.

Conexão com pessoas, pensamento analítico, criatividade, influência social e capacidade de adaptação aparecem entre as competências centrais para o profissional que atuará nesse novo cenário.

A tendência é que o mercado valorize cada vez mais profissionais capazes de combinar conhecimento técnico, habilidades comportamentais e domínio da tecnologia, além de apresentarem uma visão ampla do negócio.

A lógica é simples: enquanto a IA pode assumir parte do trabalho operacional, as pessoas podem concentrar mais energia em atividades que exigem pensamento crítico, criatividade, relacionamento e tomada de decisão.

Ediomar trouxe um dado que dimensiona esse desafio: apenas 6% das empresas que já possuem processos de IA consolidados se consideram preparadas para essa inovação.

➡️ Leia também: Generalista ou especialista: qual perfil escolher para a carreira

Por que as carreiras estão se tornando menos lineares?

As trajetórias profissionais também estão mudando. Em vez de caminhos previsíveis, as carreiras passam a exigir desenvolvimento contínuo, flexibilidade e capacidade de adaptação.

Entre as competências que ganham importância estão:

  • Adaptabilidade;
  • Flexibilidade;
  • Pensamento analítico;
  • Criatividade;
  • Influência social.

Essa transformação também muda o papel do RH. A área precisa preparar profissionais não apenas para as funções que desempenham hoje, mas para novas demandas e ocupações que ainda estão surgindo.

O próprio CONARH coloca a reinvenção do trabalho entre seus pilares para 2026, com foco em novas competências, modelos flexíveis e preparação para a Workforce 2030.

Saúde mental e segurança psicológica: por que o tema importa para o futuro do trabalho?

A construção de novas competências depende também do ambiente em que as pessoas trabalham.

Para Renata, a segurança psicológica é uma das bases para aprendizagem e inovação. Ambientes marcados por medo, sobrecarga e pressão constante não favorecem o desenvolvimento das equipes e podem contribuir para o aumento do turnover e a deterioração das relações.

Por isso, a discussão sobre saúde mental precisa ir além de iniciativas isoladas de bem-estar.

Para o RH, criar condições para relações mais saudáveis, aprendizagem e segurança psicológica passa a fazer parte da estratégia para sustentar mudanças e resultados.

O tema está alinhado a outro dos pilares do CONARH 2026: “Sustentabilidade com Foco em Pessoas”, que inclui bem-estar e saúde mental.

O fim do presenteísmo? Produtividade além das horas trabalhadas

Outro ponto discutido no primeiro dia foi a relação entre tempo de trabalho e produtividade.

A palestra questionou a ideia de que estar disponível por mais horas significa necessariamente produzir mais. Para Renata, é preciso repensar essa lógica e avaliar o trabalho a partir de entregas, processos e resultados, e não apenas do tempo de permanência.

A experiência brasileira com a semana de quatro dias foi apresentada como um exemplo dessa mudança. No piloto realizado em 2023, 83,3% dos participantes relataram aumento de produtividade e 90,1% perceberam mais colaboração entre as equipes.

Os resultados estiveram relacionados à eliminação de desperdícios, ao redesenho de processos e à ampliação da autonomia.

As expectativas das novas gerações também colocam essa transformação em evidência. Saúde mental, flexibilidade, transparência salarial e propósito aparecem com mais força nas expectativas profissionais, junto a uma visão de trabalho mais orientada à entrega do que à quantidade de horas passadas no escritório.

No fim, a discussão sobre as profissões do amanhã é também uma discussão sobre pessoas. A IA pode transformar profissões e assumir tarefas, mas criatividade, pensamento crítico, relacionamento, liderança, empatia e capacidade de adaptação continuam sendo essenciais.

Qual é o nível de maturidade do RH brasileiro?

A transformação também passa pela própria área de Recursos Humanos.

Dalal Ghosn, Head de Gente e Gestão da Caju, apresentou os principais resultados do Índice da Quarta Onda do RH no Brasil, estudo que mede o nível de maturidade do RH brasileiro a partir de dados.

A pesquisa ouviu 317 profissionais e lideranças de RH e avaliou 30 questões distribuídas em seis pilares relacionados à evolução da área.

O resultado mostra que o score médio do RH brasileiro é de 37 pontos, em uma escala de 0 a 100, indicando que grande parte das empresas ainda está nas primeiras ondas de maturidade.

O tamanho da equipe determina a maturidade do RH?

Os dados mostram que não.

Equipes com cinco a 15 profissionais apresentaram o maior score médio, de 40,8 pontos. Já empresas em que o RH é formado por apenas uma pessoa tiveram score médio de 29 pontos, o menor entre as estruturas analisadas.

O dado ajuda a explicar um desafio recorrente: quando uma única pessoa concentra atividades operacionais e estratégicas, sobra menos espaço para planejamento, análise de dados, inovação e aproximação com o negócio.

Mas aumentar a equipe, por si só, também não garante um RH mais estratégico.

A principal reflexão é que a evolução da área depende menos de quantas pessoas fazem parte do RH e mais de quanto valor essa estrutura consegue gerar para a organização.

Como a tecnologia pode ajudar o RH a ganhar maturidade?

A transformação passa pela integração entre pessoas, estratégia, tecnologia, gestão da mudança e geração de valor.

Nesse processo, a inteligência artificial pode assumir tarefas operacionais, acelerar análises e liberar o time para atividades mais estratégicas.

Mas existe uma diferença importante entre adotar tecnologia e transformar o RH com tecnologia.

A IA pode ser uma ferramenta para acelerar a evolução da área, mas sua adoção não garante, sozinha, uma atuação mais estratégica.

➡️ Quer comparar a maturidade do seu RH com o cenário brasileiro? Baixe gratuitamente o Índice da Quarta Onda do RH.

Qual é o novo papel do RH diante da inteligência artificial?

Se o trabalho está mudando, o RH também precisa mudar sua posição dentro das organizações.

Esse foi um dos principais pontos discutidos por Ítalo Martins, da Diretoria de Impacto e Inovação da ABRH Brasil, Mário Bello, CHRO do Extreme Group, e Henrique Calandra, fundador e CEO da WallJobs.

Para Ítalo, ser protagonista exige que o RH esteja disposto a assumir mais riscos e se aproximar do negócio.

Isso significa compreender não apenas os processos de pessoas, mas também os resultados que a empresa precisa alcançar e como as iniciativas do RH contribuem para esses resultados.

Durante muito tempo, a área esteve concentrada em suas próprias demandas. Agora, precisa romper esse isolamento, entender o negócio, medir o impacto de suas iniciativas e acompanhar o ROI das ações de RH.

O que o RH precisa fazer para se tornar mais estratégico?

Entre os principais desafios estão:

  • Assumir mais riscos e participar das decisões da empresa;
  • Entender profundamente o negócio e seus desafios;
  • Medir o impacto das iniciativas de pessoas;
  • Usar inteligência artificial para automatizar atividades operacionais;
  • Desenvolver versatilidade para acompanhar as transformações.

A IA acelera esse movimento ao assumir tarefas burocráticas e operacionais, abrindo espaço para atividades de maior valor estratégico.

Como destacou Mário Bello, “a gente não constrói a IA, a gente cultiva”.

Em um cenário no qual todas as áreas passam a ter uma dimensão tecnológica, cabe também ao RH ajudar a organização a construir uma cultura preparada para a mudança.

Por que o RH precisa repensar sua visão sobre gerações?

Henrique Calandra trouxe outra mudança importante: sair de uma visão baseada apenas nas diferenças intergeracionais e considerar também as diferenças intrageracionais.

Pessoas da mesma geração podem ter expectativas, necessidades e formas de trabalhar completamente diferentes.

Isso significa que políticas de pessoas não podem ser construídas apenas a partir de rótulos geracionais. O desafio é criar ambientes mais adaptáveis e capazes de responder às diferentes realidades dos profissionais.

No fim, a provocação deixada pela palestra resume o desafio do novo RH:

O que você faria se tudo o que faz hoje pudesse ser automatizado?

A resposta passa por direcionar cada vez mais o trabalho humano para aquilo que exige estratégia, adaptabilidade, relacionamento e tomada de decisão.

➡️ Saiba mais: O que a Geração Z espera do mercado de trabalho?

Cultura organizacional: qual é o papel da comunicação?

A comunicação apareceu como outro ponto central nas discussões do primeiro dia.

Maytê Carvalho, escritora best-seller sobre comunicação e sócia da Boost Consultoria, trouxe uma provocação para o RH: será que parte dos problemas identificados como questões de cultura são, na verdade, problemas de comunicação?

A questão ganha força em um ambiente de excesso de informação. E-mails, chats, reuniões e notificações disputam constantemente a atenção dos profissionais.

Segundo dados da Microsoft apresentados na palestra, o trabalhador médio enfrenta cerca de 275 interrupções por dia, o equivalente a uma a cada dois minutos de expediente.

Além de comprometer o foco, esse excesso de estímulos pode gerar retrabalho e dificultar a produtividade.

Qual é o canal de comunicação mais importante dentro da empresa?

Para Maytê, a resposta está na liderança.

O papel do líder não é apenas transmitir informações, mas fazer com que as pessoas realmente escutem. Para isso, três elementos são fundamentais:

  • Confiança, para construir credibilidade;
  • Influência, para mobilizar pessoas;
  • Ação, para transformar discurso em comportamento.

É nessa relação entre comunicação e comportamento que a cultura se manifesta.

Cultura não é apenas aquilo que a empresa diz valorizar, mas aquilo que as pessoas fazem todos os dias.

Comunicação da liderança influencia as transformações?

Maytê também apresentou dados de uma pesquisa da McKinsey sobre transformações organizacionais, destacando o impacto da comunicação da liderança:

  • 8x mais chances de sucesso quando líderes seniores comunicam o progresso de forma aberta e contínua;
  • 12,4x mais sucesso em transformações que atravessam toda a empresa;
  • 5,8x mais sucesso quando o CEO conta uma história relevante sobre a mudança;
  • 6,3x mais sucesso quando os líderes seniores transmitem mensagens alinhadas.

Para Maytê, o engajamento está diretamente ligado ao sentimento de pertencimento.

As pessoas não mudam de comportamento simplesmente porque receberam uma informação. A mudança acontece quando entendem seu significado e percebem por que aquela transformação importa.

A provocação para o RH é direta: como a sua empresa está se comunicando?

Porque cultura também é narrativa. E a forma como uma organização comunica aquilo em que acredita ajuda a definir aquilo que as pessoas realmente fazem.

O que o primeiro dia do CONARH 2026 revela sobre o futuro do RH?

Os debates do primeiro dia convergiram para uma conclusão: a transformação do RH não será definida apenas pela adoção de novas tecnologias, mas pela capacidade de conectar tecnologia, estratégia e pessoas.

A inteligência artificial muda tarefas e profissões. As carreiras se tornam menos lineares. As competências humanas ganham valor. A liderança precisa se adaptar. E o RH é cada vez mais pressionado a demonstrar seu impacto no negócio.

Ao mesmo tempo, os debates sobre saúde mental, segurança psicológica, comunicação e pertencimento mostram que o aspecto humano continua no centro dessa transformação.

Essa visão está diretamente alinhada aos pilares apresentados pelo próprio CONARH 2026, que incluem “Tecnologia + Humanidade”, “A Reinvenção do Trabalho” e “Cultura Organizacional como Ativo Global”.

Em outras palavras, o desafio para o RH não é escolher entre tecnologia e pessoas. É usar a tecnologia para ampliar o valor do trabalho humano e construir organizações mais preparadas para mudar.

Caju no CONARH 2026: acompanhe os principais debates

A Caju está no CONARH 2026 acompanhando de perto as discussões sobre inteligência artificial, liderança, cultura e os desafios da gestão de pessoas.

Durante os três dias de evento, vamos compartilhar no blog insights e conversas que ajudam a entender as transformações que estão moldando o futuro do RH.

Está no São Paulo Expo? Passe no estande da Caju para conversar com a nossa equipe e conhecer de perto como podemos apoiar os desafios do RH.

Também é possível acompanhar os debates online. Inscreva-se para assistir à live do Palco Cajuína

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista e publicitária e encontrei na criação de conteúdo um jeito que gosto muito de trabalhar: transformar assuntos complexos em materiais simples, úteis e que façam sentido para quem está do outro lado. São 8 anos nessa jornada, passando por empresas como BTG Pactual e Nubank, até chegar à Caju, em 2024. Por aqui, escrevo artigos, guias, e-books e outros conteúdos que combinam dados, estratégia e criatividade para falar sobre gestão de pessoas, benefícios e os desafios do dia a dia de RH e financeiro. No fim, meu objetivo é simples: criar conteúdos relevantes, fáceis de entender e que realmente ajudem quem lê.

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