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Quarta onda do RH: o que é, como surgiu e o que muda na gestão de pessoas
Por Cecilia Alberigi em
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Seu colaborador está se preparando para uma possível mudança de emprego? O career cushioning pode ser um sinal de alerta para o RH. Entenda essa tendência e descubra como agir antes que ela se transforme em turnover.
Estar satisfeito e realizado no emprego é uma necessidade das pessoas, afinal, são muitas horas por dia passadas numa empresa. Então, se algo não vai bem, é natural ficar de olho no mercado, concorda? Por essa razão, o fenômeno do career cushioning tem se destacado.
Mas o que é o career cushioning? Trata-se de uma estratégia em que profissionais constroem uma espécie de rede de segurança para a carreira, desenvolvendo competências, fortalecendo o networking e acompanhando oportunidades do mercado mesmo sem estar, necessariamente, procurando outro emprego.
Para o RH, o fenômeno funciona como um sinal de que a relação entre empresa e colaborador precisa ser acompanhada de forma mais proativa: entender expectativas, oferecer possibilidades de desenvolvimento e construir uma proposta de valor capaz de fortalecer engajamento e retenção.
Neste artigo, falamos mais desse movimento e o que o seu RH pode fazer.
Career cushioning é uma estratégia de carreira baseada na construção de uma rede de segurança profissional para lidar melhor com possíveis mudanças ou instabilidades no trabalho.
O fenômeno ganhou força no mercado dos Estados Unidos em 2022, em um contexto de incertezas econômicas e demissões no setor de tecnologia. Na prática, envolve desenvolver competências, ampliar a rede de contatos, manter o currículo atualizado e acompanhar oportunidades do mercado, sem que isso signifique, necessariamente, estar procurando ativamente um novo emprego. Entender o career cushioning e seu significado passa, portanto, pela ideia de se preparar antes para diferentes cenários profissionais, em vez de esperar uma situação de crise para começar a agir.
O nome é uma analogia ao relationship cushioning, expressão usada para descrever a prática de manter outras possibilidades afetivas em aberto enquanto se está em um relacionamento, como uma espécie de “seguro emocional”. No contexto profissional, a lógica é semelhante: a pessoa mantém alternativas de carreira disponíveis caso precise ou queira mudar de emprego no futuro. Isso diferencia o career cushioning do job hopping, que se refere à troca frequente e efetiva de empregos, em busca de melhores oportunidades ou salários.
Enquanto o career cushioning está relacionado à preparação para possíveis mudanças, o quiet quitting significa a redução do esforço além do que é exigido, já o Great Resignation é um movimento de saída efetiva dos empregos em escala elevada.
Confira as diferenças na tabela:
| Critério | Career cushioning | Quiet quitting | Great Resignation |
| Definição central | Construção de um plano B profissional enquanto a pessoa ainda está empregada | Cumprimento das responsabilidades formais, sem assumir esforços extras | Movimento de aumento expressivo das demissões voluntárias, especialmente observado nos EUA a partir de 2021 |
| Comportamento típico do colaborador | Desenvolve habilidades, faz networking, atualiza o currículo e acompanha oportunidades | Mantém o emprego, mas estabelece limites e reduz a disposição para “ir além” | Deixa o emprego, muitas vezes em busca de melhores condições, remuneração ou equilíbrio |
| O que motivou | Incerteza econômica, medo de demissões e desejo de ampliar a segurança e as opções de carreira | Insatisfação, sobrecarga e busca por limites mais sustentáveis entre vida pessoal e profissional | Mudanças nas expectativas sobre trabalho, condições de trabalho, remuneração, flexibilidade e oportunidades |
| Impacto imediato na empresa | Pode aumentar o risco futuro de turnover, mas não significa saída iminente. | Pode reduzir engajamento e comportamentos de contribuição voluntária, sem aumentar o turnover no curto prazo | Aumenta o turnover e pode gerar perda de talentos, custos de reposição e vagas abertas |
| Como o RH identifica | Por sinais indiretos: maior busca por capacitação, networking e oportunidades externas | Por mudanças no nível de engajamento, participação e disposição para atividades além das responsabilidades formais | Por indicadores objetivos de turnover, pedidos de demissão, entrevistas de desligamento e evolução das taxas de saída |
| O que o RH pode fazer | Oferecer desenvolvimento, mobilidade interna, plano de carreira, escuta e proposta de valor competitiva | Investigar causas do desengajamento, revisar carga de trabalho, fortalecer liderança e estabelecer expectativas claras | Trabalhar retenção, remuneração, benefícios, flexibilidade, desenvolvimento e condições que influenciam a permanência |
Dica de leitura: Entenda no detalhe o que é o quiet quitting
O porquê do career cushioning está ligado à busca por segurança e autonomia diante de um mercado de trabalho mais incerto. Entre os principais fatores, nós destacamos:
As ondas de demissões em grandes empresas reforçaram o receio de perder o emprego sem aviso e estimularam a criação de planos B.
Quando não há caminhos definidos de desenvolvimento e mobilidade interna, o profissional pode buscar oportunidades e alternativas fora da organização.
Remuneração inadequada e poucas oportunidades de avanço estão entre os fatores associados à saída de profissionais, incentivando a construção antecipada de outras possibilidades.
O career cushioning e geração Z estão associados a uma visão mais pragmática da carreira, influenciada por experiências de instabilidade econômica, burnout e mudanças nas expectativas sobre trabalho.
Em vez de depender apenas da estabilidade oferecida por uma empresa, profissionais passaram a tratar empregabilidade, networking e desenvolvimento contínuo como responsabilidades individuais.
Dê mais potência ao seu RH: Neste artigo da Caju, você entende como tornar sua área de RH mais estratégica.
Career cushioning não é deslealdade nem violação de contrato. É um comportamento de autoproteção diante de um mercado de trabalho percebido como instável: o profissional busca manter suas competências, contatos e opções em dia, sem que isso signifique necessariamente intenção de deixar a empresa.
Para o RH, o ponto não deve ser moralizar esse comportamento, mas entender o que ele sinaliza. Se muitos colaboradores sentem necessidade de construir uma rede paralela de segurança, pode haver falta de previsibilidade, reconhecimento, desenvolvimento ou perspectivas de crescimento na organização.
Entender como identificar career cushioning na empresa exige atenção a mudanças de comportamento, mas sem transformar sinais isolados em diagnóstico. Alguns indícios comuns são:
O colaborador tende a demonstrar menos interesse em iniciativas que exigem planejamento e permanência na empresa por períodos mais longos.
Uma redução na participação em capacitações sinaliza menor interesse em oportunidades de desenvolvimento oferecidas pela própria organização.
A diminuição do envolvimento em canais, eventos e ações de cultura aponta para um distanciamento gradual da empresa.
Uma expansão significativa do networking com recrutadores e profissionais de outras empresas mostra que o colaborador está ampliando suas opções, assim como mais postagens.
Respostas mais neutras ou falta de interesse ao discutir promoções, planos de carreira e oportunidades futuras também indicam o career cushioning.
Vale entender que nenhum desses comportamentos, sozinho, confirma a prática de career cushioning. Antes de qualquer ação, o ideal é considerar o contexto e abrir espaço para escuta e diálogo com o colaborador.
Para fortalecer a retenção de talentos no career cushioning, o RH precisa olhar para as causas que levam o profissional a buscar uma rede de segurança externa, entre elas:
Um PDI com trilhas de carreira claras e realistas ajuda o colaborador a visualizar possibilidades de crescimento dentro da própria empresa, tornando a relação entre career cushioning e plano de carreira mais estratégica.
Conversas frequentes entre líder e colaborador permitem entender expectativas, desafios e ambições antes que esses temas sejam tratados apenas na avaliação anual. Considere momentos de 1:1 com foco em desenvolvimento e progressão na empresa.
Em períodos de incerteza, comunicar de forma clara a situação financeira e os planos da organização reduz inseguranças e evita que o colaborador precise buscar informações ou alternativas por conta própria.
Avaliar remuneração, benefícios, reconhecimento e flexibilidade ajuda a fortalecer a proposta de valor da empresa e mostra a importância da relação entre career cushioning e benefícios corporativos.
Pesquisas frequentes permitem identificar sinais de insatisfação, desengajamento e falta de perspectivas enquanto ainda há tempo para agir, em vez de esperar que esses problemas se transformem em turnover.
O career cushioning ilustra bem a transformação do papel do RH na chamada 4ª onda do RH, em que a área deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a antecipar necessidades e movimentos dos colaboradores.
Nesse contexto, a retenção de talentos no career cushioning não depende apenas de agir quando alguém pede demissão, mas de identificar sinais de desengajamento, insegurança ou falta de perspectiva e trabalhar essas questões antes que elas evoluam para uma saída.
Sob essa perspectiva, o career cushioning pode ser interpretado como um alerta para empresas que ainda operam em uma lógica mais próxima da 3ª onda do RH: aquela em que a área administra o turnover depois que ele acontece.
Na 4ª onda, o objetivo é entender por que o profissional está construindo uma rede de segurança fora da empresa e usar dados, escuta e estratégias de desenvolvimento para antecipar esse movimento. Assim, o RH passa de uma área que reage às saídas para uma função mais estratégica e preditiva na gestão de pessoas.
Assim, vale entender que o career cushioning não é um problema, mas um sinal de que o RH e a gestão devem ser mais ativos no engajamento e satisfação dos colaboradores. Ao perceber os primeiros sinais, converse com as pessoas e trace um plano de ação para toda a empresa — seja tendo mais reuniões, melhorando PDI e oportunidades de desenvolvimento, repensando benefícios, entre outros.
Aproveite para acessar nossa ferramenta e descobrir em qual onda do RH sua empresa está. É um diagnóstico rápido e gratuito, baseado nos estudos de Dave Ulrich e do The RBL Group.
É a construção de uma rede de segurança profissional por meio de desenvolvimento, networking e preparação para possíveis mudanças de carreira.
Não: o quiet quitting envolve reduzir o esforço ao mínimo esperado, enquanto o career cushioning busca ampliar opções profissionais para o futuro.
Principalmente para se proteger de instabilidades, demissões e incertezas e aumentar sua autonomia profissional.
Não em via de regra, pois manter competências e contatos atualizados é uma prática legítima de gestão da própria carreira.
Não há um indicador definitivo, mas sinais podem incluir maior busca por desenvolvimento, networking e oportunidades externas.
Investir em desenvolvimento, mobilidade interna, escuta ativa, reconhecimento e uma proposta de valor competitiva para os colaboradores.
O fenômeno não é exclusivo de uma geração, embora possa ganhar força entre profissionais mais jovens, especialmente em contextos de maior incerteza.
Não necessariamente, já que a prática pode representar apenas uma preparação preventiva para diferentes cenários.
Ao oferecer caminhos claros de crescimento, desenvolvimento e mobilidade, diminui a necessidade percebida de buscar essas possibilidades fora da empresa.
É um fenômeno global que ganhou destaque inicialmente no mercado americano e também pode ser observado no contexto brasileiro.
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Sou jornalista e publicitária e encontrei na criação de conteúdo um jeito que gosto muito de trabalhar: transformar assuntos complexos em materiais simples, úteis e que façam sentido para quem está do outro lado. São 8 anos nessa jornada, passando por empresas como BTG Pactual e Nubank, até chegar à Caju, em 2024. Por aqui, escrevo artigos, guias, e-books e outros conteúdos que combinam dados, estratégia e criatividade para falar sobre gestão de pessoas, benefícios e os desafios do dia a dia de RH e financeiro. No fim, meu objetivo é simples: criar conteúdos relevantes, fáceis de entender e que realmente ajudem quem lê.
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