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Gestão de pessoas

Guia completo sobre feedback e one-on-one para líderes

Descubra o poder dos processos de feedback e 1:1 para melhorar a comunicação e desenvolvimento do time e veja também como implementá-los na sua empresa!

Criado em

Atualizado em

por Izabela Linke

Leia em 11 minutos

Se você lidera pessoas, provavelmente já sentiu que falta um espaço mais estruturado para conversar com cada colaborador, seja sobre o trabalho, sobre os desafios do dia a dia ou sobre o que eles precisam para crescer. 

É exatamente aí que entram duas práticas que se complementam: o feedback e o one-on one. Em um primeiro momento, ambos parecem o mesmo estilo de conversa formal com o colaborador, mas diferem em pontos como momento e tipo de conversa.

Neste guia, vamos explicar o que são, por que importam, como aplicar e de que maneira essas práticas também ajudam as empresas a cumprir as exigências da nova NR-1, que passou a incluir os riscos psicossociais no trabalho como responsabilidade das organizações.

O que é one-on-one?

O one-on-one (também escrito como 1:1) é uma reunião individual e periódica entre um colaborador e sua liderança direta. Ao contrário das reuniões de equipe, o foco aqui é o progresso, desafios, metas e objetivos do trabalhador individualmente.

Durante um 1:1, o colaborador pode compartilhar como está se sentindo em relação ao trabalho, reportar o andamento de projetos, dar e receber feedback, fazer perguntas e expressar preocupações que talvez não fosse capaz de verbalizar em grupo. Para a liderança, é um momento de escuta ativa, orientação personalizada e construção de confiança junto à pessoa liderada.

Essas reuniões geralmente acontecem de maneira quinzenal ou mensal, com duração de 30 a 60 minutos, e devem ter uma pauta básica, mas com espaço para que o colaborador também traga os próprios tópicos.

O que é feedback?

Feedback é um processo de comunicação em que uma pessoa oferece à outra um retorno sobre o próprio desempenho, comportamentos ou entregas. No contexto empresarial, o feedback pode acontecer entre líderes e colaboradores, entre colegas de equipe ou até de maneira anônima, como nas avaliações 360º.

O feedback pode apontar erros, mas também reconhece conquistas, orienta o desenvolvimento e alinha expectativas entre empresa e empregado. Quando bem aplicado, é uma das ferramentas mais importantes para o crescimento individual e coletivo dentro de uma organização.

Por que essas práticas são importantes?

One-on-one e feedback se reforçam mutuamente. Um 1:1 sem feedback é apenas uma conversa informal. Um feedback sem o espaço adequado para acontecer perde impacto. 

Juntas, as duas estratégias criam uma estrutura de comunicação contínua que beneficia tanto os colaboradores quanto a empresa em diferentes frentes, tais como:

  • Comunicação mais aberta e direta: o espaço individual favorece conversas que dificilmente aconteceriam em grupo, com mais transparência e menos ruídos;
  • Relacionamentos mais sólidos: a convivência regular entre líder e colaborador cria vínculos de confiança, o que melhora o clima organizacional e reduz conflitos;
  • Desenvolvimento profissional contínuo: com metas bem definidas e feedback frequente, o colaborador sabe onde está e para onde precisa ir;
  • Identificação precoce de problemas: questões que poderiam se tornar grandes obstáculos surgem antes de virar crise quando há um canal aberto de comunicação;
  • Redução do turnover: colaboradores que se sentem ouvidos e valorizados tendem a permanecer mais tempo na empresa, economizando custos de recrutamento e treinamento;
  • Engajamento e motivação: saber que a liderança está atenta ao crescimento individual do profissional é um fator importante para que o colaborador se sinta parte do time.

A conexão com a NR-1 e a saúde mental no trabalho

Em 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, isso significa que as empresas passaram a ter a obrigação legal de identificar, avaliar e controlar fatores como estresse crônico, sobrecarga de trabalho, falta de autonomia, comunicação inadequada e relações interpessoais conflituosas.

Ignorar esses riscos pode resultar em multas, além de possíveis processos trabalhistas e danos à reputação da empresa. Mas, além da questão legal, há uma razão humana óbvia: colaboradores em ambientes emocionalmente inseguros adoecem, se afastam e produzem menos.

É aqui que o feedback e o one-on-one ganham ainda mais relevância. Essas práticas são, na essência, ferramentas de escuta ativa. E escuta ativa é o primeiro passo para identificar sinais de sofrimento psicológico no trabalho. 

Um colaborador que se sente à vontade para falar com o próprio líder é muito mais propenso a sinalizar quando algo não está bem, antes que a situação evolua para um afastamento por questões de saúde mental.

Portanto, estruturar reuniões 1:1 e manter uma cultura de feedback são, também, estratégias para cumprir as exigências da NR-1.

Os tipos de feedback que todo líder precisa conhecer

Existem diferentes modalidades de feedback, e saber qual usar em cada situação é o que faz os líderes gerarem melhores resultados junto aos colaboradores.

Vamos conhecer algumas delas a seguir:

  • Feedback positivo: focado em reconhecer conquistas, reforçar boas atitudes e celebrar resultados. É tão importante quanto o feedback corretivo, e muitas vezes é negligenciado. Reconhecer o que funciona bem encoraja a repetição desses comportamentos;
  • Feedback negativo: aponta falhas ou comportamentos que precisam ser revistos. Deve ser feito com cuidado, de maneira individual e construtiva, nunca como uma crítica à pessoa, mas ao comportamento ou entrega;
  • Feedback corretivo: aplicado quando o colaborador comete um erro e precisa de orientação para corrigi-lo. A conversa deve ser empática e propositiva, apresentando caminhos concretos para a mudança;
  • Feedback construtivo: o mais completo dos tipos, aborda tanto pontos fortes quanto áreas de desenvolvimento. Pode acontecer de maneira programada (a cada trimestre, por exemplo) e é ideal para traçar planos de desenvolvimento individuais;
  • Feedback motivador: indicado em momentos de baixo engajamento ou dificuldade. O objetivo é resgatar o ânimo do colaborador, mostrando o valor das contribuições e ajudando a posicionar a própria perspectiva sobre os desafios;
  • Feedback 360º: envolve avaliações de múltiplas fontes, como liderança, colegas e, às vezes, o próprio colaborador (autofeedback). Proporciona uma visão mais completa do desempenho e deve ser feito de maneira anônima para preservar os envolvidos;
  • Feedback 90º: o modelo tradicional, em que o superior avalia o subordinado. Útil, mas insuficiente quando é o único modelo adotado, já que não abre espaço para que o colaborador avalie sua liderança;
  • Autofeedback: exercício de autoconhecimento em que o próprio colaborador reflete sobre o desempenho. Estimula a autonomia e a maturidade profissional.

Dicas práticas para dar feedbacks de maneira eficaz

A forma como o feedback é entregue é tão importante quanto o conteúdo. Por isso, compartilhamos boas práticas para fornecer críticas construtivas e retornos sobre o trabalho do funcionário, gerando benefícios e evitando problemas de comunicação.

Peça permissão antes de começar

Verifique se o colaborador está disponível e num bom momento para a conversa. Uma abordagem respeitosa já muda o tom da interação.

Planeje com antecedência

Chegue ao feedback com exemplos concretos, dados e pontos claros. Improvisar pode gerar mensagens confusas ou injustas.

Comece pelos pontos positivos

Iniciar com o que está funcionando bem cria um ambiente mais receptivo para a parte corretiva da conversa.

Seja específico e use exemplos reais. 

Por exemplo: “Você precisa melhorar a comunicação” é vago.  Alterando para: “Na reunião da semana passada, o cliente ficou sem resposta por dois dias” é algo mais palpável. 

Não critique a pessoa, critique o comportamento

O foco deve ser sempre na entrega ou na atitude, nunca na personalidade ou características pessoais do colaborador.

Ofereça caminhos

Feedback sem sugestão de melhoria é apenas uma crítica. Sempre encerre com um plano de ação ou com perguntas que ajudem o colaborador a encontrar seus próprios caminhos.

Mantenha a confidencialidade

Feedbacks negativos e conversas sensíveis devem ficar restritos ao espaço do 1:1. Expor um colaborador na frente da equipe tem efeito oposto ao desejado.

Como estruturar um one-on-one eficaz

Um 1:1 produtivo não precisa ser longo, mas precisa ter intenção. Um roteiro simples pode ajudar, separando uma quantidade de tempo para cada ponto.

A seguir, veja uma estrutura simples e eficaz para conduzir uma reunião one-on-one com seu colaborador:

  • Abertura (5 min): inicie com uma conversa leve para criar um clima de conforto. Pergunte como a pessoa está, não apenas como o trabalho está;
  • Progresso e realizações (10 min): peça ao colaborador para compartilhar o que avançou desde o último encontro, como projetos e metas. Isso dá visibilidade ao trabalho da pessoa e abre espaço para reconhecimento;
  • Desafios e preocupações (10 min): encoraje a pessoa a falar sobre o que está travando. Essa é uma das partes mais valiosas do 1:1, e também a mais conectada à saúde mental e à gestão de riscos psicossociais. Ouça com atenção e sem julgamentos;
  • Feedback (10 min): ofereça um retorno específico sobre o desempenho recente. Destaque o que está funcionando bem e, se necessário, aponte o que pode ser melhorado, sempre com exemplos concretos;
  • Metas e desenvolvimento (10 min): alinhe objetivos para o próximo período e converse sobre o desenvolvimento profissional do colaborador;
  • Plano de ação e encerramento (5 min): resuma os principais pontos, defina responsabilidades e prazos. Agradeça a participação e reforce que a comunicação está sempre aberta.

Qual é o papel do colaborador no one-on-one?

O 1:1 é uma via de mão dupla. Para que funcione bem, o colaborador também precisa estar ativo e preparado.

Isso significa chegar com tópicos para discutir, compartilhar progresso e dificuldades com honestidade, fazer perguntas, propor ideias e estar aberto para receber e dar feedback. Quanto mais o colaborador entende que esse espaço é dele, mais ele se apropria e mais produtiva a conversa se torna.

Como implementar as práticas de feedback e 1:1 na sua empresa

Começar do zero pode parecer difícil, mas a implementação pode ser gradual. Em 7 passos, sua empresa pode iniciar uma cultura de feedback efetiva, e nós explicamos como:

1. Conscientize as lideranças: antes de qualquer coisa, os gestores precisam entender o valor dessas práticas e estar comprometidos com elas. Explique os benefícios, mostre dados e, se possível, traga exemplos de empresas que já adotam essa cultura;

2. Defina a frequência dos 1:1: o ideal é que aconteçam com uma frequência definida, seja mensal ou quinzenal. Reuniões trimestrais, por exemplo, tendem a ser longas demais e perdem a agilidade necessária para acompanhar o dia a dia dos colaboradores;

3. Treine as lideranças: conduzir um 1:1 e dar feedback de maneira eficaz são habilidades que precisam ser desenvolvidas. Ofereça capacitação em escuta ativa, comunicação não violenta e gestão de desempenho;

4. Crie uma estrutura básica: defina um roteiro mínimo para os encontros e os tipos de feedback que serão adotados na empresa;

5. Comunique aos colaboradores: explique o que são os 1:1s, por que a empresa está adotando essa prática e o que se espera de cada um. Quanto mais transparente for essa comunicação, mais confortáveis os colaboradores se sentirão para participar;

6. Solicite feedback sobre o processo: à medida que a prática avança, pergunte para líderes e colaboradores o que está funcionando e o que pode melhorar. Use esse retorno para ajustar a abordagem;

7. Monitore e avalie: acompanhe indicadores como engajamento, turnover, afastamentos por saúde mental e clima organizacional. Eles ajudam a medir o impacto das práticas ao longo do tempo e, também, a documentar ações corretivas para evitar riscos que envolvem a saúde mental dos colaboradores.

Feedback e one-on-one como parte de uma cultura organizacional saudável

Empresas que adotam feedback e one-on-one como práticas de maneira consistente criam um ambiente onde as pessoas se sentem seguras para falar, errar, aprender e crescer. Tudo isso resulta em um ambiente mais produtivo e resiliente, com colaboradores preparados para os desafios do mercado.

Sua empresa já está preparada para os requisitos da nova NR-1?

A norma exige ações contínuas para identificar e reduzir riscos psicossociais. Ignorar isso pode gerar multas, processos e prejuízos. Com a Caju, você resolve tudo de maneira simples e ainda fortalece o bem-estar do seu time. 

Conheça a solução NR-1 da Caju e adeque sua empresa em 3 passos!

Dúvidas frequentes sobre feedback e one-on-one

Qual a diferença entre feedback e one-on-one? 

O 1:1 é uma reunião periódica que cobre vários temas. O feedback é mais específico: aborda um comportamento ou entrega pontual. 

Com que frequência o one-on-one deve acontecer? 

O ideal é quinzenal ou mensal. O mais importante é manter a regularidade.

O que fazer quando o colaborador não sabe o que falar no one-on-one? 

Envie a pauta com antecedência e peça que ele chegue com pelo menos um tópico próprio. Perguntas abertas como “O que está travando seu trabalho agora?” ou “O que você quer desenvolver nos próximos meses?” ajudam a dar início à conversa.

Como saber se a cultura de feedback está funcionando? 

Os principais sinais são queda no turnover, melhora no clima e aumento do engajamento. Para mensurar, acompanhe os dados junto ao RH da empresa e aplique pesquisas internas sempre que possível.

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Izabela Linke

Conteúdo

Jornalista, redatora e revisora que adora ouvir e contar histórias. Cuidando do marketing de conteúdo da Caju, tem como missão levar informação de valor para a área de gestão de pessoas e contribuir para um mercado cada vez mais inovador e humano.

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