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Gestão de pessoas

Plano de carreira: o que é, tipos e dicas para estruturar na sua empresa

Um plano de carreira bem estruturado pode ser a solução que a sua empresa busca para a retenção de talentos. Aprenda as melhores práticas para estruturá-lo!

Criado em

Atualizado em

por Caju

Leia em 9 minutos

Plano de carreira é o mapa que define para onde um profissional pode crescer dentro de uma empresa e quais habilidades precisa desenvolver para chegar lá. 

Para o RH, estruturar e aplicar esse mapa é uma das estratégias mais eficazes para o engajamento de talentos.

Se você tem dúvidas sobre o assunto, fica por aqui para entender o que é plano de carreira, quais são os tipos existentes, como montar um do zero e qual é o papel do RH em cada etapa. 

O que é plano de carreira?

Plano de carreira é a estratégia que define as possibilidades de crescimento profissional de um colaborador dentro de uma organização. Isso envolve quais cargos pode alcançar, quais competências precisa desenvolver e quais critérios determinam a progressão.

É importante diferenciar dois contextos. 

O plano de carreira individual, também conhecido como PDI, é desenhado pelo próprio profissional, com base nos seus objetivos, valores e aspirações pessoais. 

Já o plano de carreira empresarial é estruturado pela organização, com trilhas, níveis e critérios claros para cada área. 

Os dois tipos são complementares em uma estratégia de aumento do engajamento dos colaboradores.

Mais do que um documento de RH, o plano de carreira é um pacto de crescimento mútuo. A empresa se compromete a oferecer caminhos reais, enquanto o colaborador se compromete a evoluir como profissional para ser capaz de percorrê-los.

Quais são os tipos de plano de carreira?

O melhor plano de carreira é o que faz sentido para a realidade da sua empresa, mas existem três tipos que são os mais utilizados nas organizações:

  • Carreira em linha;
  • Carreira em Y;
  • Carreira em W.

Cada um deles compreende os tipos de cargos que um profissional pode atingir na empresa e o nível de senioridade e responsabilidades.

Vamos explicar os detalhes a seguir:

Carreira em linha 

Esse é o modelo mais tradicional e ainda o mais adotado. No plano de carreira em linha, o crescimento é linear, do nível de entrada ao topo da hierarquia. Um dos fatores mais relevantes costuma ser o tempo de serviço aliado à entrega de resultados.

É simples de comunicar, mas pode limitar profissionais que não querem ou não têm perfil para a gestão.

Carreira em Y 

A carreira em Y é continuação da carreira em linha. Chega um ponto em que o colaborador escolhe se deseja seguir para a liderança de pessoas ou se aprofundar na especialidade técnica. Os dois caminhos têm reconhecimento e remuneração equivalentes. 

É muito usado em empresas de tecnologia, jurídico e saúde, onde a expertise técnica tem valor estratégico independente da gestão.

Carreira em W 

Além das duas trilhas do modelo Y, existe uma terceira possibilidade, que é a gestão de projetos, ou carreira em W. O profissional combina liderança e conhecimento técnico sem precisar abrir mão de nenhum dos dois. 

É uma escolha comum em empresas de consultoria, engenharia e desenvolvimento de produtos.

Além desses três, existem outros formatos, como a carreira em rede (com múltiplos caminhos possíveis) e a carreira horizontal (em que a evolução acontece em responsabilidades e remuneração, não em hierarquia). 

O importante é escolher o modelo que reflete a estrutura real da empresa e comunicar isso com clareza para os colaboradores.

Plano de carreira vs. PDI: qual a diferença?

Essa é uma das confusões mais comuns na gestão de pessoas, e precisamos entender o que diferencia cada possibilidade e como se complementam.

Vamos entender o plano de carreira é o destino, que define os cargos possíveis, as competências necessárias em cada nível e os critérios de progressão dentro da empresa. É uma estrutura coletiva, que vale para todos na mesma trilha.

Já o PDI, Plano de Desenvolvimento Individual, é o que operacionaliza o plano de carreira para aquele colaborador específico, definindo quais habilidades ele precisa desenvolver, quais ações deve tomar, em qual prazo e como isso será acompanhado.

Ter um plano de carreira sem PDI é como mostrar o mapa sem ajudar a pessoa a traçar a rota, ou ter um destino mas não contar com uma ferramenta que mostre os caminhos. Um complementa o outro.

Para aprofundar o tema de desenvolvimento de lideranças como parte desse processo, vale conhecer os 6 Insights de Dave Ulrich para o RH, referência global em RH estratégico.

Como criar um plano de carreira na prática

Criar um plano de carreira eficaz é uma construção que envolve escuta, mapeamento, alinhamento e revisão contínua do RH. Em 5 etapas, é possível organizar uma estrutura que funciona para diferentes tipos de empresa.

Explicamos cada ponto com detalhes a seguir: 

1. Mapeie as competências necessárias para cada cargo

Antes de definir trilhas, o RH precisa entender o que se espera em cada nível de cada área. Quais competências técnicas são inegociáveis? Quais soft skills de liderança são esperadas em posições de coordenação? 

Esse mapeamento é a base de todo o plano para mapear os critérios de progressão e avaliação. 

2. Defina as trilhas e os critérios de progressão

Com as competências mapeadas, é necessário estruturar os caminhos possíveis dentro de cada área. Defina os níveis, o que muda entre eles e o que o colaborador precisa demonstrar para avançar. 

Quanto mais claro e objetivo for esse critério, menos conflito e frustração surgem no processo.

3. Alinhe expectativas com cada colaborador

O plano de carreira precisa ser apresentado e discutido com todas as pessoas da empresa, de uma maneira clara e objetiva. 

É nesse momento de escuta que o RH descobre quais são os objetivos reais dos colaboradores e pode verificar se eles estão alinhados com as possibilidades da empresa.

4. Construa os PDIs individuais

A partir do alinhamento coletivo, está na hora de construir junto com o colaborador e o gestor direto o PDI, com ações concretas, prazos definidos e indicadores que mostrem progresso. 

Esse é o momento em que o plano de carreira vira realidade no dia a dia. Conectar esse processo a ciclos de gestão de desempenho ajuda a manter o ritmo e a consistência.

5. Revise e ajuste periodicamente

Objetivos mudam, a empresa evolui, novas competências surgem com o mercado e o plano de desenvolvimento deve acompanhar todas essas mudanças.

Revisões semestrais ou anuais, preferencialmente ancoradas nos ciclos de avaliação e feedback para equipes, garantem que o planejamento continue relevante e motivador. 

O papel do RH no plano de carreira

É o RH que mapeia os cargos, define as competências esperadas em cada nível, estrutura os critérios de progressão e garante que o processo seja consistente e equitativo em toda a organização. 

Planos de carreira bem gerenciados são também planos inclusivos, que garantem as oportunidades de crescimento para todos os colaboradores, acessíveis independentemente de perfil, gênero ou background.

Mas o RH não atua sozinho. São os gestores que colocam o plano em prática no dia a dia. Por isso, é muito importante realizar treinamentos para lideranças envolvendo conversas de carreira qualificadas com as equipes.

Um gestor que pratica uma liderança mais liberal e estimula a autonomia tende a apoiar melhor trilhas de especialização, onde o colaborador conduz seu próprio desenvolvimento.

Outro papel fundamental do RH é usar dados. Planos de carreira construídos com informações de desempenho, pesquisas de clima, mapeamento de competências e dados de mercado são mais realistas e mais eficazes do que os construídos por intuição. 

Os dados revelados pelos líderes no Goles de Inspiração 2026 mostram o quanto as percepções de quem está na ponta importam para calibrar essa estratégia.

Plano de carreira, retenção e engajamento

Um plano de carreira bem estruturado é uma alavanca direta de retenção de talentos e os dados confirmam isso.

Um levantamento do LinkedIn Workplace Learning Report mostra que 94% dos profissionais afirmam que permaneceriam mais tempo em uma empresa que investisse em seu desenvolvimento. 

Outra pesquisa da Korn Ferry, divulgada pela Carta Capital, aponta que 67% dos trabalhadores escolheriam permanecer em uma empresa que oferecesse oportunidades de crescimento, mesmo que não estivessem totalmente satisfeitos com o trabalho atual.

Ao mesmo tempo, enquanto 69% dos líderes acreditam que os colaboradores têm um plano de carreira estruturado, apenas 27% dos profissionais concordam com essa afirmação, segundo o ManpowerGroup

A mesma pesquisa mostra que o custo de reposição de um colaborador pode chegar a 50% a 200% do salário anual, dependendo do cargo e da senioridade.

Plano de carreira e benefícios corporativos como ferramentas de engajamento

Conectar o plano de carreira a uma política de benefícios competitivos fecha o ciclo. Profissional que cresce, que recebe reconhecimento e que tem acesso a benefícios alinhados com suas necessidades é o profissional que fica e que performa melhor enquanto está. 

Construir planos de carreira sólidos começa com líderes bem preparados. Acesse a Trilha Liderança em Perspectiva da Caju e ajude os gestores da sua empresa a desenvolver pessoas com mais estratégia e clareza.

Aproveite e confira o Panorama do RH 2026 para entender mais sobre o cenário do setor no Brasil e como as empresas estão atuando para auxiliar os colaboradores no desenvolvimento de carreiras de sucesso.

Dúvidas frequentes sobre plano de carreira

Plano de carreira é obrigatório por lei? 

Não existe uma legislação trabalhista brasileira que obrigue as empresas a formalizarem um plano de carreira. Mas empresas que estruturam trilhas claras reduzem turnover, aumentam engajamento e atraem profissionais mais qualificados. 

Qual a diferença entre plano de carreira e PDI? 

O plano de carreira define os cargos possíveis, as competências necessárias e os critérios de progressão. O plano de desenvolvimento individual, ou PDI, define os objetivos, ações e prazos específicos do colaborador para avançar no plano. 

Com que frequência o plano de carreira deve ser revisado?

O ideal é revisar ao menos uma vez por ano, preferencialmente junto com os ciclos de avaliação de desempenho e feedback, para acompanhar as mudanças do mercado de trabalho.

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