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Gestão de pessoas

Riscos de uma roteirização incorreta de vale-transporte (e como evitá-los)

A roteirização de vale-transporte permite definir e otimizar os trajetos que os colaboradores utilizam para se deslocar entre suas residências, reduzindo custos de VT.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 12 minutos

Você já parou pra fazer a conta de quanto sua empresa anda desperdiçando com vale-transporte? Trajetos mais longos, passes sem integração, endereços desatualizados… Se tudo isso existe, há ainda riscos jurídicos pairando na empresa.

Nesse sentido, a roteirização de vale-transporte (VT) bem-feita faz toda a diferença na economia e otimização de recursos. Entenda no detalhe como agir!

O que é a roteirização de vale-transporte e qual o seu propósito

A roteirização de vale-transporte é o processo de definir e otimizar os trajetos que os colaboradores utilizam para se deslocar entre suas residências e o local de trabalho, considerando as linhas e meios de transporte público disponíveis. 

Dessa forma, pode-se determinar o percurso mais econômico e viável, conforme previsto na legislação trabalhista brasileira, que obriga o empregador a fornecer o vale-transporte de forma eficiente e adequada às necessidades do empregado.

Empresas que fazem uma roteirização de VT eficiente conseguem reduzir custos e evitar desperdícios, garantindo que o benefício seja concedido apenas no valor necessário para o deslocamento efetivo do trabalhador. Com ela, otimizam-se trajetos e se mantém o controle sobre eventuais solicitações indevidas de créditos de transporte.

Além da economia, a roteirização tem importância estratégica para a conformidade legal e a gestão de benefícios. Ao adotar um processo padronizado e documentado de análise de rotas, a organização assegura o cumprimento das normas do vale-transporte e reduz riscos trabalhistas, mantendo transparência e equidade na concessão do benefício. 

A base legal do vale-transporte está estabelecida na Lei nº 7.418/1985 e regulamentada pelo Decreto nº 95.247/1987

E o que diz esse decreto? Na prática, o vale-transporte é de uso estritamente destinado ao deslocamento do empregado entre sua residência e o local de trabalho, por meio do transporte coletivo público. A legislação determina que o empregador deve custear o valor excedente ao desconto máximo de 6% do salário básico do colaborador, garantindo assim o direito ao benefício de forma justa e proporcional.

Nesse contexto, a roteirização de vale-transporte surge como uma ferramenta essencial para o cumprimento dessas obrigações legais. Ao definir o trajeto mais econômico e adequado conforme as linhas de transporte disponíveis, a empresa assegura que o benefício seja concedido de acordo com o que a legislação prevê, evitando pagamentos indevidos ou excessivos. É uma prática que demonstra boa-fé e diligência na administração do benefício, reforçando o compromisso com a conformidade normativa.

O descumprimento das regras — como o fornecimento incorreto do benefício, ausência de controle de rotas ou concessão de valores superiores ao necessário — pode gerar passivos trabalhistas, autuações e ações judiciais. 

Por isso, a roteirização atua como uma proteção jurídica para a empresa, já que documenta os critérios utilizados para o cálculo e distribuição do vale-transporte, comprovando que o empregador cumpriu as exigências legais. Além de reduzir riscos de litígios, a prática fortalece a transparência e a governança nas relações trabalhistas.

Como funciona a roteirização na prática

Se sua empresa quer saber como fazer roteirização de vale-transporte, esses são os pontos a serem considerados:

Tenha os endereços dos colaboradores sempre atualizados

O primeiro passo para a conformidade de vale-transporte é a coleta de endereços atualizados de todos os colaboradores. Com ela, você garante a precisão das informações, já que mudanças de residência impactam diretamente o cálculo do benefício. O ideal é solicitar aos empregados a confirmação ou atualização de seus endereços periodicamente, a fim de manter o cadastro alinhado à realidade e evitar concessões incorretas.

Confira as possibilidades de transporte

Na sequência, faça o levantamento das opções de transporte público disponíveis, considerando linhas de ônibus, metrô, trem ou integração entre diferentes modais. Nessa fase, o analista de benefícios ou o sistema de roteirização identifica os trajetos possíveis, avaliando fatores como número de conduções, tempo de deslocamento e custo total. 

Com base nessas informações, ocorre a comparação das rotas, em busca do percurso mais econômico e viável que atenda às condições previstas na legislação.

Tenha tudo registrado formalmente

Depois, o time responsável deve realizar o registro formal da decisão, documentando o percurso escolhido, o valor correspondente e a justificativa da escolha. Esse registro serve como base para auditorias internas e para eventual comprovação perante órgãos fiscalizadores. 

Revise sempre a roteirização de VT

Mantenha revisões periódicas da roteirização — ainda mais em casos de alterações nas linhas de transporte ou mudança de endereço dos colaboradores —, assegurando que o benefício continue sendo pago de forma correta, eficiente e em conformidade com a legislação vigente.

Desafios e erros mais comuns roteirização de vale-transporte 

Para o controle de vale-transporte nas empresas, é preciso superar os seguintes desafios:

Endereços incorretos

Quando os colaboradores não informam mudanças de residência, ou quando os dados são digitados com erros, toda a análise de rotas pode ser comprometida. Assim, temos trajetos imprecisos, custos indevidos e até questionamentos legais, já que o cálculo do benefício deixa de refletir a realidade do deslocamento. Por isso, quando se mantém os endereços atualizados, elimina-se os riscos da roteirização incorreta.

Trajetos inviáveis

Tome muito cuidado ao definir trajetos inviáveis ou pouco práticos, que podem até ser mais baratos no papel, mas exigem longos tempos de deslocamento ou múltiplas baldeações. A legislação exige que o trajeto seja “mais econômico e viável”, e a viabilidade inclui a razoabilidade do percurso para o trabalhador. 

Portanto, além do custo, deve-se considerar o conforto, o tempo e a disponibilidade real das linhas, garantindo que a rota proposta seja de fato aplicável no dia a dia.

Ignorar integração tarifária

Ignorar a integração tarifária também é um equívoco frequente. Muitos sistemas de transporte oferecem descontos ou gratuidades quando há integração entre modais, e não considerar essas opções pode gerar pagamento excessivo de vales. O ideal é que o processo de roteirização analise essas combinações tarifárias, garantindo que o benefício seja calculado com base no valor real e mais econômico possível.

Falta de registros formais

A falta de registros formais é outro ponto crítico. Sem documentação adequada das decisões e trajetos definidos, a empresa fica vulnerável em fiscalizações ou processos trabalhistas, já que não há como comprovar a correção do cálculo. Manter planilhas, relatórios ou sistemas que armazenem o histórico de roteirizações é indispensável para dar transparência e respaldo jurídico ao processo.

Ausência de revisões

Sem as revisões periódicas, caímos no erro de endereços desatualizados ou de rotas muito longas ou até mais caras que o necessário. Por isso, entenda a periodicidade de revisão que melhor funciona na sua empresa.

Baixa utilização de tecnologia

Sem o apoio de ferramentas tecnológicas, o processo tende a ser manual, demorado e sujeito a falhas. A adoção de sistemas automatizados e georreferenciados permite maior agilidade, padronização e economia, além de fortalecer o controle e a governança, tornando o vale-transporte mais inteligente.

Benefícios da roteirização correta para empresas e colaboradores

Conheça as vantagens de fazer uma roteirização inteligente e correta.

Economia na empresa

A economia de recursos é um dos benefícios mais imediatos da roteirização correta do vale-transporte. Ao identificar o trajeto mais econômico e adequado, a empresa evita o pagamento de valores acima do necessário e reduz desperdícios com créditos de transporte não utilizados. 

Assim, um colaborador que poderia se deslocar com duas passagens integradas, mas recebia quatro, gera custo extra mensal que, multiplicado por toda a equipe, pode representar um valor significativo ao longo do ano.

Menos riscos jurídicos

A redução de riscos legais é outro ponto crucial. A legislação sobre o vale-transporte é clara quanto à obrigação do empregador em conceder o benefício de forma correta e proporcional. 

Ao usar uma solução de roteirização vale-transporte, e deixar tudo documentado e revisado, você tem prova de conformidade, protegendo a empresa contra autuações e ações trabalhistas. Por exemplo, em uma eventual fiscalização, basta apresentar os registros de rotas e cálculos de custos.

Eficiência operacional

Além disso, a roteirização promove aumento da eficiência operacional nos departamentos de RH e financeiro. Com processos automatizados e dados atualizados, a análise e o controle do vale-transporte tornam-se mais rápidos e precisos, liberando tempo da equipe para outras atividades estratégicas. 

Um sistema integrado de roteirização dá conta de recalcular rotas automaticamente sempre que um colaborador muda de endereço, evitando retrabalho e atrasos na concessão do benefício.

Satisfação do time

Outra vantagem é a satisfação dos colaboradores. Quando o trajeto escolhido é viável, confortável e compatível com o deslocamento real, o trabalhador sente que a empresa se preocupa com seu bem-estar e com a transparência na concessão de benefícios. Isso reduz desgastes com trajetos mal planejados, evita atrasos e melhora a percepção de justiça e organização interna.

Conheça também: A calculadora da Caju para medir o impacto da saúde mental no trabalho

Soluções tecnológicas e automação

As soluções tecnológicas de roteirização automatizam todo o processo de gestão do vale-transporte, integrando dados atualizados de transporte público, endereços de colaboradores e políticas internas da empresa. Essas ferramentas utilizam sistemas de georreferenciamento e algoritmos de cálculo de rotas para identificar automaticamente o trajeto mais econômico e viável, considerando linhas, integrações tarifárias e tempos de deslocamento. 

Ao usá-las, você elimina a necessidade de pesquisas manuais e reduz erros humanos, garantindo agilidade e precisão nos cálculos.

Além disso, plataformas modernas oferecem dashboards e alertas automáticos, que facilitam o acompanhamento e a revisão periódica das rotas. Esses painéis permitem visualizar o custo total de vales por setor, identificar variações de consumo e emitir notificações quando há mudança de endereço ou alteração em linhas de transporte. 

Assim, a empresa mantém o processo de roteirização sempre atualizado e em conformidade com a legislação, sem exigir esforço operacional contínuo, reforçando o controle de custos e a eficiência administrativa.

Boas práticas para implementação de roteirização de VT

Quer rever seu processo de roteirização de vale-transporte ou implementar do zero? Leia com atenção cada um dos passos:

  • Implantação escalonada: comece o processo por áreas-piloto ou grupos menores de colaboradores, permitindo ajustes antes da expansão para toda a empresa. Isso reduz riscos e facilita a adaptação das equipes e sistemas.
  • Segmentação por regiões: organize a roteirização considerando regiões geográficas ou polos de trabalho, o que facilita a análise de linhas de transporte disponíveis e otimiza o tempo de execução do processo.
  • Auditoria interna: realize verificações periódicas para validar se os trajetos e valores calculados estão corretos e em conformidade com a legislação. Auditorias ajudam a identificar inconsistências e oportunidades de economia.
  • Periodicidade de revisões: defina uma rotina de atualização — semestral ou anual — para revisar as rotas, especialmente em casos de mudanças de endereço, alterações nas linhas de transporte ou reajustes tarifários.
  • Comunicação clara com os colaboradores: mantenha os funcionários informados sobre as políticas de vale-transporte, critérios de roteirização e importância de manter os endereços atualizados. A transparência fortalece a confiança e o engajamento no processo.

Perguntas mais frequentes sobre roteirização

Ainda na dúvida? Então, confira:

Roteirização de vale-transporte é obrigatória por lei?

Não é obrigatória explicitamente, mas é necessária para cumprir a lei e evitar pagamentos indevidos.

Como calcular a rota mais econômica?

Compare trajetos possíveis considerando menor custo, número de integrações e viabilidade de transporte público.

Quais modais e integrações considerar?

Ônibus, metrô, trem, VLT, barcas e integrações tarifárias que reduzam o custo total do deslocamento.

Quais os riscos de uma roteirização incorreta?

Gastos excessivos, autuações, passivos trabalhistas e questionamentos sobre a conformidade legal são os maiores riscos da roteirização inadequada.

Como manter a roteirização atualizada?

Revisando periodicamente endereços, linhas de transporte e tarifas, com apoio de sistemas automatizados.

Quando revisar trajetos ou tarifas?

Sempre que houver mudança de endereço, alteração nas linhas ou reajuste nos valores de transporte.

Quais tecnologias ajudam na roteirização?

Softwares de georreferenciamento, plataformas de RH integradas e sistemas de roteirização com dados públicos de transporte.

A roteirização estratégica de vale-transporte é uma prática que une economia, conformidade legal e eficiência operacional. Ao adotar processos automatizados e bem documentados, a empresa garante o uso racional dos recursos, reduz riscos trabalhistas e otimiza a gestão de benefícios.

Mais do que uma obrigação administrativa, a roteirização representa uma ferramenta inteligente de governança e sustentabilidade corporativa, fortalecendo o equilíbrio entre responsabilidade financeira e valorização dos colaboradores.

Se você quer mais facilidade ao oferecer benefícios, nossa última dica neste texto é conhecer as soluções da Caju — nossa plataforma é simples e prática, e integra todos os benefícios, como vale-transporte, cultura, alimentação e outros!

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê. Acredito que a flexibilidade é fundamental em todos os aspectos da vida, por isso valorizo a liberdade de adaptação, tanto no trabalho quanto no cotidiano.

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