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Como a Caju trouxe mais agilidade e economia de tempo para o time da Dengo
Por Eduarda Ferreira em
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O novo manual de GRO da NR-1 mostra como integrar riscos psicossociais ao PGR de forma simples, garantindo conformidade e promovendo um ambiente de trabalho mais saudável. Veja o que muda e como aplicar na prática.
A segurança e saúde no trabalho (SST) no Brasil passou por uma transformação profunda nos últimos anos. A transição do antigo PPRA para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) marcou o início de uma era voltada para a gestão ativa e contínua, em vez de apenas a elaboração de documentos estáticos. Recentemente, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou o Novo Manual de GRO da NR-1, um documento essencial que visa esclarecer dúvidas e, principalmente, orientar as empresas sobre como integrar os riscos psicossociais ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Este manual não é apenas um guia técnico; é uma ferramenta estratégica para gestores de RH, profissionais de SST e empreendedores que buscam não apenas o compliance trabalhista, mas a promoção de um ambiente de trabalho saudável e produtivo. Com o aumento dos casos de burnout e transtornos mentais relacionados ao trabalho, a atualização da NR-1 e as diretrizes deste manual tornam-se o norte necessário para a modernização das relações laborais.
O novo Manual de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) é uma publicação oficial elaborada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego. Ele surge como uma resposta à necessidade de uniformizar a interpretação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que é a norma “mãe” de todas as outras normas de segurança do trabalho no Brasil.
O objetivo central do manual é fornecer diretrizes claras sobre como as organizações devem implementar o GRO. Ele detalha os processos de identificação de perigos e avaliação de riscos, oferecendo exemplos práticos e metodologias que podem ser adotadas por empresas de todos os portes. Mais do que explicar o “o quê”, o manual foca no “como”, servindo de apoio para que a gestão de riscos saia do papel e se torne parte da cultura organizacional.
O conteúdo do manual reforça que o GRO deve ser um processo administrativo estruturado para identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais. Uma das grandes novidades e pontos de ênfase é a inclusão explícita dos fatores psicossociais. O manual deixa claro que a saúde do trabalhador deve ser vista de forma integral, englobando aspectos físicos, cognitivos e emocionais.
Além disso, o documento aborda a necessidade de uma análise global, onde a empresa deve considerar não apenas os riscos clássicos (químicos, físicos e biológicos), mas também os riscos ergonômicos e de acidentes. O manual detalha as etapas do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) aplicadas à segurança do trabalho, incentivando a melhoria contínua dos processos e a revisão periódica das avaliações de risco, sempre que houver mudanças nas condições de trabalho ou após a ocorrência de acidentes.
Na prática, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) funciona como um guarda-chuva sob o qual todos os programas de segurança da empresa se abrigam. Enquanto o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) é o braço operacional e documental, o GRO é a estratégia de gestão propriamente dita.
Implementar o GRO na prática significa que a empresa deve manter um inventário de riscos atualizado e um plano de ação dinâmico. Não basta listar os perigos; é preciso quantificar a probabilidade de ocorrência e a severidade de um possível dano. A partir daí, a gestão deve priorizar as ações de controle. Por exemplo, se em um setor administrativo é identificado um alto nível de estresse devido à sobrecarga de tarefas, o GRO exige que medidas de controle organizacional sejam implementadas e monitoradas, indo muito além do fornecimento de equipamentos de proteção.
Para utilizar o manual de forma eficiente, a empresa deve primeiro realizar um diagnóstico de sua situação atual. O manual serve como um checklist de conformidade e um guia metodológico. O primeiro passo é reunir a equipe multidisciplinar — envolvendo RH, SESMT e lideranças — para ler e interpretar as diretrizes conforme a realidade do seu setor econômico.
A utilização prática envolve a aplicação das matrizes sugeridas no manual para a classificação de riscos. O manual orienta a não complicar excessivamente o processo em empresas de baixo risco (como MEIs e EPPs de grau de risco 1 e 2), mas exige rigor técnico para indústrias e atividades de alto risco. Ele deve ser consultado sempre que houver dúvida sobre a gradação de um risco ou sobre como documentar uma medida de controle específica no plano de ação.
O PGR é composto fundamentalmente por dois documentos principais, conforme detalhado no manual:
Esses pilares garantem que a empresa não apenas conheça seus problemas, mas tenha um compromisso real com a solução e prevenção de doenças e acidentes.
Um dos pontos mais relevantes do novo manual é a integração entre a NR-1 (Gestão) e a NR-17 (Ergonomia). Historicamente, a ergonomia era tratada de forma isolada, muitas vezes limitada a ajustes de cadeiras e monitores. No entanto, a nova visão do MTE entende que os riscos ergonômicos — que incluem a organização do trabalho, o conteúdo das tarefas e as exigências cognitivas — são indissociáveis da gestão de riscos ocupacionais.
A conexão estratégica reside no fato de que o PGR deve absorver os resultados da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) ou da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP). Quando o manual fala em riscos psicossociais, ele está diretamente ligado à NR-17. Problemas como jornadas exaustivas, metas inatingíveis e falta de autonomia são riscos ergonômicos organizacionais que impactam a saúde mental. Portanto, o GRO é o sistema que unifica essas normas para garantir que a ergonomia não seja apenas um laudo na gaveta, mas um componente ativo da segurança.
Leia também: Guia completo da NR-17: ergonomia e segurança no trabalho
A alma da avaliação de riscos no PGR é a matriz de risco. O manual de GRO da NR-1 oferece orientações sobre como cruzar duas variáveis fundamentais: a severidade do dano e a probabilidade de sua ocorrência.
Ao cruzar esses dados em uma matriz (geralmente de 3×3, 4×4 ou 5×5), a empresa obtém o Nível de Risco. Riscos classificados como “Toleráveis” podem exigir apenas monitoramento, enquanto riscos “Substanciais” ou “Intoleráveis” exigem ações imediatas de interrupção ou controle rigoroso. O manual enfatiza que essa gradação deve ser feita de forma técnica e não apenas intuitiva.
Uma confusão comum que o manual busca sanar é a diferença entre perigo e risco, especialmente no âmbito psicossocial. Compreender essa distinção é vital para uma implementação de GRO eficaz.
Diferenciar esses conceitos permite que a empresa atue na fonte (o perigo) para reduzir o impacto (o risco).
A gestão de riscos psicossociais e a implementação do GRO não podem ficar restritas apenas ao técnico de segurança do trabalho. O manual sugere uma abordagem holística. O RH possui os dados sobre absenteísmo e turnover, que são indicadores claros de riscos psicossociais. O setor de Compliance garante que as políticas internas de combate ao assédio e ética estejam sendo seguidas. Já a SST entra com o conhecimento técnico para documentar e mitigar esses riscos no PGR. Essa integração cria uma rede de proteção que blinda a empresa contra passivos trabalhistas e melhora o clima organizacional.
A atualização da NR-1 trouxe uma modernização necessária para a legislação trabalhista brasileira. Entre as principais mudanças, destacam-se:
A nova NR-1 e a obrigatoriedade do PGR entraram em vigor em janeiro de 2022. Portanto, as empresas já devem estar em plena conformidade. O Novo Manual de GRO da NR-1 não altera os prazos legais, mas serve como um reforço para aquelas organizações que ainda estão em processo de amadurecimento de sua gestão.
As consequências pela não adequação são severas. Além de multas aplicadas pela auditoria fiscal do trabalho, que podem variar conforme o número de funcionários e a gravidade da infração, a empresa fica vulnerável a processos judiciais de indenização por danos morais e materiais. No caso de doenças mentais ocupacionais, o nexo causal tem sido cada vez mais reconhecido pela Justiça do Trabalho, e a ausência de um GRO que contemple riscos psicossociais pode ser interpretada como negligência do empregador. Além disso, há o impacto no Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que pode aumentar a carga tributária da empresa.
Saiba mais: NR-1: conheça as penalidades para empresas que não cumprirem as diretrizes
O manual em si é um documento de orientação e não possui força de lei, mas as diretrizes que ele explica (contidas na NR-1) são de cumprimento obrigatório para todas as empresas. Seguir o manual é a melhor forma de garantir que você está cumprindo a lei corretamente.
Sim, o novo entendimento do MTE e as diretrizes do GRO exigem que todos os riscos que possam afetar a saúde do trabalhador, inclusive os psicossociais e cognitivos, sejam avaliados. A negligência desses fatores pode levar a autuações e passivos trabalhistas significativos.
Embora a NR-1 não utilize o termo “psicossocial” de forma isolada em todos os parágrafos, ela exige o gerenciamento de todos os riscos ocupacionais. Como os fatores psicossociais afetam diretamente a saúde e segurança, eles devem obrigatoriamente integrar o inventário de riscos do PGR.
O lançamento do Novo Manual de GRO da NR-1 pelo Ministério do Trabalho e Emprego é um marco que reforça uma mudança de mentalidade necessária no ambiente corporativo brasileiro. A segurança do trabalho deixou de ser uma lista de itens a serem conferidos para se tornar uma estratégia de preservação da vida e do capital humano.
Adotar o GRO e integrar os riscos psicossociais ao PGR não deve ser visto apenas como o cumprimento de uma burocracia, mas como um investimento na sustentabilidade do negócio. Empresas que cuidam da saúde mental de seus colaboradores e mantêm processos de segurança dinâmicos são mais produtivas, atraem melhores talentos e evitam prejuízos financeiros e jurídicos. No fim das contas, não se trata apenas de seguir o manual; trata-se de exercer uma gestão responsável que valoriza o bem mais precioso de qualquer organização: as pessoas.
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Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê. Acredito que a flexibilidade é fundamental em todos os aspectos da vida, por isso valorizo a liberdade de adaptação, tanto no trabalho quanto no cotidiano.
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