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Gestão de pessoas

Diferenças entre gerações no trabalho: como engajar boomers, millennials e gen Z

Hoje, é comum que as empresas tenham colaboradores com até 4 gerações distintas. Por isso, conhecer a diferença entre gerações no trabalho facilita o engajamento e permite flexibilizar políticas para manter todos engajados.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 11 minutos

Enquanto João do administrativo busca estabilidade, prefere trabalhar presencialmente e tem um pouco de dificuldade com novos sistemas e tecnologias, Maria, do time de Marketing, adora trabalhar de forma remota, encara a tecnologia como parte básica do trabalho e se empolga com benefícios de saúde mental.

Esses dois personagens são fictícios, mas a realidade é comum em muitas empresas. E por que isso acontece? Não se trata de gostos distintos e, sim, da diferença entre gerações no trabalho.

Cada vez mais é comum que as empresas tenham colaboradores com grandes diferenças de idade, o que implica em preferências distintas, assim como facilidades e dificuldades. Nesse cenário, o que engaja uma pessoa não engaja o outro. Como RH, é importante entender essas diferenças entre as gerações no mercado de trabalho.

Neste artigo, nós guiamos você nesse assunto!

O que são gerações e por que isso importa no trabalho

Quando você ouve falar em gerações, entenda que se refere a grupos de pessoas que nasceram em períodos semelhantes e que, por isso, cresceram sob contextos sociais, econômicos, culturais e tecnológicos parecidos. Esses contextos influenciam a forma como as pessoas veem o mundo, se comunicam, aprendem, lidam com autoridade, trabalho e expectativas de carreira.

No ambiente profissional, entender as gerações é importante porque o local de trabalho nunca foi tão diverso em termos de idade. Hoje, é comum encontrar pessoas de quatro (ou até cinco) gerações diferentes trabalhando juntas, cada uma com valores, motivações e estilos distintos. Ignorar essas diferenças pode gerar conflitos, ruídos de comunicação e baixa colaboração. Já reconhecê-las ajuda empresas e líderes a criar ambientes mais produtivos, inclusivos e eficientes.

O ponto é que as gerações não são “caixas fechadas”, mas sim tendências de comportamento. Elas refletem experiências coletivas, como crises econômicas, avanços tecnológicos, mudanças no mercado de trabalho e transformações sociais.

Por exemplo, gerações que cresceram em períodos de escassez tendem a valorizar estabilidade e segurança. Já aquelas que se desenvolveram em contextos de rápida inovação costumam priorizar flexibilidade, propósito e aprendizado contínuo.

No trabalho, isso se traduz em diferenças na forma de:

  • Encarar hierarquia e liderança;
  • Dar e receber feedback;
  • Usar tecnologia;
  • Equilibrar vida pessoal e profissional;
  • Enxergar sucesso e carreira.

As mudanças econômicas e tecnológicas são fatores centrais na formação das gerações. A automação, a internet, as redes sociais, o trabalho remoto e a economia digital transformaram profundamente a maneira como trabalhamos — e cada geração se adaptou a essas mudanças em momentos diferentes da vida.

Quem começou a carreira antes da era digital precisou se adaptar às novas ferramentas. Já quem cresceu com a tecnologia integrada ao cotidiano tende a enxergá-la como algo natural e indispensável. Da mesma forma, crises econômicas, transformações no modelo de emprego e novas formas de trabalho moldaram expectativas sobre estabilidade, lealdade às empresas e crescimento profissional.

Por isso,conhecer as gerações no trabalho, e suas diferenças, não é sobre rotular pessoas, mas sim compreender como experiências coletivas influenciam comportamentos individuais. Esse entendimento é essencial para melhorar a comunicação, fortalecer equipes e construir organizações mais preparadas para o presente e o futuro.

Baby boomers no trabalho

Os baby boomers são pessoas nascidas entre 1946 e 1964, período marcado pelo crescimento populacional após a Segunda Guerra Mundial. Eles se desenvolveram em um contexto de reconstrução econômica, expansão industrial e fortalecimento das grandes organizações, o que influenciou diretamente sua visão sobre carreira e sucesso profissional.

Assim, os baby boomers no trabalho valorizam dedicação, esforço contínuo e compromisso com a empresa. Para muitos dessa geração, o trabalho é uma parte central da identidade pessoal, e jornadas longas ou sacrifícios profissionais eram vistos como necessários para alcançar crescimento e segurança. A experiência acumulada ao longo dos anos é um dos seus maiores ativos.

Em relação à hierarquia, são pessoas que tendem a respeitar estruturas organizacionais mais formais e cadeias claras de comando. Lideranças são associadas à senioridade e ao tempo de casa, e decisões costumam seguir processos bem definidos. Eles se sentem mais confortáveis em ambientes onde papéis e responsabilidades estão claramente estabelecidos.

Quanto à estabilidade e reconhecimento, essa geração valoriza empregos duradouros e relações de longo prazo com as organizações. O reconhecimento costuma ser associado a cargos, títulos, promoções e status profissional, mais do que a feedbacks constantes. Para os baby boomers, ser reconhecido pelo tempo de contribuição e pelos resultados entregues é um sinal importante de respeito e valorização.

Millennials no trabalho

Os millennials, ou geração Y, são pessoas nascidas entre 1981 e 1996. Eles cresceram em um período de transição acelerada, marcado pela popularização da internet, pela globalização e por mudanças significativas no mercado de trabalho, como a diminuição da estabilidade no emprego e o surgimento de novas formas de carreira.

No ambiente profissional, essa geração é associada à busca por propósito. Para os millennials, o trabalho precisa fazer sentido e estar alinhado a valores pessoais, impacto social e oportunidades de aprendizado. O desenvolvimento contínuo é um fator-chave: eles valorizam treinamentos, feedbacks frequentes e possibilidades claras de crescimento, mesmo que isso signifique mudar de empresa ao longo da carreira.

A flexibilidade também é uma expectativa central para os millennials no trabalho. Horários adaptáveis, trabalho remoto ou híbrido e autonomia para organizar a rotina são vistos como elementos que aumentam a produtividade e o bem-estar. Para essa geração, equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é um benefício extra, mas parte essencial da experiência de trabalho.

Em relação à liderança e aos benefícios, os millennials tendem a preferir líderes acessíveis, colaborativos e que atuem como mentores, em vez de figuras autoritárias. Eles esperam transparência, comunicação aberta e reconhecimento constante. Além dos benefícios tradicionais, valorizam iniciativas como programas de desenvolvimento, saúde mental, flexibilidade, diversidade e inclusão, enxergando essas práticas como sinais de uma cultura organizacional moderna e humana.

Geração Z no trabalho

A geração Z é formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Essa é a primeira geração a crescer 100% imersa no ambiente digital, com acesso constante à internet, redes sociais e tecnologias móveis desde a infância. Esse contexto moldou uma forma mais ágil de consumir informação, resolver problemas e se comunicar no ambiente profissional.

O perfil digital é uma das marcas mais fortes da geração Z no mercado de trabalho. Eles aprendem rápido por meio de vídeos curtos, plataformas online e experiências práticas, preferindo conteúdos dinâmicos e interativos. 

Além disso, valorizam a diversidade, tanto em termos de identidade quanto de ideias, enxergando a inclusão como um princípio básico — e não como um diferencial. Dentro da diversidade geracional, tendem a colaborar bem quando encontram ambientes abertos ao diálogo e à troca entre diferentes experiências.

A autonomia também é central para essa geração. Jovens da gen Z esperam ter voz, liberdade para propor soluções e clareza sobre o impacto do que fazem. Estruturas muito rígidas ou excesso de controle tendem a gerar desmotivação, enquanto ambientes que estimulam responsabilidade e protagonismo costumam trazer melhores resultados.

Em relação às novas formas de aprender, trabalhar e se relacionar com a empresa, a geração Z valoriza modelos flexíveis, uso intensivo de tecnologia e aprendizado contínuo integrado à rotina. Eles tendem a criar vínculos com organizações que oferecem transparência, escuta ativa e oportunidades reais de crescimento, reforçando a importância de empresas preparadas para lidar com a diversidade geracional e com as transformações constantes do mundo do trabalho.

Os desafios e oportunidades da convivência entre gerações

A convivência entre diferentes gerações no mesmo ambiente de trabalho traz desafios e oportunidades que impactam a comunicação, a liderança e a cultura organizacional. Estilos distintos de se expressar, dar feedback e tomar decisões podem gerar ruídos, especialmente quando não há clareza ou abertura para o diálogo. Ao mesmo tempo, essa diversidade amplia perspectivas e favorece soluções mais criativas e completas.

Na comunicação, a principal dificuldade está em conciliar preferências: enquanto algumas gerações valorizam interações mais formais e presenciais, outras preferem mensagens rápidas, digitais e objetivas. Por exemplo, os mais velhos podem preferir reuniões presenciais enquanto a geração Y e Z tendem a gostar mais de comunicados via email ou canal de mensagem.

Dessa forma, uma gestão de pessoas multigeracional eficaz reconhece essas diferenças e cria canais variados de comunicação, promovendo entendimento mútuo e reduzindo conflitos desnecessários.

Em relação à liderança, o desafio é equilibrar expectativas distintas sobre autoridade, autonomia e reconhecimento. Líderes precisam adaptar seu estilo, combinando direcionamento claro com escuta ativa e flexibilidade. Quando bem conduzida, a liderança multigeracional fortalece o engajamento, pois consegue oferecer benefícios para diferentes gerações, como estabilidade, desenvolvimento, flexibilidade e propósito.

Há ainda a cultura organizacional, que desempenha um papel central nesse equilíbrio. Empresas que valorizam respeito, aprendizado contínuo e troca de experiências criam ambientes onde gerações diferentes aprendem umas com as outras. 

Lembre-se: equilibrar expectativas no mesmo espaço não significa tratar todos de forma igual, mas sim de forma estratégica e inclusiva, aproveitando o melhor de cada geração para alcançar resultados mais sustentáveis.

O papel do RH na gestão multigeracional

O RH tem um papel estratégico na gestão multigeracional, atuando como ponte entre as diferentes expectativas, valores e formas de trabalhar presentes na organização. Cabe à área de recursos humanos compreender os perfis geracionais, promover o diálogo e criar práticas que estimulem a colaboração, reduzindo conflitos e fortalecendo um ambiente de respeito e aprendizado mútuo.

Um dos principais desafios do RH é a criação de políticas flexíveis e personalizadas. Modelos únicos de jornada, carreira ou avaliação já não atendem à diversidade de necessidades existentes. Ao oferecer alternativas — como trabalho híbrido, diferentes trilhas de desenvolvimento e formatos variados de feedback — o RH contribui para que profissionais de diferentes gerações se sintam valorizados e engajados.

Nesse contexto, os benefícios flexíveis se tornam uma ferramenta essencial. Em vez de pacotes padronizados, a possibilidade de escolha permite que cada pessoa selecione benefícios mais alinhados ao seu momento de vida, como apoio à educação, saúde, bem-estar, mobilidade ou flexibilidade de horário. Isso torna a experiência do colaborador mais relevante e eficiente.

Também é essencial que o time de RH e os demais gestores tenham mecanismos de escuta ativa. Por exemplo, pesquisas de clima organizacional e feedbacks registrados são essenciais para entender quais pontos são necessários otimizar no dia a dia com as diferenças entre as gerações no trabalho.

Leia também: Saiba como fazer uma pesquisa de clima organizacional passo a passo

Ao adotar essas práticas, o RH fortalece a cultura organizacional e aumenta a capacidade da empresa de atrair, reter e desenvolver talentos diversos. Mais do que atender gerações específicas, a gestão multigeracional bem estruturada cria ambientes mais humanos, adaptáveis e preparados para as transformações constantes do mundo do trabalho.

Outras perguntas comuns sobre diferenças entre gerações no trabalho

Quais são as principais diferenças entre gerações no trabalho?

Elas aparecem principalmente nas expectativas sobre carreira, uso da tecnologia, estilo de comunicação, relação com liderança e busca por estabilidade ou flexibilidade.

Como os baby boomers veem carreira e estabilidade?

Valorizam carreiras longas, lealdade à empresa, hierarquia clara e estabilidade como sinal de sucesso e segurança profissional.

O que os millennials esperam das empresas?

Buscam propósito, oportunidades de desenvolvimento, feedback constante, flexibilidade e uma cultura alinhada a valores humanos e sociais.

Como engajar a geração Z no ambiente corporativo?

Oferecendo autonomia, aprendizado contínuo, uso inteligente da tecnologia, diversidade, transparência e espaço para participação ativa.

Conclusão

Entender as diferenças entre gerações no trabalho é essencial para construir ambientes mais inclusivos, produtivos e engajadores. Empresas que reconhecem essas particularidades conseguem criar estratégias mais eficientes de retenção, comunicação e bem-estar.

Quer atender diferentes gerações de forma mais estratégica? Conheça as soluções da Caju e descubra como benefícios flexíveis ajudam sua empresa a engajar todos os perfis de colaboradores.

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê. Acredito que a flexibilidade é fundamental em todos os aspectos da vida, por isso valorizo a liberdade de adaptação, tanto no trabalho quanto no cotidiano.

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