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Institucional

Segundo dia do CONARH 2026: saúde, diversidade e liderança em foco

O segundo dia do CONARH 2026 trouxe discussões que vão muito além das tendências: saúde social, diversidade, sustentabilidade e liderança revelam como o RH pode transformar cultura, relações e desenvolvimento em estratégias para o futuro do trabalho.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 9 minutos

Segundo dia CONARH 2026: principais destaques para o RH

O segundo dia do CONARH 2026 trouxe debates importantes sobre os desafios que estão transformando a gestão de pessoas. Saúde social, pertencimento, diversidade, sustentabilidade e desenvolvimento de lideranças estiveram entre os temas que ganharam destaque na programação.

Direto do CONARH 2026, reunimos os principais insights do segundo dia do evento e mostramos como essas discussões podem ajudar profissionais de RH e organizações a construir ambientes de trabalho mais humanos, estratégicos e preparados para as mudanças do mercado.

 

Saúde social: conexão e pertencimento também fazem parte do bem-estar

Em um cenário em que saúde mental, bem-estar e qualidade de vida ocupam cada vez mais espaço nas estratégias de gestão de pessoas, o CONARH 2026 trouxe uma provocação importante: como estão as conexões humanas dentro das organizações?

Em uma sessão exclusiva para congressistas, a cientista social Kasley Killam apresentou o conceito de saúde social e destacou o papel das relações na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.

Autora do livro Saúde Social: A Arte e a Ciência da Conexão Humana, Kasley defende que a saúde deve ser compreendida a partir de três dimensões igualmente importantes:

  • Saúde física
  • Saúde mental
  • Saúde social

Apesar de receber menos atenção, a saúde social está relacionada à qualidade das conexões humanas e, segundo os estudos apresentados, pode estar associada a aspectos como longevidade, funcionamento do sistema imunológico e saúde cognitiva.

Por que a saúde social importa para o RH?

No ambiente corporativo, a discussão ganha ainda mais relevância.

As formas de trabalho estão mudando, a colaboração é cada vez mais mediada pela tecnologia e as equipes podem estar distribuídas em diferentes espaços. Nesse contexto, pertencer, criar vínculos e estabelecer conexões genuínas também fazem parte da experiência do profissional.

Ao longo da sessão, Kasley destacou três conclusões centrais para o RH:

  • A saúde social é tão importante quanto a saúde física e mental.
  • Líderes e empresas que promovem culturas mais conectadas podem criar ambientes mais favoráveis ao bem-estar.
  • A transformação pode começar nas relações cotidianas, a partir das atitudes de cada pessoa.

A mensagem amplia a visão tradicional sobre bem-estar corporativo. Promover conexão não precisa ser apenas uma iniciativa complementar: pode fazer parte de uma estratégia que envolve experiência do colaborador, retenção, colaboração e desempenho.

No fim, fica uma provocação para as lideranças: que tipo de conexão a sua empresa está ajudando a construir?

➡️ Leia também: Insights do primeiro dia do CONARH 2026

Diversidade ainda é um talento pouco aproveitado pelas empresas

Outro destaque do segundo dia do CONARH 2026 foi a discussão sobre como transformar diversidade, sustentabilidade e cultura em elementos concretos da estratégia empresarial.

Em um Short Talk exclusivo para congressistas, Denis Minev, Diretor Presidente da Bemol, Márcia Gonçalves, Diretora de Gente, Gestão e ESG do Grupo Iquine, e Leandro Miguel, Diretor Comercial da Veja para a América Latina, discutiram como transformar compromissos institucionais em práticas capazes de gerar valor para o negócio.

O ponto de partida foi claro: a transformação precisa acontecer de dentro para fora.

Para Márcia, cuidar das pessoas é um dos principais valores que uma empresa pode construir. Isso significa olhar para toda a experiência do colaborador, desde sua chegada à organização até as oportunidades de desenvolvimento e crescimento ao longo da carreira.

Durante a conversa, Denis Minev chamou atenção para um desafio do mercado brasileiro: apesar da diversidade existente no país, as empresas ainda aproveitam pouco o potencial de diferentes grupos profissionais.

Entre os exemplos estão pessoas indígenas, refugiados e profissionais com mais de 50 anos, que continuam enfrentando barreiras para acessar oportunidades.

Os dados apresentados durante o encontro ajudam a dimensionar esse cenário:

  • 70% das empresas brasileiras contratam pouco ou nenhum profissional com mais de 50 anos
  • Profissionais acima de 50 anos representam apenas 5% da força de trabalho nas organizações
  • Entre refugiados, currículos podem ser descartados por falta de conhecimento sobre os processos de contratação
  • Uma pesquisa da UnB com recrutadores de São Paulo identificou a percepção equivocada de que contratar refugiados seria mais burocrático ou até mesmo ilegal

Para Denis, ampliar a diversidade não representa apenas uma agenda de inclusão. Também é uma oportunidade para as empresas ampliarem seu repertório, sua capacidade de resolver problemas e seu potencial de inovação.

➡️Saiba mais: Economia prateada: o que é e qual o seu impacto?

Como transformar diversidade em parte da cultura organizacional?

Para que a diversidade gere impacto, não basta aumentar a representatividade nos processos seletivos. O tema precisa fazer parte da cultura organizacional e das decisões da empresa.

Leandro destacou que ambientes diversos podem ampliar a capacidade analítica das organizações, desde que diferentes perspectivas tenham espaço real para participar das discussões.

Na prática, isso envolve:

  • Construir ambientes verdadeiramente diversos
  • Incorporar a diversidade à cultura organizacional
  • Criar espaço para diferentes perspectivas
  • Considerar essas perspectivas na tomada de decisão
  • Envolver as lideranças na construção e sustentação dessa cultura

Assim, diversidade deixa de ser apenas uma meta de contratação e passa a fazer parte da forma como a organização pensa, decide e trabalha.

Sustentabilidade precisa estar presente em toda a organização

A discussão sobre diversidade também se conectou à sustentabilidade.

A partir da experiência internacional da Veja, Leandro destacou que uma estratégia consistente depende de um princípio semelhante: sustentabilidade não pode ficar restrita a uma área específica da empresa.

Na prática, isso significa levar o tema para diferentes áreas, processos e níveis de decisão. Mais do que criar iniciativas isoladas, é necessário fazer com que a sustentabilidade esteja presente na rotina e seja considerada pelas lideranças.

Quando passa a integrar a cultura organizacional, a sustentabilidade deixa de ser apenas um compromisso institucional e começa a influenciar decisões concretas do negócio.

Desenvolvimento de lideranças: mais do que treinamento, é preciso gerar impacto

O segundo dia do CONARH 2026 também colocou em pauta um dos grandes desafios do RH: preparar líderes para um mercado de trabalho em transformação.

Na palestra “Desenvolvimento de lideranças para o futuro do trabalho”, Karen Spencer, doutora em Administração pela FGV-EAESP, apresentou os resultados da pesquisa “Panorama de Programas de Desenvolvimento de Lideranças 2026”, realizada pela FGV com 133 respondentes de 124 organizações.

Os dados mostram que as empresas reconhecem a importância do desenvolvimento de lideranças, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar programas de treinamento em resultados concretos.

Em 2026, 67,7% das organizações afirmam ter programas estruturados de desenvolvimento, percentual abaixo dos 71,4% registrados no ano anterior.

O porte da empresa também influencia esse cenário. Entre organizações com mais de 5 mil colaboradores, a presença de programas estruturados chega a 92,9%.

Mas estruturar um programa é apenas o primeiro passo.

Quais são os principais desafios no desenvolvimento de lideranças?

A pesquisa apresentada por Karen Spencer aponta cinco pontos de atenção para as empresas:

1. Diagnóstico de competências

Identificar corretamente as competências necessárias e os gaps individuais continua sendo um desafio para as organizações.

2. Aplicação prática

O conhecimento adquirido em treinamentos precisa ser convertido em comportamentos e experiências aplicáveis à rotina. Sem essa conexão, o aprendizado pode não gerar impacto efetivo.

3. Sucessão

Mais horas de treinamento não significam, necessariamente, uma preparação mais rápida de sucessores. O desenvolvimento precisa estar relacionado às posições críticas e às necessidades futuras da organização.

4. Mensuração de resultados

Avaliar o ROI dos programas de desenvolvimento ainda é um dos pontos frágeis para muitas empresas. Medir participação e horas de treinamento não é suficiente para entender o impacto do investimento.

5. Conexão com a estratégia

Desenvolvimento, carreira, sucessão e necessidades do negócio precisam caminhar juntos para que a formação de líderes esteja alinhada aos objetivos da organização.

Mais treinamento não significa, necessariamente, mais desenvolvimento

A evolução da carga horária apresentada pela pesquisa ajuda a ilustrar esse desafio.

Entre os High Potentials, a carga anual de treinamento passou de 26 para 40 horas. Ao mesmo tempo, C-Level e supervisores/coordenadores registraram redução.

O dado reforça uma questão central apresentada durante a palestra: o indicador mais importante não é apenas quanto se treina, mas para que e com qual impacto.

O desenvolvimento precisa estar conectado a posições críticas, gaps reais de competências e critérios de sucessão. Dessa forma, o treinamento deixa de ser uma iniciativa isolada e passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de formação de lideranças.

O que o segundo dia do CONARH 2026 revela sobre o futuro do RH?

Os debates do segundo dia do CONARH 2026 mostram que o futuro da gestão de pessoas passa por uma visão cada vez mais integrada.

De um lado, a discussão sobre saúde social reforça que conexão e pertencimento também fazem parte da experiência dos profissionais.

De outro, diversidade e sustentabilidade precisam deixar de ser iniciativas isoladas e passar a integrar a cultura e as decisões do negócio.

Já o desenvolvimento de lideranças mostra que investir em treinamento não basta: é necessário conectar competências, experiência prática, sucessão e estratégia.

Em comum, os temas apontam para uma mesma direção: o RH precisa criar ambientes em que pessoas e negócios possam evoluir juntos.

Esse talvez seja o principal aprendizado do segundo dia do evento: o futuro do trabalho não será construído apenas por novas tecnologias, mas também pela capacidade das organizações de fortalecer relações, ampliar perspectivas, desenvolver pessoas e transformar cultura em prática.

Acompanhe o CONARH 2026 com a Caju

O Palco Cajuína também recebeu sua própria programação, reunindo gestores de RH de grandes empresas como Vivo, QuintoAndar, Grupo Boticário e Wellhub, entre outros nomes, para trocar experiências reais sobre os desafios de quem lidera pessoas nas maiores companhias do país. Mais uma vez, o palco reforça seu papel como ponto de encontro entre teoria e prática para quem faz o RH acontecer.

Se você está no evento, venha até o estande da Caju bater um papo com o nosso time. Se não deu para estar presente, ainda dá tempo de acompanhar tudo pela live do Palco Cajuína.

👉 Assista à live do Palco Cajuína 

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê.

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