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Institucional

Terceiro dia do Conarh 2026: os aprendizados que ficam para o RH

O terceiro dia do Conarh 2026 trouxe reflexões sobre liderança, aprendizagem contínua, propósito e bem-estar. Descubra os principais insights do evento e entenda o que o RH pode levar dessas discussões para as organizações.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 9 minutos

O terceiro dia do CONARH 2026 marcou o encerramento da 52ª edição do maior evento de RH da América Latina. Nesta quinta-feira (20), o São Paulo Expo recebeu as últimas rodadas de painéis e apresentações do evento, fechando três dias de discussões sobre inteligência artificial, liderança, cultura organizacional e o futuro do trabalho.

Confira os principais insights do último dia.

Organizações adaptativas: por que aprender continuamente será essencial

Em um painel exclusivo para congressistas, mediado por Silvana Aquino, da Diretoria Brasil Originário da ABRH Brasil, Manoela Mitchell, CEO e cofundadora da Pipo Saúde, e Melina López, Gerente de Marketing de Desenvolvedores para a América Latina do Google Cloud, discutiram uma questão central para o futuro do trabalho: o que diferencia as organizações capazes de se adaptar mais rapidamente?

A resposta passa diretamente pela capacidade de aprender.

Melina trouxe um dado do Fórum Econômico Mundial para dimensionar a velocidade dessa transformação: até 2030, 39% das habilidades exigidas atualmente no mercado de trabalho serão transformadas ou se tornarão obsoletas.

O cenário mostra que aprendizagem contínua deixa de ser apenas um diferencial e passa a ser uma competência essencial para profissionais e organizações.

A capacidade de adaptação começa pelas pessoas

Para Manoela, mais importante do que dominar uma habilidade específica é desenvolver uma disposição genuína para aprender e se adaptar.

Uma organização só consegue mudar de maneira consistente quando as pessoas que fazem parte dela também estão dispostas a mudar.

Por isso, construir uma empresa adaptativa não significa apenas implementar novas tecnologias ou alterar processos. A transformação depende de pessoas preparadas para aprender e participar ativamente das mudanças.

Essa visão coloca o desenvolvimento de pessoas no centro da estratégia de adaptação das empresas.

Como criar uma organização realmente adaptativa?

Segundo Melina, um dos primeiros passos é desenvolver a capacidade interna dos próprios colaboradores de aprender.

Ela citou que 41% dos profissionais de empresas de tecnologia já desenvolvem habilidades por conta própria, fora dos programas formais oferecidos pelas empresas.

O dado mostra que a aprendizagem não acontece apenas dentro de treinamentos corporativos. Profissionais também buscam, de maneira autônoma, conhecimentos que consideram importantes para sua carreira.

Para o RH, isso representa uma oportunidade: como transformar essa disposição individual para aprender em uma capacidade organizacional?

➡️ Saiba mais: Comportamento organizacional: entenda o que é, qual a sua importância e como analisar

Mudança precisa ser construída com os colaboradores

Para Manoela, a adaptação também depende da maneira como a mudança é comunicada.

As pessoas precisam enxergar a transformação como algo que pode gerar benefícios para todos, e não simplesmente como uma imposição da empresa.

Quando os colaboradores entendem seu papel no processo, deixam de ser espectadores e passam a participar efetivamente da transformação.

Nesse cenário, a comunicação das lideranças ganha importância. É responsabilidade dos líderes explicar por que a mudança é necessária, mostrar seus impactos e criar condições para que as equipes desenvolvam novas competências.

O papel da liderança na adaptação

A capacidade de adaptação de uma organização passa, necessariamente, pelo desenvolvimento de suas lideranças.

Segundo Manoela, os líderes precisam comunicar a importância das mudanças e reforçar a necessidade de adaptabilidade e aprendizagem contínuas.

Isso significa que o papel da liderança também está mudando.

Mais do que conduzir equipes em cenários estáveis, líderes precisam ajudar as pessoas a navegar pela incerteza, desenvolver novas habilidades e encontrar oportunidades em meio às transformações.

Para o RH, isso reforça a importância de conectar desenvolvimento de lideranças, aprendizagem e estratégia de negócio.

➡️Vale o clique: Conheça a série que prepara líderes para o futuro do trabalho

O futuro do trabalho continua sendo sobre pessoas

Na segunda palestra do dia, Luis Justo, CEO da Rock World, responsável por eventos como Rock in Rio, The Town e Lollapalooza, levou ao palco uma reflexão sobre liderança, propósito e as habilidades necessárias para transformar ideias em realidade.

A partir da experiência à frente de grandes eventos, Luis destacou que toda crise carrega, ao mesmo tempo, um risco e uma oportunidade.

Para ele, reconhecer a vulnerabilidade é parte importante do exercício da liderança. Líderes e liderados estão sujeitos a incertezas e adversidades, e reconhecer essa condição pode ajudar a encontrar caminhos para superar os desafios.

Propósito ajuda a transformar ideias em realidade

Luis recuperou a origem do Rock in Rio para mostrar como um propósito pode mobilizar pessoas.

O festival nasceu da vontade de usar a música, uma linguagem universal, para mostrar que o Brasil seria capaz de sediar um dos maiores eventos musicais do mundo.

A ideia começou como um grande sonho e, com o envolvimento de equipes e lideranças, transformou-se em uma experiência capaz de mobilizar milhões de pessoas.

A reflexão também vale para as empresas: quando colaboradores entendem que fazem parte de algo maior, o trabalho pode ganhar mais significado e gerar maior engajamento.

Por isso, o propósito não deve existir apenas no discurso institucional. Ele precisa ser compreendido e vivido pelas pessoas que fazem parte da organização.

O líder do futuro precisa saber escutar

Outro ponto central da palestra foi a importância da escuta ativa.

Para Luis, o bom líder é cada vez mais aquele que faz perguntas melhores, em vez de acreditar que precisa ter todas as respostas.

Essa mudança de postura é especialmente relevante em ambientes que precisam inovar.

Sem escuta, lideranças podem perder informações importantes que estão na ponta, dificultar a identificação de problemas e limitar a participação das equipes.

Por outro lado, líderes que criam espaço para perguntas, ideias e diferentes perspectivas ajudam a construir ambientes mais colaborativos.

Comunidade no trabalho: pertencimento vai além da comunicação

Outro destaque do terceiro dia do CONARH 2026 foi o painel “Criando Comunidade, Transformando Percepção e Gerando Valor”, com Kueynislan Teodósio, Head de Marketing da Integra Saúde, Camila de Lira, Editora-chefe da Fast Company Brasil, e Viviane Miranda, conhecida como Aquela Miranda, Creator e Comediante.

A principal provocação foi a diferença entre audiência e comunidade. Para o RH, ter uma audiência significa comunicar, informar e envolver colaboradores em campanhas e iniciativas. Já uma comunidade pressupõe troca, identificação e senso de pertencimento.

Camila de Lira destacou que transformar colaboradores em embaixadores da marca só funciona quando existe autenticidade. Não basta incentivar as pessoas a falar sobre a empresa: é preciso que elas realmente tenham uma boa experiência e se sintam parte dela.

Para o RH, isso significa criar condições para que o senso de comunidade se desenvolva na prática. Entre os caminhos discutidos estão:

  • Criar espaços de conexão entre colaboradores
  • Promover iniciativas de bem-estar físico e mental
  • Estimular a troca e a participação das pessoas
  • Transformar colaboradores em participantes ativos da cultura
  • Garantir que discurso e prática estejam alinhados
  • Construir uma experiência de trabalho que gere identificação e pertencimento

No fim, a diferença pode ser simples: audiência acompanha; comunidade participa. E é esse sentimento de pertencimento que pode transformar engajamento em uma relação mais genuína com a organização.

Benefícios de verdade começam no prato 

O terceiro dia do Conar trouxe uma reflexão que vai muito além da alimentação: o papel das empresas na promoção da saúde, do bem-estar e da autonomia das pessoas. Em sua participação, Rita Lobo, criadora do Panelinha e defensora da chamada “comida de verdade”, mostrou como escolhas alimentares e mudanças de hábitos podem impactar diretamente a qualidade de vida.

Um dos pontos destacados por Rita foi a relação entre saber cozinhar e ter autonomia. Para ela, aprender a preparar a própria comida representa muito mais do que adquirir uma habilidade doméstica: significa ampliar a capacidade de fazer escolhas no dia a dia.

Essa ideia pode ser transportada para o ambiente corporativo. Assim como o conhecimento sobre alimentação permite que uma pessoa faça escolhas mais conscientes, o desenvolvimento de competências permite que profissionais tenham mais autonomia para tomar decisões, resolver problemas e conduzir suas próprias carreiras.

Nesse sentido, o RH pode atuar não apenas oferecendo treinamentos, mas criando oportunidades para que as pessoas desenvolvam conhecimentos e habilidades que ampliem sua autonomia.

O papel do RH na promoção de hábitos mais saudáveis

A discussão sobre alimentação saudável também reforça uma questão cada vez mais relevante para as organizações: como o RH pode contribuir para a saúde e o bem-estar dos colaboradores?

A promoção de hábitos saudáveis não precisa se limitar a campanhas pontuais. O RH pode atuar na construção de um ambiente que facilite escolhas mais equilibradas e incentive uma maior consciência sobre saúde e qualidade de vida.

Algumas estratégias podem incluir:

  • Oferecer opções de alimentação saudável nos espaços da empresa
  • Promover ações de educação e conscientização sobre alimentação
  • Revisar benefícios relacionados à alimentação e à saúde
  • Estimular pausas adequadas durante a jornada de trabalho
  • Desenvolver programas de qualidade de vida
  • Incentivar hábitos que contribuam para a saúde física e mental
  • Comunicar de forma clara os recursos disponíveis aos colaboradores

A lógica é simples: não basta falar sobre saúde; é preciso criar condições para que as pessoas possam cuidar dela.

O que o terceiro dia do Conar deixa para o RH?

Os debates do terceiro dia do Conarh 2026 mostraram que o futuro do trabalho será marcado por mudanças constantes, mas também por uma necessidade cada vez maior de colocar as pessoas no centro das decisões. Aprendizagem contínua, liderança, propósito, escuta, comunidade, bem-estar e autonomia apareceram como elementos conectados de uma mesma agenda: construir organizações mais preparadas para mudar sem perder sua dimensão humana.

Para o RH, o principal desafio é transformar esses conceitos em práticas concretas. Isso significa desenvolver pessoas, preparar líderes para conduzir mudanças, criar ambientes que favoreçam o bem-estar e fortalecer uma cultura na qual os colaboradores tenham espaço para participar e construir.

Ao encerrar o terceiro dia do Conarh 2026, fica uma provocação para o RH: diante de tantas transformações, será que estamos apenas preparando as pessoas para o futuro ou estamos, de fato, criando organizações nas quais elas tenham condições de construir esse futuro?

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê.

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