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Cultura organizacional

Retenção de talentos: o que é, como calcular e estratégias que funcionam na prática

A retenção de talentos é um desafio constante das organizações. Entender como realizar ações práticas para manter os melhores talentos é o primeiro passo para um RH mais estratégico.

Criado em

Atualizado em

por Izabela Linke

Leia em 14 minutos

Se você faz parte do setor de Recursos Humanos da sua empresa, sabe que a retenção de talentos é um tema que nunca sai de pauta.

Significa mais do que apenas manter os recursos e o andamento da empresa, porque um bom profissional custa muito menos do que perdê-lo. 

A SHRM (Society for Human Resource Management) estima que a substituição de um colaborador pode custar entre 50% e 200% do salário anual da posição. E isso falando apenas do financeiro, sem considerar o conhecimento que vai embora junto com o colaborador. 

Para o RH, entender como a retenção de talentos importa para a saúde da empresa como um todo é o primeiro passo de uma jornada de conhecimento e atuação. 

E, neste artigo, você vai encontrar uma base de dados atualizada, estratégias, práticas e dicas reais para que a retenção de talentos não seja um problema para a sua empresa. 

Acompanhe!

O que é retenção de talentos e por que ela importa tanto para o RH?

Retenção de talentos é o conjunto de estratégias e práticas que uma organização adota para manter os colaboradores engajados, satisfeitos e com vontade de continuar. 

O que torna isso estratégico, e não apenas operacional, é o impacto direto no resultado do negócio. Times instáveis têm dificuldade de manter ritmo, entregar com consistência e acumular conhecimento institucional. Cada saída interrompe um ciclo e reinicia outro, que custa caro e em vários sentidos.

No Brasil, o custo envolvido na perda de talentos faz com que o país lidere um ranking global de turnover e rotatividade, com uma taxa de 56% de aumento em relação ao período pré-pandemia, segundo levantamento da Robert Half divulgado pela revista Exame. O mesmo estudo ainda mostra que, em setores como serviços e varejo, a rotatividade ultrapassa 80% ao ano.

Retenção x atração de talentos: qual a diferença?

Por vezes, os dois termos são utilizados como sinônimos de ação de manter profissionais na empresa, mas conceitualmente são diferentes. 

  • Atração é o esforço para trazer boas pessoas para dentro; 
  • Enquanto a retenção é o esforço para que elas queiram continuar. 

As duas são importantes, mas as empresas tendem a investir muito mais na primeira e subestimar a segunda. Ou, pelo menos, até que o engajamento de funcionários caia e o turnover vire uma crise para a organização..

Basicamente, uma estratégia de atração bem-sucedida traz pessoas alinhadas com a cultura e com expectativas realistas. Agora, uma estratégia de retenção bem-sucedida mantém essas pessoas por tempo suficiente para que gerem valor de verdade. E, mais: para que queiram continuar.

Quanto custa perder um bom colaborador?

Os custos de uma demissão são mais amplos do que aparecem no orçamento. Há os custos diretos, como rescisão, recrutamento, processos seletivos, onboarding, treinamento. 

Mas há também os indiretos, como a sobrecarga do time que absorve as demandas, a queda de produtividade durante a vaga aberta, o tempo até o novo colaborador atingir plena capacidade e o impacto no moral da equipe.

O custo real da rotatividade raramente aparece de maneira consolidada no planejamento financeiro da empresa, mas com certeza está lá. De acordo com levantamento apresentado na revista Forbes, o custo da saída de um líder, por exemplo, pode custar entre R$ 240 mil e R$ 9,3 milhões para as empresas.

Se considerarmos esse contexto, a retenção de talentos, então, se torna também uma estratégia para garantir a saúde financeira da empresa.

Como calcular a taxa de retenção de talentos

Mas como saber o quanto a empresa está retendo talentos e quando essa taxa se torna uma preocupação para o RH?

Sim, utilizando métricas. Nesse caso, a taxa de retenção

A taxa de retenção mede a proporção de colaboradores que permanece na empresa durante um período (que pode ser anual, semestral, bianual, ou outra medida de acordo com a estrutura da empresa). É o indicador inverso e complementar ao de turnover.

Para calcular, utilize a seguinte fórmula:

Taxa de retenção = (colaboradores ao final do período ÷ colaboradores no início do período) × 100

Para ficar mais simples a compreensão, temos um exemplo.

Imagine que uma empresa começa o semestre com 200 colaboradores e termina com 180. O cálculo fica assim:

180 ÷ 200 = 0,9 × 100 = 90% de taxa de retenção

Como saber se a minha taxa de retenção está saudável?

De maneira geral, o mercado considera como saudável uma taxa de turnover próxima a 10% ao ano. No caso da taxa de retenção, o número deve ser próximo a 90%. 

Abaixo disso, é sinal de que algo precisa de atenção. Mas o importante é entender que não existe hoje uma métrica universal, cada setor tem suas particularidades. 

Por exemplo, a taxa de retenção de setores que trabalham muito com vendas é historicamente menor do que grandes indústrias, onde as pessoas costumam passar muitos anos trabalhando. 

Além da taxa de retenção, existem outras métricas que devem ser acompanhadas periodicamente. São elas:

  • Turnover voluntário: quando o colaborador pede demissão. É o mais sensível, porque indica problemas diretos entre funcionário e estrutura da empresa;
  • eNPS (Employee Net Promoter Score): mede a disposição do colaborador de recomendar a empresa como lugar para trabalhar. É um termômetro de engajamento e pertencimento;
  • Absenteísmo: ausências frequentes podem sinalizar desengajamento ou adoecimento antes que o desligamento aconteça;
  • Tempo médio de permanência: como o nome sugere, indica a média de tempo que um profissional permanece na empresa. Quanto mais baixo, mais necessário se torna investigar os motivos.

Por que colaboradores pedem demissão? As causas mais comuns

Para aumentar a retenção de talentos, o RH precisa entender a fundo quais motivos levam os funcionários a pedirem demissão. 

Uma pesquisa da Gallup aponta, por exemplo, que 75% dos profissionais consideram pedir demissão por conta do relacionamento com a liderança direta.

Existem outras causas comuns para o desligamento voluntário dos colaboradores. Vamos falar sobre as principais a seguir. 

Falta de perspectiva de crescimento

Quando o colaborador não enxerga um caminho dentro da empresa, começa a olhar para fora. A ausência de plano de carreira claro e de conversas sobre desenvolvimento é um dos principais fatores de saída. 

O Workmonitor 2025 aponta que 31% dos profissionais deixam seus empregos por falta de oportunidades claras de progressão.

Remuneração e benefícios abaixo do mercado

Um salário competitivo é necessário, claro, mas não é mais suficiente. É necessário pensar em benefícios corporativos interessantes para os funcionários, que complementam a renda e permitem experiências melhores. 

Segundo a pesquisa “Benefícios Corporativos 2025” da Robert Half revelou que 76% dos colaboradores gostariam de alterar seu pacote de benefícios e 84% desejam personalizar as próprias escolhas. Apenas 21% têm essa possibilidade hoje. 

Clima organizacional e cultura tóxica

O mesmo estudo do Workmonitor 2025 aponta que 44% dos profissionais que pediram demissão atribuíram a saída à cultura organizacional considerada tóxica. 

Ambientes marcados por sobrecarga, ausência de segurança psicológica e comunicação falha produzem adoecimento, e adoecimento gera turnover.

Ainda, com a nova norma NR-01, ambientes de trabalho que geram riscos psicossociais para os trabalhadores também são passíveis de multas e sanções trabalhistas. 

Ausência de reconhecimento

Reconhecimento envolve feedback, visibilidade e a percepção de que o trabalho importa. E, claro, bônus e recompensas financeiras.

Quando o esforço passa despercebido, o engajamento cai de forma silenciosa e progressiva.

8 estratégias de retenção de talentos que funcionam em 2026

No processo de reter talentos, não existe uma fórmula única que garanta 100% de eficiência em todas as empresas. Mas existe um conjunto de práticas que, combinadas, fazem a diferença.

A seguir, apresentamos 8 estratégias com aplicações reais, para empresas de diferentes tamanhos. Leia, entenda os detalhes, faça adequações para a realidade do seu ambiente de trabalho e confira os benefícios a médio e longo prazo. 

1. Benefícios corporativos competitivos e flexíveis

Como vimos, os benefícios corporativos para retenção de talentos deixaram de ser um complemento e passaram a ser um critério de permanência. 

Benefícios flexíveis, que permitem ao colaborador alocar o valor de acordo com a própria necessidade, respondem melhor aos diferentes perfis e momentos de vida. 

De acordo com o Panorama do RH 2026 da Caju, produzido a partir da análise de dados de mais de 59 mil empresas clientes, mostra que 58% dos depósitos de saldo de reconhecimento são registrados como premiação por destaque, sinal de que as empresas estão usando benefícios de uma maneira cada vez mais intencional como ferramenta de retenção e reconhecimento.

2. Plano de carreira e desenvolvimento contínuo

Colaboradores que enxergam um caminho dentro da empresa ficam mais. O plano de carreira precisa ser uma conversa honesta sobre onde a pessoa está, onde quer chegar e o que precisa desenvolver para a empresa proporcionar isso,

Ferramentas como o plano de desenvolvimento individual (PDI) estruturam essa conversa de forma prática, com metas, prazos e ações concretas de capacitação. Programas de mentoria e patrocínio interno também aceleram o desenvolvimento de profissionais com potencial.

3. Reconhecimento e premiação estruturados

Reconhecimento precisa ser sistemático, com critérios e frequência determinados e documentados. 

E não pense que estamos falando exclusivamente de reconhecimentos financeiros. Elogios também são maneiras de reconhecer a evolução dos funcionários.

Profissionais de alto desempenho são os que mais recebem ofertas de mercado. Se o reconhecimento interno não acompanhar esse ritmo, a retenção desse grupo fica comprometida.

4. Cultura organizacional saudável

Cultura é o que acontece no dia a dia da empresa e que mantém as relações trabalhistas saudáveis. 

Uma cultura tóxica, em que o espaço de trabalho não é democrático, aberto às diferenças e crítica, sem comunicação clara e efetiva, é uma das principais causas de desligamento voluntário. 

Aqui na Caju, temos uma categoria inteira de conteúdos educativos sobre cultura organizacional, ideais para os profissionais de RH que desejam aprimorar esse aspecto nas empresas. Confira aqui!

5. Liderança humanizada e empática

Liderança é o principal mediador entre a empresa e o colaborador. Até porque, como vimos, o relacionamento com a gestão é o principal fator para demissões voluntárias nas empresas. 

Um gestor que desenvolve pessoas e cria um ambiente psicologicamente seguro contribui, e muito, para a retenção de talentos.

O employer branding começa aí, na experiência cotidiana do colaborador com seu gestor direto.

6. Flexibilidade de jornada e modelo de trabalho

Flexibilidade passou a ser expectativa na busca por novas posições. A pesquisa da Serasa Experian de 2026 revela que a Geração Z prioriza home office e modelos híbridos como critério de permanência. 

Mas não é só uma questão geracional. A possibilidade de organizar a própria jornada impacta diretamente no bem-estar e na produtividade das pessoas, por isso, oferecer flexibilidade de jornada de trabalho é um grande diferencial competitivo.

7. Saúde mental como prioridade estratégica

A atualização da NR-01 tornou obrigatória a avaliação e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Mas cuidar da saúde mental dos colaboradores é uma estratégia de retenção com retorno mensurável. 

Inclusive, um levantamento da Zenklub, plataforma de saúde mental, aponta que profissionais com acesso a suporte de saúde mental tendem a permanecer até 30% mais tempo nas empresas.

8. Comunicação interna clara e frequente

Comunicação interna consistente exige regularidade e honestidade. Colaboradores que entendem para onde a empresa está indo e qual é o papel deles nessa trajetória tendem a se sentirem mais seguros e engajados. 

A falta de transparência cria ruído, rumores e a percepção de que a pessoa não pertence de verdade ao lugar.

Retenção de talentos e gerações: o que muda para a Gen Z e Millennials

Hoje, o mercado de trabalho brasileiro convive com pelo menos três gerações ativas nas empresas: Baby Boomers, Millennials e Geração Z. 

Cada geração possui uma maneira de enxergar o mundo e de vivenciar o mercado de trabalho.

Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012)

Essa é a geração mais inclinada a deixar o emprego. O Relatório Global de Tendências 2025 da ManpowerGroup mostrou que 47% dos profissionais da Gen Z consideram sair de forma voluntária nos próximos seis meses. 

O que os retém: propósito alinhado com valores pessoais, feedback frequente, crescimento claro e flexibilidade. 

Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) 

Ocupam hoje grande parte das posições intermediárias de gestão, e estão sob pressão crescente. A mesma pesquisa da ManpowerGroup aponta que 53% dos gestores Millennials relatam estresse diário alto ou moderado, e 27% afirmam que provavelmente deixarão suas funções nos próximos seis meses. 

O que os retém: progressão de carreira com autonomia, reconhecimento financeiro e pertencimento a organizações que praticam o que dizem sobre cultura e valores. 

A partir desses dados, fica claro que a retenção de talentos depende também da personalização da experiência de trabalho para diferentes gerações. 

Como criar um programa de retenção de talentos na prática

Um programa de retenção não precisa começar grande. Precisa começar certo, com diagnóstico antes da ação.

Em 4 passos práticos, vamos ensinar a montar um programa de retenção, que vale para todos os tipos de empresas.

  • Passo 1 – Diagnóstico: entenda onde a insatisfação está. Use pesquisas de clima, conversas individuais, análise de desligamentos e eNPS. Olhe para os dados segmentados por área, nível hierárquico e geração;
  • Passo 2 – Priorização nem tudo pode ser resolvido ao mesmo tempo, especialmente com orçamento limitado. Identifique quais são os fatores com maior impacto nos desligamentos e comece por eles;
  • Passo 3 – Ação com responsável e prazo: cada iniciativa precisa de um dono, um prazo e uma maneira de medir o resultado. Sem isso, o programa vira intenção;
  • Passo 4 – Monitoramento contínuo: retenção de talentos é uma prática contínua de escuta, ajuste e melhoria. Monitore os indicadores mensalmente, refaça a pesquisa de clima periodicamente e revise as práticas sempre que os dados sinalizarem mudança. 

Reter talentos começa com uma pergunta honesta

O que o seu time realmente valoriza? Muitas vezes, a resposta pode estar nos benefícios ofertados, que vão além das obrigatoriedades previstas em lei.

A Caju ajuda empresas de todos os tamanhos a montar, gerir e personalizar os benefícios dos seus colaboradores em uma plataforma integrada, com total controle para o RH e liberdade real para quem usa.

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Dúvidas frequentes sobre retenção de talentos

O que é retenção de talentos?

É o conjunto de estratégias e práticas que uma organização adota para manter seus colaboradores engajados, satisfeitos e com vontade de continuar. 

Qual a diferença entre retenção e atração de talentos?

Atração é o esforço para trazer boas pessoas para dentro da empresa. Retenção é o esforço para mantê-las. As duas ações se complementam e devem andar juntas para o melhor aproveitamento dos talentos nas empresas.

Como o RH pode promover a retenção de talentos de forma prática?

Com diagnóstico (pesquisa de clima, análise de desligamentos, eNPS), priorização das causas mais críticas de saída, ações concretas com responsável e prazo, e monitoramento contínuo dos indicadores.

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Izabela Linke

Conteúdo

Jornalista, redatora e revisora que adora ouvir e contar histórias. Cuidando do marketing de conteúdo da Caju, tem como missão levar informação de valor para a área de gestão de pessoas e contribuir para um mercado cada vez mais inovador e humano.

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