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Riscos psicossociais e NR-1: o que o RH precisa saber

Com a NR-1, os riscos psicossociais, como estresse, assédio e sobrecarga, devem ser gerenciados. Empresas têm obrigação legal de promover a saúde mental, prevenindo adoecimentos e garantindo um ambiente de trabalho seguro e saudável.

Criado em

Atualizado em

por Cecilia Alberigi

Leia em 11 minutos

A saúde mental deixou de ser um tema sussurrado nos corredores das empresas e ganhou espaço nas mesas de decisão. O aumento das discussões sobre riscos psicossociais no trabalho revela um novo olhar sobre produtividade: não basta entregar resultados, é preciso sustentar pessoas inteiras — emocional, psicológica e socialmente. Inclusive, o Brasil é tido como sendo o segundo país com mais casos de burnout no mundo, perde só para o Japão.

Foi diante desse cenário que a NR-1 evolui e agora acompanha a mudança de mentalidade. Ao estruturar diretrizes mais claras, a pauta de NR-1 e riscos psicossociais marca um avanço importante: reconhecer, avaliar e gerenciar fatores como estresse, pressão e assédio passa a ser parte essencial da gestão de segurança e saúde ocupacional.

O que você precisa saber sobre o tema? É só seguir lendo!

O que é a NR-1 e qual seu papel nas empresas

A NR-1 é a base de todas as normas de segurança e saúde no trabalho no país. Para entender o que é NR-1, basta pensar nela como a diretriz que orienta empresas a identificar perigos, avaliar riscos e adotar medidas preventivas, estruturando o gerenciamento de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) de forma contínua e organizada.

Com sua atualização recente, a norma ganhou ainda mais relevância ao ampliar o olhar sobre o ambiente corporativo, incluindo de forma mais clara os fatores de risco psicossocial. Assim, questões como estresse, assédio e sobrecarga passam a ser tratadas com a mesma seriedade que riscos físicos, fortalecendo uma gestão mais completa, preventiva e alinhada às demandas atuais do trabalho.

Lembrando que a atualização da NR-1 sobre riscos psicossociais aconteceu em agosto de 2024. Já a entrada em vigor das principais mudanças — incluindo esses riscos — está prevista para 26 de maio de 2026.

O que são riscos psicossociais no ambiente de trabalho

Os riscos psicossociais no ambiente corporativo dizem respeito a fatores da organização do trabalho, das relações interpessoais e da cultura da empresa que podem afetar a saúde mental no trabalho. Eles têm ganhado cada vez mais atenção dentro das diretrizes da NR-1, veja como identificar riscos psicossociais na prática:

Estresse excessivo

O estresse se torna um risco quando deixa de ser pontual e passa a ser constante. Por exemplo, quando o colaborador trabalha sob pressão contínua, com metas agressivas e prazos irreais, sem tempo adequado para recuperação.

Na prática, sinais comuns incluem irritabilidade, queda de desempenho, ansiedade e até afastamentos frequentes. Um ambiente que normaliza o “viver no limite” tende a estar adoecendo silenciosamente sua equipe.

Sobrecarga de trabalho

A sobrecarga ocorre quando há um volume de tarefas maior do que a capacidade real de execução dentro da jornada, e costuma vir tanto de excesso de demandas quanto da falta de recursos ou equipe suficiente. Por exemplo, quando alguém sai de licença mais longa e as tarefas simplesmente são jogadas para outras pessoas do time.

Outra situação clássica é o profissional que precisa assumir múltiplas funções ou constantemente estender sua jornada para dar conta de tudo. Com o tempo, isso leva à exaustão, erros frequentes e sensação de incapacidade.

Assédio moral

O assédio moral envolve comportamentos repetitivos que expõem o trabalhador a situações humilhantes, constrangedoras ou abusivas. Pode vir de líderes ou colegas, muitas vezes de forma sutil, mas contínua.

Exemplos incluem críticas públicas constantes, isolamento intencional, cobranças desproporcionais ou desqualificação do trabalho. Esse tipo de prática corrói a autoestima e pode gerar sérios danos psicológicos.

Falta de autonomia

A falta de autonomia acontece quando o colaborador não tem liberdade para tomar decisões básicas sobre seu próprio trabalho, mesmo sendo responsável por ele.

Na prática, isso aparece em ambientes excessivamente controladores, com microgestão constante, nos quais a figura do “chefe”, que fica em cima a todo momento, é mais comum do que a liderança que engaja pelo exemplo. O resultado costuma ser desmotivação, insegurança e baixa criatividade, já que o profissional sente que não confia em sua capacidade.

Ambiente organizacional tóxico

Um ambiente tóxico é marcado por relações negativas, falta de respeito, comunicação agressiva ou ausência de apoio entre equipes e lideranças.

Exemplos incluem cultura de culpa, competição desleal, fofocas frequentes ou falta de reconhecimento. Ambientes como esse afetam não só o desempenho, mas também o clima geral da empresa, aumentando o turnover e os conflitos internos. Por consequência, a marca empregadora enfraquece.

O que muda com a NR-1 e os riscos psicossociais

Quando falamos de segurança do trabalho e NR-1, com a atualização da norma, agora temos um olhar exigente e mais completo sobre o ambiente organizacional, incluindo não só riscos físicos, mas também os fatores de risco psicossocial. Na prática, aspectos como pressão excessiva, relações interpessoais e organização do trabalho deixam de ser subjetivos e passam a integrar formalmente a gestão de riscos.

Dessa maneira, esses riscos precisam ser incorporados ao PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), que se torna ainda mais estratégico. O PGR deve contemplar o mapeamento, a avaliação e o controle desses fatores, com base em evidências como indicadores internos, clima organizacional e feedback dos colaboradores.

O que muda, de fato, na NR-1, é a obrigatoriedade de tratar saúde mental com método e documentação: as empresas precisam identificar riscos, registrar ações preventivas e monitorar continuamente o ambiente, sob risco de não conformidade em auditorias e fiscalizações. 

Recentemente, fizemos uma mesa redonda sobre as mudanças na NR-1 e a discussão ficou gravada, pode ajudar no direcionamento da sua empresa.

Impactos dos riscos psicossociais para empresas

Os riscos psicossociais no trabalho impactam os resultados das empresas, pode não ser rápido, mas lento e silenciosamente, dificultando ações. Quando não são gerenciados, esses fatores trazem os seguintes impactos:

Aumento de afastamentos

Os fatores de risco psicossocial, como estresse crônico e assédio, estão entre as principais causas de afastamentos por problemas de saúde mental. Aos poucos, gestores e RH notam mais e mais licenças médicas, aumento de custos com benefícios e descontinuidade das operações, afetando diretamente a rotina das equipes.

Queda de produtividade

Ambientes com alta pressão, conflitos ou sobrecarga reduzem a capacidade de concentração e desempenho dos colaboradores. Mesmo quando não há afastamento, o chamado “presenteísmo” — quando o profissional está presente, mas não rende — se torna comum, impactando entregas e resultados.

Turnover elevado

Empresas que não gerenciam bem os riscos psicossociais tendem a enfrentar maior rotatividade de funcionários.A saída frequente de talentos gera custos com recrutamento, treinamento e perda de conhecimento, além de prejudicar a continuidade dos projetos e a cultura organizacional.

Riscos legais e reputacionais

Com a evolução da NR-1 e riscos psicossociais, cresce a responsabilização das empresas que negligenciam a saúde mental no trabalho. Assim, ficam mais comuns os processos trabalhistas, multas e danos à imagem da organização, sobretudo em um cenário onde transparência e responsabilidade corporativa são cada vez mais valorizadas.

O papel do RH, DP e lideranças

A gestão dos riscos ocupacionais exige atuação integrada entre RH, Departamento Pessoal e lideranças. Cada área tem um papel complementar para garantir um ambiente de trabalho saudável e sustentável. Nesse caso, ressaltamos os seguintes pontos:

  • Identificação e monitoramento dos riscos: RH e lideranças são essenciais em como identificar riscos psicossociais, observando sinais como absenteísmo, conflitos, queda de desempenho e feedbacks dos colaboradores, além de acompanhar indicadores contínuos.
  • Criação de políticas de bem-estar: o RH atua no desenvolvimento de programas de saúde mental, equilíbrio de carga de trabalho, canais de apoio e ações de prevenção que reduzam fatores de estresse e desgaste emocional.
  • Integração com saúde ocupacional: o Departamento Pessoal e a área de saúde ocupacional precisam trabalhar juntos para registrar afastamentos, mapear causas e alinhar ações corretivas e preventivas baseadas em dados reais.
  • Abordagem preventiva, não reativa: lideranças têm papel central na cultura organizacional, atuando de forma proativa para evitar agravamento dos riscos psicossociais. É assim que evoluímos para um ambiente respeitoso.

Juntos, RH, DP e lideranças podem tirar alguns momentos para mapear como vão atuar nesse sentido. Nosso ebook sobre a NR-1 traz bons insights!

Caminhos para começar a adequação à NR-1

A adequação à NR-1 diante dos riscos psicossociais começa com uma mudança de postura: sair da reação e entrar na prevenção. Nesse processo, faz sentido que sua empresa siga as seguintes ações:

Diagnóstico inicial

O primeiro passo é o diagnóstico inicial, que consiste em mapear o cenário atual da empresa, identificando possíveis fatores de risco como sobrecarga, conflitos e pressão excessiva. Esse levantamento permite visualizar onde estão os principais pontos de atenção e priorizar intervenções.

Um ponto bem interessante aqui são as pesquisas de clima organizacional — elas lhe dão um norte do que é preciso melhorar.

Uso de dados e indicadores

Neste ponto, o trabalho consiste em coletar indicadores de turnover, afastamentos médicos e produtividade. Avaliações de ex-funcionários em plataformas como Glassdoor e LinkedIn também entram aqui.

Esses números ajudam a transformar percepções em evidências concretas, permitindo decisões mais assertivas dentro da gestão de riscos.

Leia também: O que fazer para reduzir o turnover

Escuta ativa dos colaboradores

A escuta ativa dos colaboradores é essencial para entender percepções reais do ambiente de trabalho. Feedbacks, entrevistas e canais de denúncia ajudam a aprofundar como identificar riscos psicossociais, revelando problemas que muitas vezes não aparecem nos indicadores formais.

Nesta ação, lembre-se de que não basta escutar e achar que o problema se resolve sozinho. Entenda quais ações são possíveis e traga devolutivas aos funcionários.

construção de plano de ação

Como a Caju apoia empresas no cenário de NR-1 e riscos psicossociais

Diante da atualização NR-1 2025 e da maior atenção à saúde mental nas organizações, a Caju atua como aliada estratégica das empresas ao apoiar iniciativas de bem-estar integradas à gestão de riscos ocupacionais. 

Por meio da sua solução de Saúde e Bem-estar, a plataforma ajuda empresas a estruturarem ações preventivas que vão além da obrigação legal, promovendo qualidade de vida e redução de fatores que impactam diretamente os riscos psicossociais.

Por exemplo, a Caju conecta colaboradores a parceiros especializados como a Wellhub, incentivando atividade física e hábitos saudáveis como forma de reduzir estresse e melhorar o equilíbrio emocional. Ao mesmo tempo, a Psicologia Viva Conexa democratiza o acesso à terapia, facilitando o cuidado com a saúde mental de forma contínua e acessível. Mas ainda há outros parceiros para uma vida mais saudável.

Na prática, essa combinação permite que empresas atuem de forma mais preventiva e estruturada, criando programas de bem-estar que ajudam a mitigar riscos psicossociais, fortalecer o engajamento dos colaboradores e sustentar uma cultura organizacional mais saudável e alinhada às exigências regulatórias.

NR-1 e riscos psicossociais: tira-dúvidas rápido

O que são riscos psicossociais no trabalho?

Riscos psicossociais no trabalho são fatores ligados à organização, relações e condições laborais que podem afetar a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores.

O que a NR-1 diz sobre riscos psicossociais?

A NR-1 determina que os riscos psicossociais devem ser identificados, avaliados e gerenciados dentro da gestão de riscos ocupacionais.

O que muda com a atualização da NR-1?

Com a atualização da NR-1 em 2025, as empresas passam a incluir de forma mais estruturada os riscos psicossociais no gerenciamento de saúde e segurança do trabalho.

Como identificar riscos psicossociais na empresa?

É necessário observar sinais como absenteísmo, queda de desempenho, conflitos frequentes e relatos dos colaboradores.

Quais exemplos de riscos psicossociais no trabalho?

Riscos psicossociais no trabalho incluem estresse excessivo, sobrecarga, assédio moral, falta de autonomia e ambiente organizacional tóxico.

Como o RH deve atuar diante dessas exigências?

O RH deve atuar criando políticas preventivas, promovendo um ambiente saudável e garantindo o monitoramento contínuo dos fatores de risco.

Empresas são obrigadas a mapear riscos psicossociais?

Sim, as empresas são obrigadas a mapear riscos psicossociais como parte das exigências da NR-1 e da gestão de saúde e segurança no trabalho.

A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 marca uma virada de chave: a saúde mental deixa de ser um diferencial e passa a ser parte estrutural da gestão empresarial. Não se trata mais de escolha, mas de responsabilidade: precisamos olhar para pessoas com a mesma seriedade que se olha para processos e resultados.

Nesse novo cenário, quem se antecipa não apenas reduz riscos, mas cria ambientes mais humanos, desejáveis e sustentáveis, onde performance e bem-estar deixam de competir e passam a caminhar juntos.

Quer trazer mais qualidade de vida aos seus funcionários e tornar sua empresa um local onde, de fato, as pessoas gostam de trabalhar? Conheça a solução de Saúde e Bem-Estar da Caju!

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Cecilia Alberigi

Sou jornalista, publicitária e viajante nas horas vagas. Na Caju, minha missão é transformar textos complexos em conteúdos claros, acessíveis e que façam sentido para quem me lê. Acredito que a flexibilidade é fundamental em todos os aspectos da vida, por isso valorizo a liberdade de adaptação, tanto no trabalho quanto no cotidiano.

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